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Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
"Há uma paz maravilhosa em não publicar. Publicar um livro é uma invasão terrível da minha privacidade. Eu gosto de escrever. Amo escrever. Mas escrevo para mim mesmo e para meu próprio prazer."
J. D. Salinger, citado em seu obituário n'O Globo





Sorvedouro de mitos

Se fosse fazer cálculo em termos pragmáticos, nunca teria feito nada.
Marina Silva, senadora, em entrevista à Folha


Eu bem poderia ter passado sem essa, mas foi acessar o Facebook ontem à tarde e acabei fisgada ou, pelo menos, levemente intrigada: estava lá ferozmente discutido o caso escandaloso de Nelsinho Piquet x Renault, sendo o primeiro progressivamente qualificado por meus amigos de web como "canalha", "canalha e burro", "rico, canalha e burro". Pra quem não sabe o que aconteceu — espelho, espelho meu, existe alguém tão alienado quanto eu? — dei uma lida por cima pra descobrir que Nelson Jr. declarou ter aceitado orientações de seu empregador para bater de propósito em determinada volta e determinada curva da corrida de Cingapura, ufa, com o pouco nobre objetivo de favorecer seu companheiro de equipe, o primeiro piloto Fernando Alonso, uau, eis aqui de repente uma expert inesperada em Fórmula 1.

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Gabeira rides again

Não temos a pretensão de construir um partido de pessoas infalíveis, mas sim de pessoas que, quando erram, reconhecem o seu erro, corrigem o rumo e reparam o que fizeram.
Fernando Gabeira no discurso de boas-vindas a Marina Silva, ô turminha do bem, sô





Pois é, quem diria: esta história ainda não acabou. Tudo dá certo no final, etc., etc., e o final ainda não chegou, não chega nunca, esta é que é a verdade: enquanto há vida há esperança, há sempre surpresas no caminho de toda alma que assim espera, basta que esteja encarnada, ai meu Deus que esta tal esperança resulta sempre em genuína pobreza de espírito literário, mais um pobre clichê, fazer o quê. Ui.

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O país dos Silva

Pra quem costuma declarar em público que detesta a política e os políticos, vamos combinar que tenho investido ultimamente um tempo significativo em tal secundário segmento de pensamento: num livro inteirinho (ainda inédito, se Deus quiser não por muito tempo) de crônicas sobre Obama, por exemplo.
Por outro lado, gosto de escrever sobre o assunto do ponto de vista humano e construtivo e de como ele afeta a mim e aos que me cercam tendo em vista, principalmente, como teria o objeto do meu afeto — sim: é do ponto de vista do afeto que gosto de encarar este processo, que prima quase sempre pela aridez na mídia e pela ampla e irrestrita corrupção de interesses, vai entender — certo potencial de transformar o [meu] mundo e, em última análise — antes de deixá-lo de lado para sempre como cronista —, preenchido tal promessa, uma promessa palpável quando eu falava de Obama e outra nem tanto neste solene momento, quando inauguro sob vossos próprios olhos atentos, um novo projeto de livro sujeito a cancelamentos sem prévio aviso: Marina Silva.

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Dá-lhe Marina

Num contexto desses não precisa de texto. Só de pretexto. E de um voto de confiança, claro, deu gosto de ver Marina Silva: vencendo ou não, uma candidata de peso, e bem poderia ser a minha.

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