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Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
"Há uma paz maravilhosa em não publicar. Publicar um livro é uma invasão terrível da minha privacidade. Eu gosto de escrever. Amo escrever. Mas escrevo para mim mesmo e para meu próprio prazer."
J. D. Salinger, citado em seu obituário n'O Globo





Homenagem bacana

Geralmente é o Verdes Trigos, onde sou colaboradora antiga, que reproduz "do Noga Bloga", mas hoje vamos pela via contrária. Do Verdes Trigos:


Em Tiberíades, um peixe para Noga

No dia 20 de janeiro, chegamos para almoçar no Decks Restaurante em Tíberíades, Israel. Como não lembrar?! Minha amiga israelo-brasileira Noga Sklar completou anos no dia 20 e exatamente neste dia estava eu lá na sua cidade de nascimento. Noga nasceu em algum lugar [kibutz Afikim] em Tiberíades, às margens do lago Kinneret  não tive como ligar ou mandar-lhe um email  então lhe brindei por vida longa, com saúde. Noga, parabéns parceira. Quando um dia eu for para a serra, comeremos um peixe, como este!

Valeu, Henrique. Delícia, obrigada.

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Gulag no Rio

Todo mundo sabe que sou completamente contra Lula, sempre fui, mas, francamente, pegar pesado como fez Gerald Thomas no canto de cisne de seu blog defunto, enfiando Lula no saco malhado de Stalin e arranjando de repente pro nosso presidente um lugar de honra no panteão dos carniceiros... peraí. Assim também não.

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Reflexões de ano novo

Vida é o que te acontece enquanto você se ocupa com outros planos.
John Lennon


Como com toda a campanha contra eu não cancelo as minhas contas, convém esclarecer logo: não tomo como pessoal a derrocada anunciada dos blogs — ultrapassados pelo facebook, ou twitter, ou qualquer coisa ainda por ser inventada na internet para ocupar a mente carente e os ainda desocupados espaços publicitários, em futura disputa feroz na rede —, gente, não.

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Um mundo de (falsas) aparências

O homem atrás do bigode/ é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos, raros amigos/ o homem atrás dos óculos e do bigode.
Carlos Drummond de Andrade in "Poema de sete faces" (mais conhecido por "mundo mundo vasto mundo/ se eu me chamasse Raimundo/ seria uma rima, não seria uma solução", vai, Carlos, ser gauche na vida, sabem como é)


Vamos combinar que, assim como eu (ui!), Barack Obama faria um bem a si mesmo se se limitasse a salvar o mundo e não fosse na intimidade como todo mundo. O problema é que, como todo mundo sabe, num mundo onde tudo aparece na mídia instantaneamente, e onde os comportamentos mais íntimos logo se tornam escandalosa e deliberadamente públicos, o Presidente mais poderoso do mundo não tem (direito à) intimidade, e estamos por aqui, ó, de liberados comentários que optam sempre pela máxima agressividade.

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Gota d'água

O hábito é o grande mitigador.
Samuel Beckett


E por força do hábito de beber de outras fontes, de citar o que é sempre citado e que sobremaneira se agravou com a internet, lá ia eu citando Chico, "um poço até aqui de mágoa", ou outro Beckett bem mais conhecido — vocês sabem, aquele autor animador de "fracasse melhor" que (mundo pequeno) quase se casou com Lucia, a filha demente de Joyce e Nora, se lembram dele? —, "I can't go on, I'll go on", vírgula, que Gerald Thomas esta semana no IG, em sua despedida online dos palcos iluminados desta egóica vida, abastardou, "I won't go on", jogou a toalha, pendurou a chuteira, chutou o pau da barraca e deixou que a lona cadente e malcheirosa da depressão finalmente o sufocasse, que pena, será que o Frontal acabou?

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Um tostão por sua reflexão

(aka "a penny for your thoughts" ou, como diria Joyce: "pomes penyeach")

Tem uma névoa fria se aproximando enquanto escrevo e tomando conta do vale lá fora, penteando as montanhas como cabeleira branca, bonito, abaixo e à frente da porta de vidro. Continuo plugada na mesa do marido como um cão conformado, vendo a vida passar sem fazer parte dela, nem força, nem nada, a vida por um fio, ou minha vida por um sem-fio. Toma a névoa a mim também, interrompe a ligação, cresce dela o desejo intermitente de desconexão.

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A gente somos mesmo inútil

A gente escreve livro e não consegue publicar/ A gente somos inútil/ A gente não sabemos tomar conta da gente/ A gente somos inútil
Ultraje a Rigor


Em simpática mensagem de apreço o leitor Jacob Goldemberg, novo adepto declarado deste perene desabafo online que é o Noga Bloga, alimentado desde o seu remoto início, a longínquos 1705 posts atrás, por frustrações eternas de genial escritora rejeitada — é, gente, ando mesmo carente, precisada demais de contar e divulgar as raras bênçãos quando as recebo, sabem como é —, me pergunta se vale a pena insistir num blog, sempre vale, Jacob, tudo sempre valerá, isto é, se a alma não for, etc., etc., não é? Mas a verdade é que o comentário dele me pegou num dia ruim, vocês sabem, tenho andado meio deprimida.

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Pro lixo

Nossa, leitores. Peço perdão. Tendo estado envolvida na concepção de um projeto inédito de crônicas, composto, como O Gozo de Ulysses, de posts originais deste blog em ordem perversamente cronológica e encadeamento de quase-romance, editados, reeditados e rerreeditados —grrrr — outra vez e mais uma pra ver se merecem mesmo virar livro, me confesso chocada: gente, perdi a noção do perigo do adjetivo!

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Desafiadamente

Do blog da Cora:
Desafios
Recebi por email do meu amigo Hermano. Eu já tinha visto essas brincadeiras há muito tempo, mas me esqueci completamente delas, e gostei de reencontrá-las:
Só pssaoes epsertas cnsoeugem ler itso.
Eu não cnogseui acreidatr que relmanet pidoa etndeer o que etvsaa lndeno. O pdoer fnemoeanl da mntee huamna, de aorcdo com uma psqueisa da Unvireisadde de Cmabrigde, não ipmrota a odrem em que as lteras em uma plavara etsão, a úcina cisoa ipmotratne é que a piremira e a útimla ltreas etseajm no lguar ctreo. O rseto pdoe etasr uma ttaol bnauguça e vcoê adnia pdoreá ler sem perolbmea. Itso pruqoe a mtene haunma não lê cdaa lreta idnvidailuemtne, mas a pvrlaaa cmoo um tdoo. Ipessrinaonte hien? É e eu smrepe pnenesi que slortaerr era ipmorantte!


Comento:
é mais ou menos no que se baseia o misterioso Finnegans Wake de James Joyce, rsrs, exceto que lá cada palavra mal soletrada junta numa só umas três ou quatro outras e seus respectivos significados, três livros em um, fantástico, extraordinário... e barato, uma ginástica para o intelecto contra o envelhecimento precoce da literatura, hehe.

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Dia mundial da internet

(de "O Gozo de Ulysses", em breve nas livrarias, ah, tá bom: começou...)

"Preconceito contra a internet? Coisa mais antiga: se não fosse a internet, eu não teria conhecido Alan; se não fosse a internet, eu não teria publicado um romance; se não fosse a internet, eu não publicaria uma crônica por dia, todo santo dia. Se não fosse a internet, bem, hum: meu Projeto Irônico de Ulisses jamais passaria de um cavalo-de-troia, e o resultado taí, ó.
E pra não dizer que eu não tento, do jeito que posso, fazer justiça: palmas incondicionais para Mestre Houaiss, herói intelectual de um tempo onde nem se sonhava com a internet. E nem com o Google. Imaginem."

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10 mil horas

"Quem tem alto desempenho passou mais horas (muito mais horas) praticando rigorosamente a sua arte", afirma David Brooks em interessante artigo no NY Times sobre a teoria das 10 mil horas, e não é o primeiro: Malcolm Gladwell já falou sobre isso e outros mais.
Aos leitores do blog, anônimos espectadores desde 2005 das minhas 10 mil em vias de se completar, agradeço a dedicação. Tomara que a teoria dê certo.

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A calda longa do caudo de cultura*

"Menos resenha e mais impressões sobre leitura, os textos de Hornby diz muito sobre como escritores leem", escreve online o Prosa, sem verso e nenhum reverso, recentemente engordado braço conectado do suplemento literário de O Globo, assim mesmo, com a brilhante nova ortografia do acento e um não-detectado mais que cintilante engano de concordância verbal, o itálico é meu.

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Desmentiras

Bem que eu tinha achado um bocado estranho o ocupadíssimo Obama dedicar um café da manhã inteiro a uma, vamos combinar, irrelevante Benedita da Silva, mas deixei passar (como no fundo no fundo não passo mesmo de uma inveterada racista, pensei cá comigo, no mais resguardado da mente: de repente é um encontro de afrodescendentes sei lá por que motivo, há mais coisas entre o céu e a terra, etc etc). Pois é. Tudo bem.

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Biscoito mofino

Não posso negar que me entristece bastante ter que já por de lado uma das primárias escolhas de leitura que elegi — sim, está certo: eu quis mesmo dizer "primárias", e não "primeiras", embora em certo ponto os significados até convirjam (ih, ficou feio, soou quase como "corja") — ao abandonar o vício diário de O Globo. Sinal, talvez, de que o que eu deva abandonar é qualquer hábito diário que seja com o exclusivo intuito de me informar, pois não? Nem dar tempo ao tempo necessário pra criar novos vínculos imediáticos (aos críticos: imediatos+midiáticos). Vejamos.

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Nothing but blue skies...

otimismo de sexta-feira: antúrios frescos comprados na feira


...skies were gray, but they're not gray anymore.
Irving Berlin


Quando eu era esotérica convicta, do tipo que consultava o I Ching, jogava tarô e acreditava em horóscopo e sim, tinha ainda por cima um guru greco-americano que se declarava uma encarnação melhorada de legítimo feiticeiro indígena, tive a extrema coragem de enfrentar o ceticismo em família e publicar um livro na linha espiritualista, algo assim como "Minhas experiências como uma aprendiz de xamã que vai ao supermercado" — como implicava aquele amigo irônico pra quem ser xamã era ter o poder de materializar comida —, e que começava assim:

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Um (lauto) comentário na caixa de Tio Rey

Caro Reinaldo, seus argumentos são lógicos, e bastante convincentes, claro, você escreve muito bem e é por isso que eu venho sempre aqui, isto é, passei a vir por seu apoio a Israel e em meu tempo ampliado, agora que não leio mais tantos jornais. Mas você não está tão só. Muita gente (na Fox News, por exemplo) pensa como você. Mas eu, embora como você não seja "uma boa pessoa", nem tanto.

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Os sem-jornal: desafio ao futuro

"Frédéric Filloux – seguindo a mesma trilha de Henry Blodget anos atrás – publicou, antes mesmo da crise de dezembro dos jornais, um verdadeiro estudo que demonstra, veementemente, por que as atuais redações de jornal são economicamente insustentáveis online, publica o Digestivo nº 37."

Caro Julio,
Este artigo peca pela falta de imaginação. Além do mais, as tais velhas redações devem em breve desaparecer mesmo, dando um fim esperado às instalações físicas e correspondentes custos trabalhistas, coisa mais antiga. Os jornalistas serão independentes, terceirizados, e remunerados de acordo com a produção em seus próprios escritórios caseiros ou em campo, com artigos diretamente encaminhados através de um equipamento mínimo individual, altamente eficiente, de custo evidentemente bastante baixo (falar nisso, você viu o sucesso recente de Joe The Plumber, atual correspondente de guerra na Faixa de Gaza? será tão difícil tornar-se um bom jornalista na era da informática? o maior capital há de ser a credibilidade, ou, num cenário mais pessimista, a mera popularidade).

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Dia três: órfã de colunista

(da série: os sem-jornal)

"À sua meia-irmã permitia a leitura de jornais, mesmo assim com pelo menos um mês de atraso: sem poder destruidor, poéticos já."
Thomas Bernhard, nas frases do dia de uns meses atrás

Vamos combinar que já fazia um bom tempo que eu nem bem lia, quando muito apenas folheava o jornal impresso, me preparando, quem sabe, para o salto libertador final. Afinal de contas, todo mundo sabe que o nosso planeta conectado é movido a notícia, e qualquer breve link gratuito na web já te deixa a par de tudo que acontece no mundo: o mal-estar da atualidade nos persegue, e difícil mesmo é escapar dele, haja meio-do-mato.

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Os sem-jornal: dia dois

Na medida do possível, e da apaixonada, provocada — e provocante — exiguidade de assuntos que assola o noticiário neste princípio de ano, estou, do jeito que consigo em tempos de tanta destruição, feliz com a minha opção. Se não fosse o tempo liberado pela falta do jornal ao lado, eu jamais teria tido o tempo, a curiosidade, e a carência informativa, claro, para encontrar o blog do Reinaldo Azevedo no site de Veja, "um oásis de pensamento independente, de racional e ousada imparcialidade (na medida do impossível) dentro da onda manipuladora que vitimiza a imprensa", mais ou menos isso: comentei lá. Obrigada, Reinaldo.

de um anônimo sensato, na blogosfera: "Se os palestinos depusessem hoje as suas armas, não haveria mais violência. Se os israelis fizessem o mesmo, não haveria mais Israel."‏

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Pobre Oswald de Andrade

"A massa ainda comerá o biscoito fino que eu fabrico."
Oswald de Andrade


Mas que Biscoito Fino é esse? Me amassa. Nossa. Tremendo. Pois fui ao Biscoito Fino em busca de explicação para o meu sumário defenestramento pelo meu ex-faceamigo Idelber Avelar e , ai, lamento, encontrei bem mais do que fui procurar: explícito ali, nem ao menos camuflado (por mero amor ao pensamento civilizado), vestido de um magnífico e como se viu enganoso e caudaloso currículo, um brilho acadêmico de responsa e um mais atraente ainda amor auspicioso pelo Ulisses de Joyce — esse aí, confesso, o propulsor da minha inocente proposta de amizade — um vergonhoso, anacrônico, violentíssimo antissemitismo, uma das piores formas clássicas de racismo. "Chacina sionista"? Fujam. Pobre Oswald de Andrade, espúria homenagem, ou será que... o movimento modernista era também fascista? Duvido.

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Contra-adições

"Durante os dois primeiros anos da relação, estava sempre preparado para que um dos dois fosse embora. Nos cinco anos seguintes, eu continuava achando que era apenas acomodação, e em breve cada um seguiria seu destino. Vinte e nove anos depois..."

A citação aí de cima, um pouco grande demais para ser chamada de "citação", pasme, é de Paulo Coelho. O link não te leva ao resto do artigo, nem tente, mas a um blog que o Paulo Coelho mantém no G1 com citações diárias, algo assim como "a mensagem do dia". Espanto.

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Anonovo, casanoga?

Todos os meus "amigos" literários, aparentemente, se mudaram de casa em 2008 para endereços mais "oficiais" (ou pelo menos mais públicos, isso é certo), e eu só agora me dei conta. Confiram aqui, e na coluna aí do lado esquerdo, os novos endereços da turma:
Antonio Prata
Luciano Trigo
Sérgio Rodrigues
Paulo Roberto Pires

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Porque hoje é domingo...*

...e não tenho muito assunto, bem que eu poderia deixar passar. Afinal de contas, venho cumprindo há anos e bem direitinho, com raras e dolorosas exceções, a obrigação diária de escrever crônica, religiosamente e num mínimo múltiplo comum de pelo menos dois mil caracteres por texto e nenhuma remuneração, como reza a bíblia dos cronistas, perfazendo até hoje, 30 de novembro de 2008, um total de hum mil, trezentos e setenta e oito crônicas publicadas.

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Quo vadis?

"Se você souber o que está fazendo, não faça."
Robert Wilson — dramaturgo, fotógrafo, diretor teatral, videomaker, coreógrafo, autor de óperas, iluminador (segundo matéria do Globo) —, encenador


a icônica ópera "Einstein on the Beach", de Robert Wilson


Todo santo dia, já deu pra perceber pelas citações que meu dia começa cedo, lendo O Globo de cabo a rabo: da página um do primeiro caderno, passando por política e economia e demais suplementos, conforme o dia, à última página do segundo, deixando de fora as novidades do esporte.

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Eles lá e nós aqui

No Globo online (pelo segundo dia seguido, uau!), deixe seu voto lá!

Embora até agora não tenha havido nenhuma esperada melhora na crise financeira — muito pelo contrário, as perspectivas parecem cada vez mais negras, dá realmente medo de uma depressão generalizada — parei por enquanto, com raras exceções para confirmar a regra — como o Nobel Paul Krugman em sua coluna no NY Times, por exemplo — de ler o noticiário econômico. Ler pra quê?

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Quem lê tanta notícia?

Como se não bastasse a intimidade devassada nos blogs, a indústria intrometida da notícia inventa a cada dia uma novidade, nada mais que mais uma mídia gulosa, vorazmente alimentada pela chance notória de faturar um extra com a publicidade. Mais intrometida ainda. Esse Twitter, por exemplo, no qual me recuso a entrar — só não sei até quando —, tem coisa mais irritante?

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Stalker

Embora eu seja bem mais sensível e receptiva a críticas do que alguns leitores possam imaginar, com base em minhas incontroláveis e intempestivas reações (condenáveis, confesso) aos raros comentários aqui no blog — sim, amigos: para meus livros e crônicas procuro constantemente a leitura crítica de quem, por história e justiça, dá-se ao respeito e à reputação ilibada de considerar-se... leitor crítico, excluídos aqui, é claro, os covardes anônimos escondidos por trás de nicks, está online no Todoprosa: "Antigamente, o último refúgio dos velhacos era o nacionalismo. Hoje é o nick." [PUNCHLINER] —, comunico aos meus detratores que bem, hum, perdem por aqui seu precioso tempo.

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Campanha leitoral

Como os meus 19 leitores já sabem... ih. Foi mal. Esssa história banal de 19 (ou 17, sei lá, e meio, se contar o anão) leitores já deu o que tinha que dar nas colunas bem mais divulgadas do Xexéo e do Agamenon, mas vamos combinar que no Globoonliners, alvo primordial desta crônica inesperada de sábado — ih, olha aí, ó: 19 de julho —, faz um bom tempo que o número confesso de meus leitores, exibido à esquerda do texto pra todo mundo ler, é exatamente este: 19.
Dezenove, todo mundo sabe — e se não sabe, está na hora de ficar sabendo — é o número do carma, bom ou ruim, mas que eu gosto de dizer: da transformação do carma. O que eu quero mesmo dizer é que por muitos anos — até conhecer o Alan e deixar pra lá de vez esse negócio de carma — em todo dia 19 do mês eu parava tudo, esquecia tudo que era chatice, aporrinhante, dolorido, e só fazia o que desse mesmo na telha, vocês sabem, na esperança de que um dia se tornasse normal uma vida assim, gostosa, ideal. Vocês me entendem.
Agora. Vamos combinar que está mais do que na hora de mudar o número fixo destes meus leitores, e é claro que estou falando de ampliar, ampliar muito, não? Que tal uma corrente? Hein, gente? Li no jornal que a idéia é boa, um caso típico assim, digamos, de eficiente marketing viral. Tá certo que nas estatísticas oficiais de visita este blog vosso de todo dia vai às alturas, mas preciso confessar que isso só acontece quando o assunto é sexo, e sexo explícito, claro. Meu vídeo erótico no youtube, por exemplo, já vai além dos 24 mil espectadores, pode ir lá conferir que eu garanto que é tudo verdade. Mas, bem. Hum. Nem tudo nesta vida é bom sexo, não é mesmo?
Pois o caso é que li hoje cedo — ah, tá bom, sábado, dezenove de julho, etc, etc — que o Globo Online está procurando, se é que eu entendi direito, um blogueiro [brasileiro] pra falar sobre as eleições americanas. Ora me diga você, leitor, leitor meu: existe alguém por aí melhor do que eu?

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Cinebreves de sexta

clique para ampliar... e imagine a vista da sala

Algumas referências cinematográficas cruzadas no Globo de hoje:

* Arthur Dapieve recomenda o dvd "turbinado" de Louis Malle em "Trinta anos esta noite" (no Dvd Clube ainda não tem, alôô!). Não lembro do filme, mas vou conferir com certeza: no meio de tanta porcaria devedesiva, é o tipo de coisa que eu gosto. Quanto ao comentário sentido do Arthur — "Nas noites difíceis, eles me disseram que eu não estava tão solitário assim. Às vezes, apenas isso já basta para afastar a tentação da pistola" — bem... Tô preferindo outra opção.

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Rito de passagem

Pois é, gente. Esta noite, enquanto eu dormia — ou melhor, me debatia de um lado para outro na cama, tentanto dormir, enquanto equacionava na mente todas as decisões cabeludas que preciso tomar nos próximos 30 dias — passei, sem que eu soubesse, por uma prova de fogo que me qualifica, enfim, como cronista profissional: a ameaça de um processo judicial, vocês sabem, coisa de gente grande, do calibre assim de um Zuenir Ventura ou um Diogo Mainardi.
Pra quem quiser emitir opinião, ou voto, ou apoio, ou discordância, vai meu convite ao debate de uma questão, a meu ver, crucial para o futuro social do século vinte e um: que valores transmitir aos nossos filhos e como prepará-los para a vida adulta.
No Noga Bloga: Pobre Miss Brasil Mirim
No Orkut: página de recados do reclamante
Cumpre esclarecer, para todos os efeitos morais — e legais, claro — que no meu post original nenhum nome foi citado, tendo sido a questão enfocada sob um aspecto generalizante (e preocupante). Agora, no entanto, os personagens da trama voluntariamente se identificaram, como pode ser verificado nos comentários linkados. Dá-lhe carapuça.

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O que é bom para a matriz...

Emily Gould na NYTM ( 25/05/08) x Clarah Averbuck na ROG ( 13/07/08)

Vocês eu não sei, mas li na Sunday Magazine do NY Times ["Exposed"], há coisa de umas semanas — em 25 de maio, pra ser mais exata —, a comentadíssima reportagem de capa sobre uma blogueira pioneira que expôs sua vida íntima em blog e as terríveis conseqüências disso, etc e tal...

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Carroça de burro

Lendo no Globo a crônica de hoje de Joaquim Ferreira dos Santos, depois de um mês inteirinho de ausência, a gente fica com a impressão de que o cronista se desligou mesmo, relaxou de todo e de tudo. E agora volta, como se dizia antigamente, uai, gente: nem lembro mais o que se dizia antigamente, no tempo do rádio de pilha e tevê pebê que "esquentava a válvula", encrencava o "horizontal" e saía do ar. E quando carro novo, imaginem, precisava "amaciar" pelos primeiros, sei lá, mil quilômetros de rodagem. E, claro, esquentar o motor de manhã na garagem. Hã?

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Meus caros amigos

Não fossem esses chatos ofensivos, amargos e sem nenhum senso de humor que andaram por aqui assombrando o blog, eu nem escreveria hoje. E não é por falta de incentivo, ou falta de inspiração, ou de ânimo, ou depressão, não, meus caros, nada disso.

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Jabor e a internet

"...falta ao autor o empenho artístico, assim, de um Flaubert ou, parafraseando Jabor — o sujeito mais parafraseado e indevidamente assinado da internet —, o pendor trocadilhista de um James Joyce que faz, na verdade, o incrível jogo de armar literatura."
das Crônicas Irônicas de Ulysses


Vamos combinar: o Jabor tem toda razão de reclamar. Mas o pior de tudo, na minha opinião, não é que o autor passe por gay, machista, homofóbico, fascista, corno e idiota, nesta ordem ou em outra qualquer, à vontade do ritmo e do freguês conectado da hora. O pior de tudo é o gosto confesso do público por tudo que é má literatura: gente que não distingue panfleto de crônica, ficção de realidade, mentira de verdade. Um cérebro empastelado por mensagens de má qualidade, é, rimei sim, e daí?

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Eu blogo, tu blogas, todo mundo bloga

Coisa é difícil é a gente dar conta do que, no fim das contas, cai na boca do povo. Ou no gosto. Aqui no Noga Bloga, por exemplo: entre tantos exemplos incríveis, puras pérolas de literatura (gulp), adivinhem onde foi que eu fui dar ibope: num texto sobre vídeos de sexo explícito para assistir na internet que em se tratando de Noga Bloga mal fala de sexo e nem mostra vídeo explícito nenhum, claro: o povo se arrebenta de raiva, mas isso... depois de clicar e com isso elevar a frequência do blog à enésima potência, valeu gente. Quem sabe assim, só por acidente, de breve passagem, acabo convencendo alguém do valor da (minha) literatura.

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Isso é ridículo!

Vocês me desculpem, eu não queria tocar no assunto. Bem. Todo mundo sabe que o Mecenato Moderno, minha proposta generosíssima de patrocínio a blogueiros, contendo inclusive um selo editorial para literatura de boa qualidade exercida online, foi indeferido pelo Ministério da Cultura. Até aí tudo bem que eu já tinha me conformado, cancelado o site e aposentado o sonho não só de sobreviver blogando, mas de possibilitar o mesmo a outros blogueiros. Pois bem. Acabo de receber carta oficial do MinC justificando a recusa. Segue:
"...a concessão de bolsas para "blogueiros" (aspas deles) é vedada pela legislação, por configurar-se em utilização de recursos públicos para aumento de patrimônio de pessoa física ou pessoa jurídica."
Agora vem cá, alguém me explique qual é a diferença entre o artista blogueiro e qualquer outro tipo de artista que neste país só vive de patrocínio oficial. Hein?

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Obrigada, leitores

Caros,
O Noga Bloga atingiu, ontem, um novo patamar de audiência ao superar os 400 visitantes únicos diários, isso, claro, só na página principal:

Porque se a gente contar tudo, arquivos e imagens, passa de mil e quatrocentos: pra cima com a viga, moçada! [J.D.S.]

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Abstinência

É muita crise de abstinência para um ser humano só:

# dor de cabeça diária devido ao abandono repentino da reposição hormonal, motivo: efeitos colaterais da reposição superaram em muito o incômodo dos sintomas normais da menopausa

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Na conta de que o ego se rompa

Sei lá, gente. Não faço idéia do que é que esta frase significa, mas sei que acordei com ela na ponta da língua e a anotei no meio da noite com a esperança vã de aproveitá-la nas Crônicas de Ulysses. Até agora não rolou nada, eu preocupada em acabar logo com esse trabalho gostosíssimo de edição numa aflição comparável com a que nos faz devorar todos os bombons da caixa de uma vez só, eu não que nem sou chocólatra.

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A arte imita a arte

Depois que descobriram um novo monstro marinho — isto é, um velho — numa ilha da Noruega, não vou me espantar nadinha se afirmarem que o de Loch Ness existe mesmo. Isso, claro, devido às descobertas tecnológicas de um Michael Crichton, que nos permite fertilizar dna de fóssil. Já estou pagando pra ver.

Nas Crônicas de Ulysses: Intraduzíveis/ Tolerável, apenas tolerável

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Sabedoria de robô

Das Crônicas de Ulysses: "... Jorn Barger, um barbudo maluco de Ohio da geração de 1950 e, acreditem, inventor do termo "weblog" que, todo mundo sabe, resultou no moderno "blog".

E mais, nas Crônicas hoje, imperdível, vai lá: Terra de leite e aluguel

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Até que enfim

Vamos combinar: resolvi livrar vocês do tormento imposto todo dia com esse blablablá literário sobre o Ulisses. Dei um rosto ao livro, na forma temporária de um novo blog, e a partir de hoje posto lá.

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É mil!

Gente, chega por hoje. Mas é o post número mil daqui do blog. Tem que comemorar! Uau!

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Notícia velha

"Experience is what you get when you don't get what you wanted."
Randy Pausch


Eu sei que é notícia velha, mas bati de frente esta tarde, por um mero acaso, com a história de Randy Pausch, um jovem professor universitário americano que está morrendo de câncer no pâncreas.
Randy deu, em setembro do ano passado, uma despretensiosa palestra de despedida para um auditório lotado na Carnegie Mellon, universidade onde trabalhou nos últimos anos ensinando realidade virtual.

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Espanto... e esperança

Amigos,
Para meu espanto e perplexidade cada vez maiores, nosso projeto para o Mecenato Moderno acaba de ser redirecionado para a 149ª CNIC, a se realizar em fevereiro de 2008. Não desistam... ainda. Porque eu ainda não desisti. Vamos investir nossa energia. É o que dá pra fazer neste momento. Acompanhem diretamente site do MinC o desenrolar desta novela emocionante.
Abraço,
Noga Lubicz Sklar

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Vê se cresce, Aguinaldo!

Não foi minha intenção criticar Cora Rónai quando eu disse, aqui no blog, que nem atropelada ela parava de blogar, gente, não. Eu talvez não tenha sido bem clara, porque eu queria dizer é que essa coisa de blogar, de tão excitante, pode às vezes se confundir com vício, e cá entre nós, a Cora ferida bem que merecia algum descanso.

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Duas caras

"Não concordo com o que dizes. Mas defendo até a morte o direito de o dizeres."
Voltaire


Não sou fã de Aguinaldo Silva, não assisto novela, e achei ridícula (e duplamente preconceituosa) a declaração dele afirmando que Gilberto Gil, por ser preto, deveria solicitar um passaporte nigeriano ou coisa parecida. Mas quanto aos rumores de que o escritor foi afastado da Globo por ter dito isso e aquilo no blog dele, tenho o que dizer: é um absurdo. Imaginem se Gil iria querer isso.

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Hollywood sem filtro

Desliga, CoraPra quem acha que a minha literatura erótica é confessional demais, ao ponto de se tornar ofensiva, recomendo a visita ao arquivo de outubro no blog de Cora Rónai.
Sei que a Cora foi atropelada no mês passado e se machucou bastante, mas passou uma quinta, outra quinta, mais outra e nada de Cora voltar ao seu espaço, aí sim, foi mais que saudade do texto dela: me preocupei. Resolvi conferir no blog pra saber o que estava acontecendo. Gente. O que vi foi de um espanto que nem te conto, tudo lá tintim por tintim, não é que até no dia do acidente tem post? Segue depois um reality show de fazer gosto, só não sei se de bom gosto, não pela Cora, claro, mas gente: nem doente a gente tem mais direito a um período de silêncio, de ausência das lides deste mundo.

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Auto-sabotagem

Minha birra com jornalistas não é de hoje, e ironicamente, em todas as profissões que já tive, precisei deles. Sobreviver como artista dependeu sempre de ter meu trabalho divulgado, mas nunca antes tanto como agora, quando de certa forma disputo espaço com eles. Problema meu.
Ter opinião, pra mim, sempre foi problema. Nasci numa família de opiniões fortes, donos da verdade, gente culta que imaginava saber tudo, e até hoje é assim: um problema, emitir opinião lá em casa. Nem por isso cresci eu mesma menos dona da verdade, vocês sabem, é de pequenino, etc, etc. Acabei assim metida, metida numa grande enrascada, isso sim.

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Oxitocina

"Generosidade é o ato de proporcionar ao outro mais do que o outro espera”, define Paul J. Zak, neuroeconomista do Centro de Estudos Neuroeconômicos da Universidade de Claremont na Califórnia, EUA.
Marcia Triunfol, bióloga especializada em genética e coleguinha de FLIP, estreando em seu blog "23 Pares" no Globo online (e a gente, claro, recomenda), reflete sobre o assunto:

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Não estou pra graça

A maior comunidade de Carlinhos Brown no Orkut tem apenas 2186 membros. Mesmo assim, imagino se Leonardo Lichote, que assina artigo no Globo de hoje criticando o último disco do cantor, já "escreveu suas cartas". Pra quem ainda não viu o excelente e tristíssimo filme de Ken Loach "Ventos da Liberdade", explico: "escrever suas cartas" é um eufemismo usado no filme pra avisar a um condenado à morte de sua próxima execução.

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Uma idéia na mão e uma câmera na cabeça

É só uma plantinha, não?Crucificar e agredir com selvageria alguém que tem opinião diferente da sua é o tipo da atitude com um passado que condena. Deve ser por isso que estas bombas verbais online me dão medo sim, um medo danado, um medo arraigado na malfadada memória de tempos idos de exceção, coisa que quem pratica sem nenhum escrúpulo este esporte maligno nunca experimentou na vida.
Nunca me passaria pela cabeça lavar a boca de um filho meu com sabão de coco, mas que às vezes dá vontade, dá. Diferente de muitos que escrevem por aí, detratores da cultura jovem e apologistas da atmosfera pouco intelectual em que essa geração se encontraria imersa, sou fã incontestável da juventude de hoje em dia. Trata-se, pra começar, de um pessoal que tem acesso irrestrito a todo tipo de informação: basta querer e o mundo está lá, ao alcance de um clique no mouse sempre ao lado.

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Editores de blogs?

Deus me livre de ser a favor de qualquer censura, gente. Deus me livre, nunca é demais repetir. Li hoje de manhã no Info & Etc sobre a horrorosa tentativa italiana de restringir a publicação em blogs, eu, hein? Liberdade absoluta online, essa sim, é que nunca é demais.
Mas suponha... ah, bom. Lá vem o MeMo como o primeiro... REMUNERADOR E EDITORA DE BLOGS, à frente do seu tempo, hãhã.

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Minha ARCA

Um Deus no céu e o mesmo Deus... aqui na Terra
Se não fosse o sincronismo dos temas, eu bem que teria resistido. Não teria jamais confessado em público a mulherzinha chinfrim, emocionada e carente que mora em mim. Teria deixado a vocês, leitores, a escolha de se iludir quanto à minha verdadeira personalidade, de acreditar na intelectual, na escritora exótica, na inteligência lúcida, não teria decepcionado o meu clubinho. Mas não deu. Nada disso, aparentemente, sou eu. Ou, pelo menos, sou mais do que apenas isso.
Tudo começou com o post aí de baixo sobre o recente dilúvio carioca, onde eu descrevia meu antigo apartamento de São Conrado, isolado pela enchente, como a minha "arquinha de noé". Depois chegou da locadora aquele filminho que eu tinha reservado pra ver na cama, só por diversão, alguns dias antes.

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Vício

"Acreditamos que o público de cultura tem a lucrar com novos espaços de crítica livre e sem compromissos comerciais com seu conteúdo."
Carolina Vigna-Marú, editora do Aguarrás


Meu projeto para o Mecenato Moderno estava indo de vento em popa, coletando apoios e entusiasmos, e alimentando aquela energia esfuziante da qual se precisa para romper com uma idéia nova a barreira da inércia, quando ontem à noite recebi um baque, um balde de água fria na minha cabeça que me acordou do transe, e bem, como sempre acontece, acabou resultando num novo patamar de entendimento.

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Nunca é cedo. Nunca é tarde.

série Estudio de Lucia Laguna, 2007
Eu sei que prometi a mim mesma descansar por estes dias. Mas vocês sabem, blogar é um vício. Um vício grátis que estou inventando um jeito de remunerar, tomara que eu consiga. A verdade é que quando me deparei com a primeira página alternativa de O Globo, criada pelas crianças no dia delas, entendi que minha breve abstinência para o feriado nem ia começar, e dá-lhe de overdose. São sabidas as danadinhas. Enquanto o jornal de gente grande, em letras garrafais, gasta tempo e espaço pra bater em cachorro morto, a dos pequenos vai direto ao que interessa:

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Pouco melhor que nada

Estava eu aqui toda empolgada com meu projeto de mecenato online, crente que avisei a umas 3 mil pessoas que publiquei um romance, e acima de tudo feliz à beça com um marido que me conquistou, e que eu conquistei, na base do namoro na internet, quando apareceu este artigo (online) no New York Times pra estragar a festa, alertando sobre os perigos e falhas da comunicação na web.

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Sinais do céu

1. Ontem, vocês notaram, não escrevi. Mal dormi. Acordei antes do sol e mesmo antes do café, já estava no teclado do computador. Nem jornal eu li, só o horóscopo de Rosângela Alvarenga (sem ele, nem acordo), que afirmava benevolente: "Marte e Vênus lhe enviam vibrações muito favoráveis. Tudo tende a se resolver de modo positivo", ah, bom. Só de ler o horóscopo, claro, dificilmente se arranja assunto para post, e somado ao meu frenesi criativo, explico agora porque não escrevi: não havia espaço algum, em minhas conexões neuronais, pra divagar em lirismos de blog.

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Seja um MEMO você também

A gente cria. Escreve. Publica. Livros. Blogs. Comunidades. Mas no vamos ver, vamos viver de quê? A coisa, entre outras coisas, tem me encucado. Andei buscando uma solução. E a encontrei.

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Esgar

Tem alguma coisa errada nesse Oi Futuro, gente, e não consigo saber se é só aqui em casa.
Aparentemente, a mostra "Blooks - Tribos & Letras na Rede", que abre lá amanhã, pretende entender tudo de blogs, mas não entende nada de futuro: vai da internet para a galeria mas não vem da galeria para a internet, pelo menos, repito, aqui em casa.
Clico no site, passo por flashes esparsos e acabo numa tela vazia: esgar. Não é de hoje que eu tento acessar esse OiFuturo.org e sempre dou com a cara na porta, isso é, no link vazio, nenhum patrocínio cultural pra pleitear.

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Quem matou Taís?

Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou aqui escrevendo este post. Eu poderia, pelo menos, ter posto a frase entre aspas, porque fala sério: alguns dias antes de lê-la na coluna do Xexéo de hoje, eu já a tinha lido no blog do Michel Melamed, mas tudo bem. Por onde anda a citação original, não sei: tudo se copia, e na atual conjuntura das coisas o jornal, que é impresso só uma vez por dia, está sempre atrasado.

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Telhado de vidro

scan do artigo de Alexei Bueno, O Globo, 01/09/2007 - detalhe
"A maior ameaça que um artista enfrenta é a obscuridade, não a pirataria” , diz o editor Tim O’Reilly, citado em artigo do escritor canadense Jon Evans no Blog de livros do Guardian, tema do post de ontem no Todoprosa, e que gerou uma discussão, se não interessante, pelo menos verdadeira, (des)qualificada online com a habitual contundência por um leitor do Sérgio: "A maior ameaça é a mediocridade. Estando definido este ponto, observo que esse tal Jon Evans está meio desesperado, disposto a tudo para divulgar seu trabalho. Isso é degradante."

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Ainda dá tempo

Blog Day 2007
Acabei de saber: hoje é Blogday

"31 de Agosto é o Dia do Blog, ou BlogDay, data escolhida pela semelhança entre 3108 e a palavra blog. Como o Natal, não passa de uma data comercial que certamente surgiu de um linkbait como qualquer outro.

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Um blog que (quase) ninguém lê

"Let's not, and say we did", repete o Alan. Tem sido este, ultimamente, o mantra preferido dele, que enjoou de vez de sair de casa. E segundo ele mesmo conta, o do pai dele antes dele, e antes disso o do avô, e por aí vai. Ou diz que foi. Algo que, com meu parco talento de tradutora, não consigo importar pro português de jeito nenhum.

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Um efeito nefasto

A gente xinga a máquina, maldiz, mas às vezes a surpresa é boa, vejam só: acabei de encontrar o rascunho do post perdido de ontem, arquivado no blog errado. Vale a pena conferir, apesar do assunto repetido... o texto tem sua graça, e é melhor que o que se seguiu:

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Uma questão de rótulo

O post já ia longe quando de repente, não mais que de repente, o incontrolável painel deslizante embaixo do teclado — em outras palavras, o sensível demais pro meu gosto 'touch-pad', que no notebook substitui o mouse — me enfiou na cara a ampulheta metida, com seu barulhinho típico de hard disk enrolado (coisas de memória limitada), ai, gente, de novo? Pra variar, o backup falhou... e tudo se apagou num segundo, fala sério: quase desisti. Afinal de contas estou aqui de roupão, com gripe, indisposta e infeliz. Quem é que consegue trabalhar assim?

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Autopromoção


Quando eu era garota escova progressiva não existia, claro, mas a questão dos cabelos lisos, sim. A gente praticava um tipo diferente de tortura, a assim chamada "touca": enrolava os cabelos ainda molhados em volta da cabeça, prendia com pinças e pressionava com uma meia de náilon (ahn?), deixava metade do dia, depois virava de lado e deixava o resto do tempo. O resultado era satisfatório mas demorado à beça, e sempre ficava uma ou outra marca de pinça. Mesmo assim, ninguém saía de casa sem ela, e lavar cabelo era complicado, um ritual complexo e freqüentemente adiado. Ainda tinha o problema do clima: se estava muito úmido o cabelo escorria; se muito seco o cabelo encolhia. Eu era insegura pra caramba, e não me aceitava de jeito nenhum.

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Queimando os neurônios

É, gente. Espero que vocês gostem dos improvements sutis que andei fazendo aqui no blog. Faço com gosto. É tudo pra vocês se sentirem melhor aqui na casa.
E quando eu disse que faço, é porque faço mesmo, isto é, eu mesma faço, não tem nada de webdesigner de oito mil reais por aqui não. Pesquiso, roubo um script daqui e dali (o blog da Carla é um dos meus preferidos) e boto mesmo fogo nos neurônios, bem, só pode fazer bem, pelo menos afasta o alzheimer, não?

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Leila Diniz é uma mulher feliz

Momix: Lunar Sea, ou... as aparências enganam. enganam mesmo.
Se eu fosse um dia ser descrita em artigo de jornal, poderia quem sabe passar por uma espécie de Moses Pedleton da crônica, alguém que juntou pedaços esparsos de informação sob alguma inesperada luz e transcendeu, transgrediu completamente o sentido da info original como os bichos estranhos no palco do Momix, em mágica metamorfose: nada é o que parece ser, o que parece claro, transparente e óbvio em página avulsa de jornal.
Se eu fosse hoje arriscar algum palpite profético, eu diria agora que os anos 60 estão chegando ao fim, sim, finalmente digeridos e quem sabe nunca, como disse o Domingos, totalmente compreendidos, isso porque.

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Vida de autor

Não sei se é por causa da idade, mas deve ser. A morte de Antonioni e Bergman fez muita gente chorar de nostalgia, refletir sobre a vida, sobre a arte, sobre estilo e até sobre o marketing milionário que hoje em dia controla tudo o que a gente lê, o que a gente vê e o que a gente vive. São páginas de revistas, páginas de jornal, entrevistas, artigos e crônicas. O curioso é que quem as escreve é sempre a geração de 1950, no máximo 1960, sobreviventes, como o Alan diz, da mind-blowing magic dos anos de nossa juventude. Quer ler mais sobre isso? No Hierosgamos tem, afinal de contas é a nossa geração também. Sei, sei. É típico. Alguns posts aí atrás, saudosista pra caramba, também dei minha choradinha.

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"Eu não sei nada de literatura" *

"Não se pode ter tudo", Cora Rónai foi na mosca. É disso tudo que é preciso entender para se entender, se perdoar, engolir o mico e se preservar. É. No turbilhão — clichê! — da informação que sufoca, desgosta, deleita, se descolar, decolar no espaço do admirar, parar, calar: um breve intervalo entre poema e prosa, entre ficção e vida. Entre a banda larga e a banda que passa, ah, gente, na janela: vendo ela passar quando ainda era música, não megabytes por segundo. Saudade, é.

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Harry Potter online

Miguel Conde comenta hoje no Globo que a versão orkutiana de Harry Potter, traduzida por uma força-tarefa adolescente, já está no ar em edição revisada. Só li o último capítulo, isso antes da tal revisão, e francamente: não fez vergonha nenhuma a traduções publicadas por muita editora grande, onde não faltam absurdos.

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E o mundo não se acabou

Beijei a boca de quem não devia... eu dei.
Assis Valente

IH. Vai ter barulho. Vai ter confusão. Porque a NoMínimo, a confiar numa notinha discreta de hoje na coluna infalível de Ancelmo Góis, não vai se acabar coisa nenhuma. O que é muito bom. Vai no máximo se "transformar em outra coisa", nas palavras "proféticas" de alguns dos colunistas de lá, sem querer revelar ainda que outra coisa é esta, mas dá pra ver que é algo assim ali pros lados da Piauí, que já anuncia no site e pelo visto é vizinha de porta, com banco por trás e tudo. Tem gente que vai mais longe: promete aos leitores continuar em outro domicílio, pra alívio dos viciados na janela de comentários.
Eu não escreveria sobre isso se não detectasse no fim anunciado o mesmo fim (palavra repetida, reclama o editor, isto, considerando que em breve eu possa ter um: sonhei com isso a noite passada. para as crônicas, gente, só para as crônicas, porque pro romance já descolei um...) de todas as profecias que antecipam o fim do mundo: fiasco. E neste caso, um fiasco coletivo, engolido e mastigado por todos que deram o seu adeus ao público, no caso de alguns dá pra entender: a mudança de mãos talvez exija a cabeça deles, e não, não sei de jeito nenhum do que estou falando nem tenho nenhuma informação privilegiada, só uma cabeça pensante mesmo. Desde Nostradamus que a humanidade sonha com o seu anunciado fim, e manipula o hábito da profecia para justificar mudanças. É justo. Justíssimo (de novo, ai meu Deus. tô precisando de um glossário novo, deve ser a ansiedade pre-FLIP, vocês pensam que é brincadeira?). Mas... não se iludam: um profeta que se preze sempre sabe de algo que não publica de jeito nenhum, e que de um jeito ou de outro explica (mas não justifica) a profecia.
A verdade é que todo dia este mundo está se acabando e nascendo de novo sob um formato mais contemporâneo. Todo dia o corpo nosso de cada dia morre um pouco, e com um pouco de sorte renasce em células novas, até o dia em que... deixa pra lá, como diz o Ancelmo, este último deve estar longe, a não ser que seja abruptamente precipitado pela violência carioca.
O que imagino é que enquanto a gente do lado de cá lamenta e chora a nossa separação, a equipe de NoMínimo já elabora as novas bodas. Enquanto a Rocco ainda se ocupa em me recusar com cartas-padrão a Giz Editorial já prepara o lançamento oficial do Hierosgamos, e enquanto minha psique ainda resvala em pesadelos de rejeitada uma outra parte do meu cérebro já comemora o dia da virada, porque a vida é assim mesmo, uma eterna transição: pura passagem, um organismo em constante transformação. A internet só veio tornar este processo mais ágil, mais transparente, o que torna as ilusões cada vez mais desbaratáveis, ui. Melhor, mais aceitável: descartáveis.
Tudo muda e ainda hoje o que deve mudar é a versão do nosso video online, porque francamente, depois que a gente assiste no ar encontra um monte de defeitos que ninguém mais vê, e viva a possibilidade da mudança, embora resulte na perda do glorioso contador de visitas: volta tudo à estaca zero e haja confiança no futuro.
De volta à NoMínimo, aguardamos para breve o convite pra visitar a casa nova, e com um conselho: melhor parar por aqui a lamentação porque senão, como justificar pra todo mundo, que no final das contas, a revista online não acabou*?


* NoMáximo, sim, mudou de nome, de cara e de endereço, andem rápido antes que a esqueçam

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Novo livro, vigor novo

Anunciaram e garantiram que a NoMínimo vai se acabar na próxima sexta-feira, no sopro agônico do mês de junho. Azar do IG, e um pouco azar nosso também, que vamos ficar sem o conteúdo nosso de cada dia. Arranjaremos outros. E os colunistas de lá, cada um por sua vez em melancólicas despedidas, certamente encontrarão outros rumos, alguns online, onde eventualmente nos cruzaremos. Carla Rodrigues, à frente de alguns pares, já vai delineando brilhantemente o seu futuro, pelo menos é o que se vislumbra ao ler o primeiro capitulo de seu novo livro, cuja leitura prazerosa escapa, logo às primeiras páginas, ao destino entediante que costuma ameaçar de morte as biografias: "Betinho - Sertanejo, mineiro, brasileiro", disponível online para download, dá-lhe Carlinha, que já tem até novo site. Só falta agora a disposição pra blogar de graça como todo mundo.

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Ao pé do ouvido

Tudo aconteceu tão rápido que nem deu pra controlar. Num dia eu estava pesquisando, meio desanimada, a possibilidade de imprimir uns volumezinhos chinfrins no Armazém Digital, ao preço absurdo de 50 reais cada, pra ter algo nas mãos pra mostrar na Flip. Não sei como a encontrei — deve ter sido, certamente, no google —, mas na cena seguinte eu estava falando ao telefone com a Simone da Giz, uma figura simpática, de fala honesta e franca, bem ao meu estilo. Fiz uma enquete rápida, falei com alguns autores publicados por ela — todos satisfeitos —, e tínhamos um acordo. Comecei a trabalhar nos detalhes finais. Naquele momento minha vida mudou, mas já falei sobre isso antes.
Depois apareceu o Henrique Chagas, gente, outra coisa que não lembro como foi, não sei se fui eu, se foi ele, um espiando o outro no orkut. Achei que ele estava ligado à Giz, e era interessante, porque do site cultural dele, o Verdes Trigos, eu já tinha ouvido falar. O cara tem reputação excelente, e já que ele estava rondando, atirei: quer publicar minhas crônicas? O Henrique topou, e o resto... é história. Resolvi convidá-lo pra escrever a orelha do livro, ele topou também, bem, depois se arrependeu um pouco, não é, Henrique? Afinal de contas o livro é assim, digamos, meio volumoso, bem mais que as 98 páginas regulamentares. O caso é que depois do susto o Henrique mergulhou no livro... e se deixou levar... leiam o texto dele e vocês vão ver.
Pra mim já estava de bom tamanho, a orelha pronta e linda — nenhum Pitanguy necessário —, quando a noite passada recebi este presente. Ó, gente, ó: melhor parar por aqui, senão a emoção vai transbordar pra vocês aí. Só me resta um recurso, é, aquele que vocês já conhecem: um trecho do Hierosgamos.


"Terça-feira, 2 de dezembro

Tudo aconteceu como ele planejou. Sonhei com ele a noite inteira, e o encontrei de manhã na tela pour me reveiller, com aquela gentileza adorável. Claro que te perdôo, querido, pois te amo profundamente. Importante é não ir pra cama com o coração pesado, nunca afogar a dor no sexo... Evoluímos como casal, e o amo ainda mais. A crise sombria dele me lembrou uma frase de Pina Bausch num de seus balés: "Você tem medo de quê? Dinossauros?" Reparou, Alan, que apesar de separados, temos dançado a mesma dança? A duração e a natureza de nossos casos de amor se assemelham: o primeiro mais longo, com parceiros de boa aparência e consciência limitada; o segundo, breve mas profundo, cortejando o tantra: mero ensaio para o encontro de almas gêmeas — os companheiros mentalmente fodidos — onde nos perdemos, dolorosamente equivocados... Chegou a hora, Alan, de dançar a nossa dança. Komm tanz mit mir, meu amor, sem demora!"

Não é 2 de dezembro nem nada, mas chegou a hora: de dançar esta dança. Estão todos convidados para a rave.

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Chororô

Há 20 anos atrás — cruzes. estou nostálgica hoje. —, quando resolvi fechar a Pólen... (é. os fortes também sucumbem. principalmente no Brasil, dos planos p, a, c...) liguei para alguns jornalistas — gente que sim, babou na Pólen por 7 longos anos, e fez ali seu sucesso editorial — caramba, não saio deste travessão hoje. Enfim. Quando resolvi fechar a Pólen, que apesar do sucesso todo não dava grana nenhuma, liguei para alguns jornaLISTAS. Ops, maiúsculas sem querer, ou porque estou meio bêbada:

— Alô. Patrícia? Escuta, Patrícia. A Pólen vai fechar. Quer fazer uma matéria?
— Uau, Noga. Lamento. Mesmo. Mas não acho que seja do interesse dos leitores.

Babau. A Pólen fechou, vítima do cruzado um, ou do cruzado dois, ou do Sarney, sei lá, sarna pra se coçar ou da minha própria tendência bipolar. A Pólen fechou e toda aquela legião de adoradores, dos puristas do Shopping da Gávea aos modernistas do Itanhangá Center — uau. quem é esta gente toda de quem nunca ouvi falar? — ficou órfã. Nem notícia foi, e me acreditem, a Pólen era famosa. Mesmo. Faz 20 anos.
Ontem mesmo, no estúdio do jovem candidato a cineasta que está fazendo o vídeo do Hierosgamos, lembrei a dita, uau, um domingo chuvoso desses se presta, com certeza, a um bocado de nostalgia (chove no Rio, gente, não sei se aí na sua casa também, mas chove no Rio e faz um frio danado, e isso aqui no Rio é coisa rara, raríssima):

— E aí, Tiago. Você sabia? — confesso nostálgica, como sói ser o artista num sábado chuvoso e triste. — Fui eu que criei, há mais de 20 anos, este painel de fotos com imãs. — O garoto olha pra mim incrédulo, e eu entendo. Os dois artistas ali, com menos de 20 anos de idade — e alguma dificuldade em lidar com aquela coroa com mania de sexo, e uma meia dúzia de frases e fotos eróticas — não podem, se recusam a acreditar que quem inventou aquele utilitário prosaico, pendurado na parede e destinado a colecionar fotos, recados... fui eu. Mas é verdade, gente. Inventei aquilo nos tempos da Pólen, e quando a Pólen ameaçou fechar, ninguém se tocou. Como hoje, esta ameaça sobre o No Mínimo. Dizer o quê? Ninguém liga, esta é a verdade: rei morto, rei posto, e em tempos de informação democratizada, muito mais ainda. Morreu, sumiu. A gente escolhe, rapidinho, um ídolo novo.
Foi o que aconteceu comigo, nos tempos da finada Pólen. Não teve jeito. Ninguém quis, ninguém bancou. Eu desisti. Duvido que alguém tenha realmente sofrido por encontrar na vitrine, menos de um mês depois, em vez dos ousadíssimos objetos de vanguarda, o simples figurino nouveau riche da Folic. Todos sobreviveram, e eu bem melhor que todos, porque nesta data, tendo sobrevivido à humilhação, à falta absoluta de objetivos, à dor da morte de sua suprema criação... me preparo para compartilhar em público algo muito maior, muito melhor, muito mais irresistível. A soberba do artista não morre nunca, é algo assim como um perfume raríssimo que resiste, subjuga. Custa, mas se perpetua. Ou vocês acreditavam que eu tinha nascido ontem?
Tatá. Se estivesse mesmo bêbada num domingo chuvoso, eu diria que este texto é produto exclusivo de uma mente... bêbada, mas estaria, claro, mentindo. Omitindo. Quem é bom já nasce feito, e quem delira, imagina poder um dia influenciar o mundo... não se iludam: é porque pode mesmo. O dia chega. E quanto aos companheiros do No Mínimo... se rolar, rolou. Se não rolar... prossigam. O mundo é feito de muito, mas muito mais que um mero patrocínio, e a vida, de maravilhosas e inesperadas surpresas.

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A crise dos 40

Faz dois dias que estou atravessando uma séria crise de falta de assunto. Não estou acostumada. Não sei se é ressaca, por conta do contrato do livro — bem que eu avisei: livro publicado acaba com o assunto "escritor não-publicado se autopublica em blog" —, ou se é pura expectativa: da capa, da Flip, do vídeo no YouTube. O caso é a crise, ou melhor, o caos, joga o ésse tonto de lá pra cá que não estou nem aí.
No primeiro dia até que eu me conformei. Fiquei quieta. Li o jornal todinho e não plagiei nada, mesmo porque ultimamente ando chegando na frente, gente. É. Ou vocês não viram que escrevi um dia antes sobre a epidemia de harakiri em Brasília? É. Definitivamente, tem algo mudando por aqui... ou se mudando definitivamente daqui. Ainda bem que não aluguei meu espaço no No Mínimo, como um dia pretendi: parece que a turma de competentes jornalistas off-midia está sendo despejada, deve ser porque no Clube do Bolinha deles só entra mesmo... jornalista — vocês sabem, aquela turma que tem a obrigação da seriedade, e seriedade hoje em dia não está com nada. Mas não, gente. Não comemorei nada. Fiquei foi triste, afinal de contas todo dia eu bato meu ponto lá. Deste jeito, como é que vou arrumar assunto? Vem daí talvez o caos da crise. Esta coisa de dinheiro é um caso sério. Querem meu conselho? Escrevam de graça e pronto: acabou-se o problema da falta de patrocínio. Pena que ainda não inventaram um jeito de se viver sem dinheiro... em breve. Em breve. Enquanto não rola, quem sabe nos dão alguma cesta básica, o bolsa-blog ou qualquer coisa assim. Tudo pelo bem da livre cultura no país.
Mas crise boa mesmo a gente enfrenta quando percebe que participou de tudo que está fazendo 40 anos neste junho, e pior, se lembra muito bem disso.
Sobre o Sgt. Peppers já escrevi aqui no blog. É a trilha sonora da minha juventude, vejam bem: eu disse juventude, e não infância, tsk tsk. Quanto ao Canecão, já existia quando cheguei ao Rio, o que não diz muita coisa porque já cheguei ao Rio adulta. Só fui lá duas vezes: num baile de carnaval com meu primeiro marido (!!??!!) — calma, gente. o cara era publicitário, tinha lá suas obrigações. eu só acompanhei — e no show da Laurie Anderson, este sim, valeu, já faz mais de 20? anos.
Outra coisa que está fazendo 40 anos é a Guerra dos Seis Dias. Dessa eu me lembro muito bem também: foi quando eu fiquei séria de repente. Andava naquela farra adolescente de Minas, com primeiro namorado, primeiro beijo de língua, e outras cositas mais que hoje em dia são tão corriqueiras que ninguém se lembra mais das primeiras. Rebentou a guerra e eu percebi que a vida era uma coisa séria que pode, de uma hora pra outra, se tornar coisa rara. Esta crença nunca mais me abandonou.
1967, enfim, foi um ano mágico: debutei. menstruei. namorei. beijei. dancei. E no dia 5 de junho — daqui a dois dias faz 40 anos —, como eu já disse, fiquei séria de repente. Mandei a superficialidade para a puta-que-pariu de vez, e tudo isso já faz 40 anos, um espanto, quase não dá pra acreditar. Não é pra menos que eu esteja em crise: mesmo que não seja a crise dos 40 e talvez não passe de dois dias, porque afinal de contas já estou de volta, e escrevendo de novo. Bom domingo.

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Cabeça-de-bagre

pode não ser uma rima...
Nem sempre o bagre gozou da reputação e do carinho que vem recebendo do governo nos últimos dias. Não. De acordo com o aurélio, cabeça-de-bagre, uma gíria antiga, quer dizer "indivíduo estúpido, idiota, imbecil". Faz o maior sentido. Se assim não fosse, não seria recomendável ao bagre deixar de lado esse apego todo ao velho Madeira, arranjar lugar mais adequado pra procriar? Adaptar-se ao progresso, à nova realidade?
Pois é, gente. De acordo com artigo publicado hoje no Globo, apesar de não ser idosa (adiantada em anos) estou mesmo velha, incapaz de me adaptar às muitas novidades, uma perfeita idiota. Cabeça-de-bagre, faz o maior sentido. Viajando pelo mundo com o projeto Amores Expressos, na falta de recursos mais generosos que me permitam estar lá por conta própria, chego a várias conclusões. A primeira é que talvez já não tenha tanto tesão em viajar. A segunda é que não só o mundo, mas as escolhas artísticas, estão tomando um rumo que não desejo, e nem xxxxxxxxx...mas é uma solução.xxconsigo seguir. A depressão me atinge em cheio ao ler o Cuenca:
"Não filmamos parques, templos ou a floração das cerejeiras. Não foi essa a Tóquio que escolhi como objeto. Minha Tóquio é subterrânea, noturna, urbanóide e dividida em guetos obscuros. Aqui, as escadas sempre descem." Nem o Prata me anima mais: sua única saída para história de amor no caótico oriente é um romance entre esfregões, e ele não está errado. Há uma conspiração contra o amor no mundo, e se não puderem se defender, os esfregões acabarão inevitavelmente substituídos por uns "rolinhos de limpeza" e os bagres todos, gente, exterminados.
O único lugar no mundo onde aparentemente sobrevive algum romantismo é na vizinha Argentina, onde um Galera de poucas e escolhidas palavras anda curtindo um tango, mas apelar pra Argentina, hum... não sei não. Melhor ficar por aqui e rezar pro amor ser uma característica latina imortal, afinal, ainda sobra Paris. Vamos ver o que o escritor premiado vai descobrir por lá, porque se for mais uma cena punk ou clubber, em vez de champanhe e beijo à margem do Sena, me mato. E por falar de amor em Paris, nunca experimentei mas já escrevi isso - é, gente - no mesmo romance só pra variar, afinal de contas só escrevi um e do jeito que as coisas vão, não haverá outro: vou ter que me virar com esse mesmo.
"- ah, isso sim, você pode fazer em público: me beijar apaixonadamente.
- morei em Paris... andei à beira do Sena, fazendo o que os amantes fazem: abraçar e beijar apaixonadamente em público... pra ser sincero, mais olhando que fazendo: não tive nenhum grande amor em Paris naquele verão, a não ser a cidade em si.
- nunca namorei em Paris, querido, quem sabe um dia... a gente se ame à beira do Sena."
É sábado. Faz sol. A temperatura está amena mas estou deprimida do mesmo jeito, depois de entender que estou velha, perdida, descrente do mundo. Antiquada. Não há Judith Malina que dê jeito na minha desesperança.

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Chove na China

Hoje está tudo mais lento, nem amanheceu direito. Já estava tudo mais lento mesmo antes que eu acordasse, fosse ao banheiro, e descobrisse que está chovendo e a temperatura caiu. Sonhei com Chico Buarque pertinho do meu nariz, eu cantando: "até pensei que fosses minha". "Você tem namorado?" "Antes de vir pra cá eu tinha", pegamos um táxi eu e aquelas amigas íntimas que eu nem conheço, atravessamos o túnel, pensei no marido que estava fora o dia inteiro e que eu esperava, sinceramente, que não se perdesse. Ufa, alívio, acordei e vi o Alan dormindo calmamente ali na cama: não preciso esperar mais nada, está chovendo e estou em casa nesta quarta de manhã. Não preciso sair pra nada e vou descansar o dia inteiro. Mesmo cansada já não sinto sono e decido me levantar. Na tela do lap o blog do Prata que não tive tempo de ler ontem, já vou recuperando. Ele é bom de crônica e ontem à noite ouvi uma palestra sobre crônica - encontrei ao vivo um ídolo da crônica, mas não foi Chico Buarque - no jornal leio anúncio de workshop de crônica na Estácio em Paraty a Flip homenageia a crônica, opa: escrever crônica está (re)virando (a) moda .
Leio a crônica no blog do Prata - tão lírico hoje que, de tola, até pensei que fosse minha - e penso aliviada que não estou na China, não tenho obrigação nenhuma e nem me sinto sozinha, mas a compulsão é a mesma. Sento no micro e escrevo até mesmo antes de tomar café, acalmada pela chuva lá fora. Chove na China, chove no Rio, e graças à rede, a chuva parece uma só. A dor também.
Esse menino Antonio Prata é muito bom: merece ficar milionário. Eu também.

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Re(tro)cesso cultural

Puxa, não dou mesmo sorte. Quando já consigo, pela primeira vez na vida, uma informação privilegiada sobre alguma coisa, não foi sobre o lançamento de ações na bolsa não. Nem sobre uma barbada no jóquei, nada que me deixasse, assim, milionária de uma hora pra outra. Não. Vou ao centro apanhar o registro do meu último livro na Biblioteca Nacional (a Rocco exige), e saio pra um café com uma amiga que trabalha lá:
- Tem algum outro livro pra registrar?
- Eu não, você acha que a gente escreve livro assim, com essa facilidade toda? Que nem comprar banana na feira?
- Não é por nada. É que vamos entrar em greve, por tempo indeterminado.
Ah. Tá certo. A parte do "por tempo indeterminado" foi uma ficcionada de leve, ela não tocou no assunto "tempo".
Agora vem cá. Bem que pensei que a informação fosse privilegiada, mas está hoje no jornal pra todo mundo ler. Greve anunciada com essa antecedência toda? E logo agora, na boca do PAN, todos os museus e exposições f-e-c-h-a-d-o-s? E olhem que li que o MinC acha até justas as reivindicações do pessoal da cultura, mas não pode atendê-las por medo do "efeito-cascata". Ou será... porque na verdade ninguém liga pra cultura neste país? Nossa, problemão. Sabe-se lá por quanto tempo todos os livros escritos por aqui terão que esperar pra dar entrada num registro, pra não falar da concessão de ISBN's e outras práticas do mundo editorial geralmente desconhecidas do público.
É, gente. Estamos em crise. E como se não bastasse, minhas referências culturais de blogueira se mandaram todas ao mesmo tempo. Paulo Pires desistiu. Carla já saiu de férias há 3 semanas, e agora o Sérgio Rodrigues. Cuenca está no Japão e Arnaldo Bloch quebrou o tornozelo de férias em Búzios. Galera só escreve sobre games, será que vou acabar por lá? Como é que esperam que eu trabalhe nessas condições? Como vencer a batalha da falta de assunto? Se até o Jabor - que só escreve uma vez por semana e ganha pra isso - anda com problemas, escrevendo artigo sobre o artigo do colega Demétrio Magnoli publicado poucos dias antes no mesmo jornal e citando à vontade... Esperam de mim o quê? Só me resta endossar o secretário do ministério: "não há possibilidades de os serviços culturais públicos adquirirem qualidade e importância se os servidores não forem valorizados".
Uai. Blog não é serviço público não? Só publicado? Tsk tsk. Só mesmo apelando pro New York Times, quem não souber inglês se prepare: tem um curso em cada esquina da cidade.

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Rock é liberdade


"Hoje eu sou como sou realmente", afirma o tremendão, lançando disco novo aos 65 anos. Escrevendo livro de crônicas, "casos dos quais participou", Erasmo se impõe: "Se alguém não gostar, paciência". Rock é liberdade. Maturidade também. Sou como sou, e se alguém não gostar, paciência, juntando as duas coisas é o que vale pra todo mundo.
Paulo Roberto Pires, meu preferido num mercado que ainda não me enxerga, pede licença pra arquivar seu blog musical Tocatudo, fechar a janela dos comentários, e passar a escrever sobre tudo uma vez por mês.

Blogar também é liberdade, e eu, neste domingo que ficou mais triste - ou pelo menos mais vazio -, peço licença pra não escrever sobre nada.

(a foto não é por nada. só porque achei bonita, me deu saudade e me deixou meio triste com as coisas que acabam)

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O mago himself

O ano (creio) era 1986. O cenário - em Botafogo - o Cochrane's, nosso bar cotidiano. A noite costumava ser longa e os personagens muitos, todos enigmáticos, entre eles um cara baixinho já de cabelos brancos e aparência exótica: Paulo Coelho. Tudo o que ele viria a ser um dia já estava contido ali, no seu jeito de "sei muito bem o que estou fazendo e não ligo nem um pouco pro que dizem". Esta última parte aí eu ficcionei, já que assim de memória o Paulo naquela época, apesar do physique du rôle original, era bem discreto no bar: esta é a verdade que não vende livro. Ah, se eu fosse visionária: teria aproveitado pra buscar uma parceria que realmente mudaria a vida, mas bah... eu estava ocupada com outra coisa, outras ilusões. É esta a diferença entre Paulo Coelho e eu, Paulo Coelho e nós: o que ele sempre quis aconteceu, e tenho certeza, excedeu até mesmo o que ele sempre quis, como mostra o longo artigo da New Yorker, segundo Sérgio Rodrigues "a bíblia dos intelectuais de nariz em pé", entendeu, papuda? Vai continuar metendo o pau? Discutir a qualidade literária de Paulo Coelho tem sido o esporte preferido de dez entre dez pretensiosos da cena cultural. O certo é que ele dá o recado, e ultimamente - com seu comportamento impecável - também o exemplo, um guerreiro do bem, walk your talk total e acima de tudo, surpreendentemente acessível, como a própria New Yorker afirma: "num site que concede amplo espaço para comentários e conversas, Coelho mantém um relacionamento incomum e afetuoso com seus leitores", e mantém mesmo. Tá precisando de colo? Vai , tem download do artigo também, gente. Pra acreditar, só lendo: o homem virou mesmo lenda e já não é lenda pessoal não, agora é global. O resto é sonho, se é que restou alguma coisa pra se sonhar.
Embora eu circule nos meios corretos, sofistique o texto, e me compare a Joyce, Shakespeare e Vila-Matas, o que eu sempre quis mesmo foi ser Paulo Coelho. Verdade. Basta clicar aqui pra confirmar. E não estou falando de vender milhões nem de castelos nos Pirineus, mas de tocar a alma do mundo - termo do próprio Paulo - escrevendo. Se eu chegar lá um dia, ainda assim vou continuar querendo ser como ele: simples, direta e acessível, postando comentário no blog dos outros com o próprio nome e endereço de blog. Aberta como uma fratura exposta - isso eu já sou -, mas sem a dor inerente, com um par de vírgulas a mais e revisão mais apurada.
Ah, gente. Não sou nenhum alquimista mas também sei de um segredo ou dois: se é imprescindível acreditar no sonho é também necessário exercitar, cotidianamente, a nossa própria voz, e é por isso que no final das contas não quero ser Coelho, nem James, nem Will, nem Enrique nenhum. Quero ser eu mesma e seja o que Deus quiser, verdadeira e pura de intenções. Shabat shalom pra vocês.

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Fidel Castro alive and kicking

A internet tem mesmo seus momentos intrigantes, agravados - ou tornados ainda mais misteriosos - pelo já extensamente discutido aqui uso de apelidos. Outro dia foi meu querido Paulo Roberto Pires que perdeu a calma - e quase a classe - com uma comentadora anônima pouco gentil e bastante equivocada. A gente nunca sabe quem, por trás de criativos nicks - muitas vezes bastante realistas - está emitindo opinião. Hoje, por exemplo, apareceu na discussão do affaire RC no Todoprosa a grande Lucia Riff. Gente, será a própria? Participando do nosso blog de cada dia como se fosse qualquer uma? Por isso é preciso, por trás de nick ou não, em cada post ou coment, dar o maior capricho no que se diz. Nunca se sabe quem está nos lendo.
Ontem, outro exemplo, publicou artigo no Brazzil Magazine (assim mesmo, com um zê gago)... Fidel Castro (o próprio, gente! e eu que pensava que ele já estava morto!) e pasmem, em perfeito inglês, não é que ele domina a língua do arqui-inimigo? Tá certo o comandante, é isso mesmo. O que me irritou foi ele tentar se meter, e logo em território nosso (embora com um zê irritante), a criticar nosso sucesso etílico; o velho deve estar puto por não se tratar da cana dele, ops, desculpem a falta de respeito, companheiros da velha esquerda: foi mal. O mais engraçado, porém, foi o Alan - contribuinte assíduo e freqüentemente lúcido da revista - se precipitando na madrugada e chamando o caudilho-mór às falas. De manhã ele vem de mansinho:

- Sabe quem escreveu ontem no Brazzil Magazine? Fidel Castro.
- O quê? Alan, e você acreditou nisso?
- Foi ele mesmo! Pode ir lá ver!
- E você já foi logo criticando ele? Discutindo ao vivo as idéias dele?
- Yes! Disse a ele que se queria o bem de Cuba, o melhor a fazer era renunciar de uma vez.

Haha. Fui conferir e era mesmo verdade, lá estava o velho comandante assinando o artigo sobre o etanol brasileiro. Rolando a tela pra baixo que não nasci ontem, elucidei o mistério: "Fidel Castro Ruz is the president of Cuba. This article appeared originally in the daily Granma", ah, bom. No entanto, nunca se sabe... um gesto gratuito e já pensou? Se meu tardio casamento feliz acaba em paredón?
Vale a pena, gente, pra se divertir numa sexta à tarde, conferir a seriedade dos comentários en su discusión abierta con Fidel.

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The infoglobo effect

De vez em quando eles aparecem por aqui - pra dizer a verdade, praticamente todo dia - discretos e calados como meus milhares de admiradores anônimos. Tudo bem: centenas. Tudo bem: dezenas, meia dúzia. Mas ó: se quiserem passar despercebidos, melhor optar por servidor fantasma, é. Contador da web agora, meus amigos, além de contar... rastreia, e por isso eu percebo nos meus stats os infoglobos. Eles é que, aparentemente, não me percebem. Ou pensam que não sirvo pra primeira página.
Alan diz que é porque eu sou, assim, meio uma Rosie O'Donnell do terceiro mundo e não, gente, não é por causa do cabelo liso dela não, mas devido à língua ferina mesmo. A comparação é injusta. Ela já passou brilhando pela mídia oficial, embora é claro, tão desbocada não poderia se sustentar por lá: dançou. Se eu fosse me comparar a ela, ainda estaria naquele estágio da irmã "estranha" de Andie McDowell, com os cabelos ainda crespos mas nem de longe tão popular. Ou sofrendo da síndrome de Davi x Golias: O'Donnell x o Donald e Noga Sklar x o Globo. Tá bom, pelo menos eles podem me processar pelo uso indevido da imagem no post aí de baixo, ou pela citação insistente e inconveniente de alguns colunistas. Mas de Davi, reconheço, não tenho mesmo nada além de uma breve ascendência: ele acabou com a cabeça coroada e eu não passo de uma coroa cabeçuda. C-A-B-E-Ç-U-D-A, viu? Que eu não sou a Rosie e ainda nem consegui meu primeiro emprego.

Agora, se vocês quiserem conferir in loco o efeito infoglobo de audiência: red.blogger.stats.
Ainda está em tempo, gente. Vocês podem votar online em mim, provar pros infoglobos que apesar de metida, eu sou interessante.

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Breve destino suicida...

rato morto e já apodrecendo no Alto Leblon em 23 abr 07

...de comentadores ocultos de blog who don't have a life: Edda(s), Rhonda(s), Claudi(a)(s).

Requiescat in pace.

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Plágio

Causa espanto a surpresa de alguns e afirmações do tipo "já se discutiu demais a sua literatura neste blog". Uai. Este é um blog de literatura, e se existe algo aqui a ser discutido é isso: a minha literatura. Pelo menos é o que faço neste espaço comigo mesma: discuto literatura, a minha, e quando dá, a de outros, comigo, e quando dá, com outros. Não está em discussão a minha vida, o meu endereço, o meu nome estado civil ou meu orgasmo, mas sim estas coisas em relação à literatura que produzo, quando esta, em nome da reflexão e da arte, cita aqueles. Entenderam?
Há honestidade aqui do autor ao tag. Eu poderia me chamar "Clarice", ou "Martha", ou indo um pouco além, "Jorge Reis Leão". Poderia atribuir ao conteúdo um tag fictício qualquer, que me posicionasse melhor no ranking, como por exemplo, "sportporn". Poderia até mesmo, como me sugeriu outro dia ao tel uma amiga - comentarista calejada de blogs - discutir comigo mesma através de múltiplos nicks. É. Tem gente que faz mesmo isso, ela afirma.
Embora assim pareça, o subject matter deste post não é comentário de blog. Pra quem quiser o assunto, está muito bem abordado no Info&etc de hoje, sob a chancela editorial indiscutivelmente válida de Cora Rónai. Dizem que o tema anda tão quente que até gerou site wiki para o "debate". By the way, embora apoiemos a liber(ali)dade total na internet, em nosso comportamento pessoal adotamos na íntegra o código de conduta defendido pelo caderno (ih. a coisa anda tão feia que até já deu plural majestático, sim, eu e minhas cópias). Troll aqui é condenado ao ostracismo e pronto. Quanto aos anônimos & cia, amigos ou não, nicknamed ou não, o que vale é o conteúdo. E que os ofensores se enforquem em sua própria corda.
Pois o tema deste post de hoje, pasmem, é literatura. A minha e a do meu novo ídolo - pelo menos para esta semana -, que substituiu no personal Olimpo das Letras o falecido Kurt Vonnegut: Enrique Vila-Matas. O curioso é que ouvi falar do cara pela primeira vez numa palestra, exatamente quando morria, do outro lado do mundo, o meu guru literário da adolescência, descanse em paz no céu da ironia. Pois li do Vila-Matas o Mal de Montano, li não: engoli. O cara é muito bom. Fala de tudo que a gente já ouviu falar um dia com a desenvoltura de quem fala do amigo ali na esquina. Cita escritores a torto e a direito sem que a erudição (ou a falta dela) de quem o lê provoque obstáculos. E trata de um assunto palpitante, no qual eu me confesso absolutamente virgem, ao menos em papel: os diários íntimos de escritores. Ora. Se não é o que eu, eletronicamente, faço. Misturando a esmo cotidianas ninharias, reflexões de estilo (blargh), filosofices de leve e a sempre polêmica, auto-referente, problemática e potencialmente depressiva dúvida sobre a existência e pujança de algum talento literário. Gente. Tudo isso é a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e... normal. Fiquei tão preocupada, ao me ver desavergonhadamente retratada no Vila-Matas, que mal pude dormir, com a certeza de que o editor que o recomendou já veria claro: o que escrevo é plágio. Mesmo que seja um plágio assim do tipo espiritismo de mesa, pois ao mesmo tempo que ouvia falar do Mal de Montano pela primeira vez eu já confiava ao (não) citado editor um manuscrito - como são os "manuscritos" modernos, claro, digitados e impressos numa máquina de tudo: máquina de ler, de escrever, de debater, de sonhar, de desistir. E isto poucos dias antes de descobrir que aos 21 anos, a mui apreciada Clarice Lispector escreveu carta ao então Presidente da República reclamando um processo de nacionalidade, gente, nos mesmíssimos termos em que lavrei o meu.
Fala sério. Se eu não der pra escritora, e não resultar jamais num ranking de prateleira, pelo menos agora sei que dou pra medium: tá na hora de abrir uma tendinha.
E o que aprendi com Vila-Matas que me impressionou tanto? Além, é claro, da indiscutível QUALIDADE LITERÁRIA? Aprendi, gente, que ao escrever não se deve ligar pra nada. Nem pra ninguém. Nem pra futuro nem pra editor e muito menos pra dinheiro. Nem pras firulas estéticas que não me preocupam mas que prezo tanto, caloura que sou por mais burra velha. Quanto mais delirante, diletante, desmoralizante ou dúbio, melhor. Ou como escrevi noutro dia e não tinha aproveitado em texto ainda: tradutora ou interpretante de uma vida real, levemente enficcionada para efeitos dramáticos.
Leiam Vila-Matas que é melhor.

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Fast literature

Martha Medeiros, em sua coluna de domingo, quer "testar sua capacidade de ficar extasiada sem estímulo prévio, descobrir se ainda consegue destacar o raro sem que ninguém o anuncie." Eu poderia dizer que ela não está só e estaria muito, muito errada. Raros são os que ainda procuram isso: extasiar-se com algo único e a partir daí, gerar o estímulo. Contagiar o outro. Era isto que, no meu tempo, a gente entendia como "cult".
"Não estamos preparados para a beleza pura", ela afirma. Não mesmo? Racionalmente pode ser que não, mas geneticamente sim, qualidade é algo que a gente sente. Depois leva tempo pra tirar de cima o monte de entulho midiático que exige nossa atenção... imediata. Duro para quem o produz é manter vivo este embrião do novo, e pelo tempo invernal necessário para vê-lo brotar. Nos consolamos às vezes com mera erva-daninha, um sinalzinho qualquer de verde irrompendo da terra fértil onde largamos, como se fosse nada, todo santo dia um pacotinho novo de semente - comprado em qualquer esquina da mente - sem nenhum certificado oficialmente reconhecido de autenticidade.
Se digo que não estou mais só vou muito além do simples caso de amor bem-sucedido, sim, um adubo dos bons. Não estou mais só quando encontro meu tom fazendo coro com uns poucos escritores que admiro. Não estou mais só quando tenho a certeza íntima de ter encontrado alguém que sim, certamente irá me entender sob a poeira alergizante do estado de coisas. Não estou mais só, meus caros, e nisto vos agradeço, quando meu contador oculto de visitas - não este aí do lado, que só mostra um canto da vitrine - bate a marca dos 600/dia: tenho quem me ouça e já não preciso gritar, mas é por puro inconformismo nato que eu sim. Continuo falando bem alto porque minha voz é assim, estridente: raramente doce. A dor que é do falar não se acalma com o benzodiazepínico de uma incipiente notoriedade. Exige bem mais: uma overdose de prateleira pra enfrentar uma tendência literária suicida. Ops. De mídia.
O fato é que a possibilidade de escrever em blog criou sem querer este gênero novo de cultura: a fast-literature, mais próximo da fast-fashion - segundo a Business Week, traduzida em blog de moda: "A abordagem fast-fashion também ajuda a reduzir sua exposição aos riscos ...produz lotes de roupas em quantidades tão pequenas que se por acaso é produzido um que ninguém compre ...ela pode cortar suas perdas mais rápidamente e mover-se para outra tendência" - que da fast-food, um engodo indigesto e insípido que já cansou todo mundo.
Pensando bem, não. Em literatura, não se trata de seguir ou formar tendência, mas de encontrar voz própria, uma voz que se auto-educa no desempenhar-se de uma expressão diária, onde o assunto às vezes muda não pra seguir o fluxo, mas por sua própria natureza intrínseca de onda: fluente. Em nosso mundo inundado de mídia imediata, cada fast-tudo tem a velocidade de consumo que o engole. Duro é se manter na superfície. Sem ser, é claro, intrinsecamente superficial.

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Minha alma (não) é um tênis

Meu primo Alberto sempre foi Bito. Meu irmão, às vezes, Tum, mas eu? Nunca tive apelido, nem nome iniciático, nem nada. Não gosto. Meu nome de batismo me define muito bem. Taí uma coisa em que mamãe caprichou. Em português, hebraico ou inglês, sempre o mesmo som: Noga. E expressa a minha personalidade brilhante: é o nome israelense de Vênus, ah, bom, soletra aí. Já soa como apelido. Por um breve período fui Nogarete, na língua de um querido amigo meu, que já morreu. Apesar de ser baixinha, nunca dei pra Noguinha ou outro inha do gênero: é energia demais pra isso.
Agora. Pra expressar um nick na internet fica fácil:
Tesoura. Linguona. Balofa. Safada. Noves-fora-nada.

Sacou? Não faço a alma de gato e sapato. Melhor assinar em baixo.

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SÉRGIO BESSERMAN PARA PREFEITO

Tem gente pensando que com a farra virtual dos comentários de blogs aprendemos a debater, a nos expressar com liberdade e, extrapolando bastante, influir nos rumos da sociedade. Me incluo nessa. Ops. Sou assim, e quem mais é? Pelo que se vê, ninguém. Quando apareço num quadradinho desses, digo o que penso, dou nome e endereço. Sou assim, e quem mais é? Pelo que se vê: ninguém.
Porque pelo visto, as intenções de quem ali se expõe são, via de regra, bem menos nobres: um tipo light (e grátis) de Second Life. Ops. Second. Third. Tudo com segundas, terceiras e quartas intenções por trás: aparecer. aparecer. aparecer. Ah, sim. Tem quem dê vazão à personalidade múltipla, só pra se divertir. Ou fazer da participação online um bom laboratório de aceitação social. Três Faces de Eva, um filme clássico sobre a "doença" da múltipla personalidade, virou normal: atire a primeira pedra quem tiver só três. Eu não. Só digo algo quando tenho algo a dizer.
Tem gente que se espanta com o que eu digo, mas tem tudo uma intenção por trás: ser sincera. Compartilhar, num mundo de aparências, os verdadeiros conflitos, fracassos e sucessos de uma mulher... normal. Bem. Eu pensava que era isso, mas acabo de descobrir que não, não tenho nada de normal. Tenho uma persona só, e em comentários, blogs e livros, mudo de assunto mas não de atitude. O meu critério? Digo o que sinto, o que me dá vontade de dizer: sou transparente. Só assim não me confundo nunca, vivendo o múltiplo cotidiano como um gigantesco grupo de terapia: vou resolvendo de graça os meus perrengues. Tenho uma personalidade só, e medo nenhum de me expor, porque no fundo, no fundo, gente é tudo igual. Claro que não recomendo a ninguém esse tipo de comportamento: sai daí que a idéia é minha. A verdade é uma coisa perigosa, não tente praticá-la em casa, nem no trabalho, nem em lugar nenhum. No meu caso, pode parecer que não, mas me protejo o tempo todo: digo sempre o que penso e ninguém me pega, porque o que penso evolui o tempo todo e não estou nem aí. Ah. Esqueci. A melhor proteção é não ter ninguém pra me ouvir.
Porque existe um porém: é claro, gente, que o anonimato em que vivo, com meus raros leitores aqui no blog, tem até hoje me protegido. Como é que seria se eu fosse famosa, meus livros em lista de best-seller, todo mundo querendo pegar um pedacinho de mim pra chamar de seu? Olhem. Por não ser ninguém, me preparo para a fama todo dia, e como não há, no meu caso, "por trás da fama", escrevo diariamente o meu roteiro para o caso de necessidade: "à frente da fama". Duvido que o Alex Lerner me pegue numa mentira.
Sim. Eu sempre digo que não vejo tevê, e é verdade. Desde que me casei com o Alan nunca mais vi novela, nem Jornal Nacional, raramente o GNT. Mas querem que eu exponha logo os podres? Sim. Leio as colunas de tevê no jornal, principalmente a Patricia Kogut: me informo sobre tudo, até sobre as técnicas que o tal Alex Lerner, celebridade da qual nunca ouvi falar, usa pra "desmontar a pose de um entrevistado que está mentindo".
Agora imaginem se eu fosse online com esta atitude: descobrir os gaiatos, por trás dos apelidos ridículos. Ah, gente. Deixa pra lá. Não tenho tempo pra intenções veladas. Eles que são brancos que se entendam, mesmo se brancos não forem, pois por trás das telas há brancos, pretos, amarelos, vermelhos. Ricos, pobres, remediados. Moradores da zona norte, oeste, leste e sul, todos igualados pela expressão escrita, não é demais? Bom. Ainda existe quem comece a aparecer por todo lado, nos lugares mais inusitados, com uma claríssima intenção oculta por trás. Eu, todo mundo sabe, quero ser publicada, e ser forçada a deixar pra trás essa minha mania de expor a intimidade. Porque claro, quando eu for celebridade, tudo que eu disser poderá se voltar contra mim: desde já quero os meus direitos, e um telefonema para o advogado. Mas que é divertido observar na imprensa os meandros das segundas intenções, isso é: quando alguém começa a aparecer demais... em se mostrar discreto demais... normal demais, passeando com o cachorro à noite e coisa e tal...
Uau, gente, acabei de descobrir uma mensagem subliminar dessas rolando, ó paí, ó:
SÉRGIO BESSERMAN PARA PREFEITO DO RIO.
Pedigree bom o cara tem, e já vou me adiantando. Embora ele more em Copa - bairro que aliás andava doido pra ser cenário de novela (é inveja, é inveja) - eu voto nele.

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Ai que meda

Gente! Acabei de ser visitada online por um servidor do Irã! Será porque nomeei a canalhice deles aí embaixo, deplorando a crise com os ingleses? Uai. Não é unanimidade na imprensa ocidental não? Tudo bem. O copo só derrama depois da gota d'água, e tem muita gente no mundo com sede de justiça. Não me perturbo nem um pingo. A boca é minha e não fecho.

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No Arnaldo Blog, versão 2 ou 3
(já perdi a conta)

Arnaldo, adorei a sua crônica de hoje no Globo. Marcou um gol a favor de um time que tem andado na terceira, quarta divisão: a crônica carioca, leve, bem-humorada e temperada de ironia (venho tentando sair do banco de reserva).
Quanto à alegada miopia da Ivete Sangalo, tenho a declarar o seguinte: outro dia, vi você atravessando a rua no Leblon, em frente ao Jobi, e quase te abordei. Pra falar de crônica, claro, não me entenda mal. Sou casada e muito bem casada, além do mais tenho idade pra ser sua... tia mais nova, e fui amiga de uma prima sua, que hoje mora em Israel. A verdade é que sua foto no Arnaldo Blog não te faz a menor justiça, e me surpreendi com o charme do seu rabinho de cavalo, sua altura e sua desenvoltura, elegante numa pólo preta. Por não te conhecer pessoalmente, até duvidei que fosse você, tenho um histórico bom em confundir famosos: já escrevi sobre isso aqui no blog. Mas a crônica de hoje desfez as minhas dúvidas. Da próxima vez, você não me escapa.

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Arre, Lula

Bem que tentei postar ontem já tarde, criticando os recentes abusos verbais do nosso presidente-funk, mas o "sistema" me sabotou. É, gente, um reflexo dos tempos. Pra quem é jovem demais (e pra isso até eu mesma sou), trata-se de um trocadilho infame com JK, o presidente-bossa-nova. Tipo da coisa que o Lula curte, quando deixa de lado seu complexo de Vargas. (ih, mais antigo ainda) Mas tudo passa, e Lula também há de passar. Com um mínimo de danos colaterais, espero. Enquanto isso, com ou sem heróis, o Brasil começa a crescer: tal é a confiança que deposito na renovação energética global, por todas as razões possíveis.
Andei deixando a atualidade de lado, preocupada com o heroísmo caseiro do meu próprio umbigo. Mas como cronista do cotidiano, não deixei de admirar meus pares.
Jabor declarou - tentando abrir a alma, e abriu - lúcido como há muito tempo não vinha: o catastrofismo beneficia o atraso.
Cora Rónai nomeou muito bem (mais tarde, com certeza, online) o que eu pensei, mas não disse: criticou o absurdo do Bolsa Crime.
Quanto às besteiras ideológicas pós-brechtianas de Lula, os leitores de O Globo deram muito bem conta do recado. Estou vingada. Posso cuidar da minha vida.
Me distraíndo dos eflúvios esotéricos da semana - eclipse do sol, ano-novo astrológico, Leviticus - analisei o presente em dvd: um mergulho no passado e outro no futuro. O Passado, se por um lado entristece, por outro explica a euforia do discurso livre, minimizando as firulas do atual governo: O Ano em que Meus Pais Sairam de Férias. Quanto ao Futuro... tsk tsk: Chidren of Men, behold! Pra que este mundo estéril e cinzento seja em breve o estado de coisas na Terra, ou pelo menos na poluída Inglaterra (logo eles, logo eles), a onda de abortos espontâneos tem que começar hoje... e como Jabor afirmou: o catastrofismo, etc, etc. Abaixo a cultura do medo.
Encerro o meu resumo com uma nota de negócios: Johan Reckman, da Folic, acaba de abrir sua quinquagésima loja - ops, desculpem o palavrão, não localizei aquele ázinho elevado no teclado. E o que isso tem a ver comigo? Explico. Há vinte anos atrás, vendi pro Johan o ponto da última Pólen, a do Shopping da Gávea. Como é que a Carla chamaria isso? Saudosismo ou nostalgia? Nem um nem outro, gente. Não nasci pro comércio, embora desconheça nesta vida atividade que dispense negociação, a arte incluída. Pra seguir o ritmo criativo da própria Carla, acabei na rede, onde rola livre a minha arte, pra quem quiser usufruir. Tomara que num futuro próximo inventem um jeito da gente sobreviver disso.

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Falsa ilusão

Uai, gente. Peguei esta num título de matéria, ainda bem que estava "entre aspas", ah, bom. Pensei que toda ilusão era falsa, e sob esse ponto de vista, uma falsa ilusão seria o quê? Uma verdade?

Se eu fosse enfocar a falsa ilusão da aparência, comemoraria o fato: depois de descoberta a verdadeira imagem de Cleópatra, o narigão está entrando na moda, na contramão da ditadura rinoplástica.

Mas se fosse abordar a insegurança do carioca, estranharia a força da convicção oficial contra as milícias. Uai, gente. Esse blablablá ajuda em quê? O que sei: a polícia é corrupta, ineficaz e pouco confiável. Já as milícias, por outro lado, garantem aos moradores das favelas a falsa ilusão da proteção contra o crime. A fax