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Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
"Há uma paz maravilhosa em não publicar. Publicar um livro é uma invasão terrível da minha privacidade. Eu gosto de escrever. Amo escrever. Mas escrevo para mim mesmo e para meu próprio prazer."
J. D. Salinger, citado em seu obituário n'O Globo





Que nojo

Alô, Ministério da Saúde! Anúncio aviltante no caderno Zona Sul do Globo de hoje exibe pacientes de "lipoescultura" portando seus sacos exibidos de gordura extraída. Nojo puro. Visita ao site da empresa faz acreditar que se trata de procedimento corriqueiro, seguro e cem por cento eficaz (até 10 litros de gordura!): "Remodele seu corpo em aproximadamente 1 hora, de forma definitiva, com a Lipoescultura de Beverly Hills." Sem pontos. Entra e sai andando. Tsk, tsk.

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Viver mata

Está no ar, no NY Times, uma moderna história de terror, sintoma arrepiante de como o exagero, o consumismo e o catastrofismo da mídia afetam nossas vidas e nosso julgamento. Trata-se do caso de uma "previvente" (argh) de câncer de mama, que decide extirpar ambos os seios antes mesmo que o câncer apareça.

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Dorianas

Antigamente seria classificado como filme de terror, não recomendado para menores de trinta, mulheres grávidas e pessoas sensíveis. Como o Retrato de Dorian Gray, lembram? Pois hoje virou regra: versão feminina do pesadelo de Oscar Wilde, o que é isso, companheiras?
Liguei na Oprah atraída pelo assunto - "grandes mulheres e seus segredos anti-envelhecimento - e pela reputação de Nora Ephron, diretora de comédias gostosamente românticas e há várias semanas best-seller na lista do NY Times com o livro "I feel bad about my neck". Eu não aprendo. De onde tirei a idéia de que ela seria da minha turma? Me enganei, gente, pra variar. O programa começa com as quatro candidatas (com exceção talvez da cinqüentona Geena Davis, caçulinha do grupo) a Miss Freaky sentadinhas no sofá, seus infalíveis escarpins de bico finíssimo, impecavelmente cobertas do joelho ao queixo, com suas testas lisas, bochechas infladas e expressão impassível... ou melhor, impossível expressar qualquer coisa através da máscara amendrontadora. Diahann Carroll - assim mesmo, com enes e erres - aos 71, Nora aos 65, e Oprah... bem, não dá pra dizer, de tão cirurgicamente transformada, empenhadas em abrir seus segredos de envelhecimento exemplar. Exemplar? Execrável, isso sim. Publicidade grátis do horrendo hábito de corta-e-enfia que nos assombra cada vez mais. Heroínas de uma beleza faz-de-conta, falsa como o inverno permanente no estúdio da Xuxa, essa também, ainda jovem e já esticadíssima, com suas bochechinhas infantis. Com certeza o excesso de pano é pra esconder bem escondidinho o espetáculo da inevitável decadência, traduzido em braços flácidos, cotovelos enrugados e pescoço de peru, como confessa, tentando a via do humor, a constrangida Nora Ephron. Eu disse constrangida? Que nada. É que com tanta plástica ela mal consegue mexer o rosto.
Trata-se da novíssima mulher-margarina, gente. Margarina, vocês sabem, o pesadelo da manteiga. Aquela coisa insossa, de consistência plástica, criada e altamente recomendada para a sua saúde pelo lobby químico da civilização, um pseudo-alimento que mal derrete e não envelhece... exatamente como essa geração plastificada que está aí. Querendo tomar conta, a qualquer custo, da nossa maturidade saudável. Dorianas. Você ainda vai ser uma.

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Beauty junkies

Estou de folga, gente, tirei o fim-de-semana... é por isso que hoje não estou escrevendo no blog, viu? Até parece. Com o clima amoroso que baixou aqui em casa nos últimos dias (é a barba! é a barba!) saí do quarto tarde e não estou afim de me indignar. (vocês precisam ver! a nova atitude pós-coito do Alan! deve mesmo ser a barba, e branca!) Mas às vezes não dá. Sentei aqui no meu sofá vermelho pra por online as revistas em dia... e só encontro absurdos. Tudo bem. Pego carona na indignação alheia, nem que seja pra não perder o costume.
Eu já tinha escrito aqui antes sobre a Toni, manifestando minha admiração por ela apesar da temática controvertida que ela aborda. Mas a mulher é mesmo foda. Leiam só o artigo sobre as adeptas de cirurgia plástica que ela escreveu no NY Times de amanhã. É. Me adiantei no tempo, confiram lá onde é que a gente vai parar se não der um stop na loucura. Aliás, adeptas de plástica não. "Beauty junkies", coitadas. Tem vício pra todo gosto... com certeza é falta de amor. O casal Shrek daqui de casa que o diga, com os cabelos brancos, as rugas, e as deliciosas barriguinhas.

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