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Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
"Há uma paz maravilhosa em não publicar. Publicar um livro é uma invasão terrível da minha privacidade. Eu gosto de escrever. Amo escrever. Mas escrevo para mim mesmo e para meu próprio prazer."
J. D. Salinger, citado em seu obituário n'O Globo





Efeito Obama

Ufa, enfim uma boa notícia. Com tudo pesando tanto contra, dá um certo alívio saber que, pelo menos em algum teórico nível, a presença calmante de Obama na cena política teve um efeito positivo, vejam: cientistas acabam de atrasar em um minuto a cronometragem para o juízo final. Salvou pelo menos o fim de semana, né, gente?
Atenção: são seis pra meia-noite no relógio da descriação.

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Mais perdidos que...

Sinceramente. Não sei o que vem acontecendo com os nossos especialistas ultimamente. Assistindo ao vivo ontem à noite à entrevista coletiva de Janet Napolitano, chefa toda-poderosa do "DHS" — pra quem não domina o excitante mercado americano de siglas: Departamento de Segurança Interna, ou "do Lar" —, se desculpando por "lapsos", "erros", "falhas" e não sei mais o quê, seja lá que absurdo for que acabou permitindo, naquele fatídico voo de Natal, um quase explosivo envio coletivo para o Reino de Cristo... ai, arrepio: foi o que cogitei.

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A certeza da incerteza

Se não der jabá, que dê pelo menos Jabuti.
(esperança de autor brasileiro cansa)


"Um futuro incerto nos deixa encalhados num presente infeliz, com nada a fazer a não ser esperar", escreve esta manhã no NY Times o psicólogo Daniel Gilbert em interessante artigo, onde analisa as razões reais para o atual pessimismo global.

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Obama* Superstar


*em húngaro: barack=pêssego, now you know, mmmm...

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O medo (i)moral de nossos dias

Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor desta vez.
Samuel Beckett


A gente percebe que está com sérios problemas quando passa uma semana inteirinha, e uma semana importante como essa (para a posteridade: a do G20), republicando palavras e imagens alheias. Mesmo que sejam sábias, poéticas, instigantes. Algumas até de vergonhosa memória mas mesmo assim memoráveis, como este nazista "Triunfo da vontade" aí embaixo, fazer o quê, me desculpo, mas foi o que me veio.

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O triunfo da boa vontade (argh)

Reuters

Acreditei no melhor de cada um. E descobri que é bastante acreditar para que um homem mau apresente o seu melhor, para que mesmo um homem bom eleve mais alto a sua luz.
W.B. Yeats

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As mãos que controlam o mundo

A inteligência substituiu a raiva no leme da Casa Branca.
Roger Cohen, no NY Times


foto: Todd Heisler/The New York Times

Obama em Londres: "As notícias de dissensão internacional são amplamente exageradas". A conferir.

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Come together

(ou... tudo dá certo no final e se não der... não deu)

"Imagine all the people/ Living life in peace: A brotherhood of man.
John Lennon


Madonna e seu filho David em visita a Yohane, pai biológico do menino / Reuters


"Estou absolutamente confiante de que este encontro refletirá enorme consenso sobre a necessidade de trabalhar em conjunto", disse Obama em Londres, preparando o terreno diplomático pra resistir aos tremores conflitantes de ideias, ou da falta delas, no próximo confronto mundial, uai, gente, será que eu queria dizer "reunião"? Certo, humanos, "pés logo abaixo dos joelhos". Tá tudo em família, o resto é pura convenção.

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O ovo e a serpente

Quem ama o feio bonito lhe parece, ou... a beleza está nos olhos de quem, etc., etc.
Provérbio popular, mais ou menos isso


Meu marido Alan, um sujeito muito inteligente que fala e pesquisa bem mais do que faz e acontece — o que para mim, vamos combinar, é mais do que conveniente: não faz sombra ao meu brilho incipiente e ainda contribui com uns temas a mais —, vive me dizendo que o que ele diz (ui!) já está publicado, prova de quê eu nem sei, por que é que eu haveria de querer que o que escrevo fosse publicado antes mesmo que eu mesma o publicasse?

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Vacas magérrimas

A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.
Titãs, de quê, na mais óbvia fome de citações


Não, não é o que vocês estão pensando, mas sim uma explicação convincente para o surto generalizado de obesidade bíblica que ao final das contas tomou conta dos Estados Unidos, uma forma de compensação obsessiva, desembocando com o perdão do trocadilho in fome nessa crise de excessos, de todos os tipos e acessos, que está aí pra todo mundo ver e que eu penso que, fatalmente, resultará não sei quando em maior elegância em todos os matizes, bem, essa é a parte chique e mais divertida da coisa, porque, vocês sabem, passar fome não é brincadeira.
E sei bem do que escrevo, claro, do fundo de um estômago vazio, e não, não é de regimes radicais que estou falando — embora, claro, nos tempos em que eu me acreditava gorda tenha passado por todos eles e suas correspondentes fomes extremas, extremamente voluntárias, nada que passasse nem perto de uma ameaça mortal de bulimia política nem resultasse no tão desejado adelgaçamento libertador — mas sim de uma fome maior, mais básica, a nível de nascimento: um reflexo ambiental da dieta comunal à base de pó de ovo que grassava naquele momento [no ano da graça de 1952], num socialista Estado de Israel recente sem tanta graça divina assim, mas, certamente, com muita fome de (sobre)viver.

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O poder da imprensa

Oscilando no fio da navalha entre o amor e o ódio à grande imprensa, reconheço nos óbvios resultados o valor da imprensada: nem bem duas semanas decorridas depois de ocorrida a (justa) reclamação de leitor no Globo Serra, et voilà: mato cortado, lixo coletado, e last, but not least, esta manhã os buracos sendo asfaltados, ô beleza. Estrada Carvalho Junior, vocês sabem, é meu novo futuro endereço, e por ele agradeço (quanto à iluminação local já não sei, não vou lá à noite).

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Nua e crua: por onde anda a verdade?

[A expressão] "melhores e mais brilhantes" costumava se referir aos mais capazes, não aos que ganham mais dinheiro.
Susan Jacoby, autora de The Age of American Unreason, relato best-seller sobre o antiintelectualismo contemporâneo


Outro dia um amigo meu, leitor aqui do blog, comentou que tem me achado muito tensa. Bem. É verdade. E, ao mesmo tempo, não é. Deixa ver se me explico.
Se eu fosse rotular o meu "tipo" genético de personalidade, a tensão permanente estaria no pódio elevado das descrições, é isso aí: sou uma pessoa tensa. Mas tensa, vamos combinar, por me arrebentar com vontade nas coisas, dedicar-me intensamente ao que me emociona, não fugir ao desencanto quando for o caso e não resguardar-me no canto quando a onda da empolgação (ou da indignação) me leva. Mergulho mesmo.

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Banana Republic

Curioso é que quando morei nos Estados Unidos com Alan, há quase cinco anos e com o dólar beirando os quatro, eu acreditava, mesmo, que era minha obrigação moral manter-me a par das notícias do distante Brasil, custasse o que custasse, e olhem que não era tão fácil como hoje, com tantos sites de notícias dando de graça, pra quem se interesse, a sopa de letrinhas do Zarur. Pois é. As coisas mudam.

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Da dor ao ardor

Pena de mim? Não precisava.
Dar a volta por cima que eu dei, quero ver quem dava.

Paulo Vanzolini, zoólogo e compositor, in "Volta por cima", que até Obama já citou

Daleth: o portal espiritual de Araras, clique e veja, no canto, à esquerda
Desde que li no blog do Nizan sobre as aventuras preparatórias dele na Clinton Global Iniciative, onde o ex-obeso publicitário baiano (ah, bom: entendi tudo*) descobriu, entre outras coisas, que os americanos reais não pensam senão na próxima recuperação, me animei de vez (*compartilhando: longa vida à lendária manemolência baiana, equivalente local da primeiromundista fleuma britânica; e à intrínseca psicologia positivista dos slogans do bem, também; e mais, emagrecer faz bem, seja na carne, no consumo, ou no mercado futuro: abaixo o exagero de quase tudo).

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