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Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
"Há uma paz maravilhosa em não publicar. Publicar um livro é uma invasão terrível da minha privacidade. Eu gosto de escrever. Amo escrever. Mas escrevo para mim mesmo e para meu próprio prazer."
J. D. Salinger, citado em seu obituário n'O Globo





A Morte de perto

Alguém de vocês aí já viu a Morte de perto?
Eu já. Cruzei com ela ontem à tarde, de volta de uma caminhada até o topo do mundo pertinho do céu no meu Vale, isto é, no Vale do Sossego, pedacinho de paraíso para onde me mudo, se Deus quiser, na próxima terça.
A Morte, de pele parda e cabelos pretos desgrenhados amarrados junto à nuca, estava de tênis branco. Vestia jeans, camiseta azul clara de gola baixa e mangas compridas. Me olhou simpática com um meio sorriso torto, divindo ao meio a cara medonha: "Boa tarde." "Boa...", respondi, da boca pra fora. Da boca pra dentro foi "...tarde, Dona Morte, mantenha distância e me inclua fora dessa".
Tô até agora tentando convencer a mim mesma de que se tratava apenas de uma pobre inocente lavradora local, meio feinha, coitada, indo pra roça com uma foice às costas, coisas de morar no mato, vocês me entendem.
Mas não consigo: terá sido um [mau] sinal? Hein?

Falar nisso, como resultado de minhas andanças no mato, acabo de detectar um carrapato grudado no meu pescoço engordando com meu sanguinho, ih, será que isso mata, gente?

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Política de incentivo


"Ainda perdendo seu tempo?", me provoca um ácido Alan, entre irônicos sorrisos maledicentes, se referindo, é claro, ao interminável segundo expediente de revisar um novo livro de crônicas — mais um, é isso mesmo, mal tendo publicado, com grande sucesso de crítica e nenhum de prateleira, o delirante O Gozo de Ulysses — já que o primeiro, ultimamente, tem sido dedicado à tardia mas nunca arredia prática de arquitetura.

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Dores de artista

Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante...
Fernando Pessoa, Poema em linha reta: uma bíblia



Minha casa está pronta e está à venda. Espero que venda logo. Espero que não venda nunca.
Explico. Já houve quem dissesse recentemente que faço de tudo um negócio, mas, gente, nada poderia estar mais longe da verdade. Planejei esta casa, nos mínimos detalhes — e quando eu digo mínimos, I mean it: desde a papeleira do banheiro à cor do rejunte da soleira da varanda, passando, é claro, pelas divisões racionais dos armários, pelo design das maçanetas e até por um requinte invisível como a maçaneta do banheiro, fosca do lado de fora e polida do lado de dentro, vocês sabem, para combinar com os demais metais, nosso pintor sorriu quando entendeu: ah, bom —, para morar nela. Casa de artista, de arquiteta, de escritora, you name it, vocês me entendem.

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Curtir a vida

Oi, gente

Tudo bem?
Tô sem tempo pra crônica hoje porque, vocês sabem, devido aos nobres motivos que descrevi ontem, fiquei até tarde na tevê vendo futebol americano com legendas (gulp!), custei a adormecer pensando no drive definitivo daquele quarterback estonteante, acordei tarde, tô atrasada.

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Dieta da obra

Quer emagrecer? Construa uma casa. A tensão do dinheiro escorrendo descontrolado pelo ralo, mais a preocupação de acertar em cheio, fazer com que tudo saia perfeito, ao melhor preço e no menor prazo possível, tira a fome de qualquer um. Somado ao exercício feroz de ir à obra todo dia, discutir, acordar cedo... eu garanto.
Não que este tipo de dieta seja livre de efeitos colaterais, não, gente. Confesso. Dá uma insônia danada, uma angústia, quase um colapso nervoso, bem, hum. E arrisca acabar em divórcio, vocês sabem: nada muito diferente de uma TPM constante, ou dos defeitos concomitantes de qualquer fórmula brilhante pra conter o apetite.
Mas tem final feliz: você magra, contente e morando bem. Tomara.

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Meu dia de Frans Krajcberg: fogo!

Fogo!
Não sei o que me acontece que desde que fechamos a casa — pra quem não sabe, motivo obrigatório de um segundo churrasco para os trabalhadores, que ainda não aconteceu, quem sabe é por isso —, quer dizer, colocamos vidros — e portas e dobradiças e trancas, não necessariamente nesta ordem —, que me apeguei dentro de mim ao sentimento histérico da insegurança proprietária, isto é: se eu antes mal dormia por medo de fazer besteira na obra e acabar fracassada e falida, agora — que, finalmente, na quarta-feira da semana passada, deixamos de chamar de "lote" pra passar a chamá-la de "casa" — já não durmo por medo de que os vidros explodam ou de que a casa desabe, levando com ela meus sonhos tardios de arquiteta. E põe "Serenus" nisso.

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Em busca da felicidade oculta

"E quando volto aos Estados Unidos mais ou menos a cada três meses e pego um jornal, descubro que não perdi tanto assim afinal. Enquanto estive relendo P.G. Wodehouse, ou 'Walden', a loucamente acelerada montanha-russa do ciclo 24 hs por dia de notícias propulsionou as pessoas pra cima e pra baixo e pra baixo e pra cima e depois as deixou praticamente no mesmo lugar em que haviam começado", escreve, no NY Times, Pico Yier*, um bem-sucedido jornalista de Park Avenue que largou tudo para viver num templo escondido no Japão, lendo e escrevendo quando lhe dá na telha com uma tangerina fresca na mão.

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Bodas de ardósia

carretas namorando na União Indústria: celfoto Noga Sklar

Não sou Susan Boyle nem nada, mas confesso, gente: estou "exausta e exaurida emocionalmente", como afirma "O Globo" se referindo a Susan, embora, acredito, não ao ponto de internação. Ainda. E nem tem tudo a ver com ter sido preterida durante a breve carreira de cronista, respectivamente, pelo Jabuti, o Portugal Telecom, o Prêmio São Paulo, o Man Booker International e o Nobel — não necessariamente nesta ordem, crescente, de valor e importância, aí incluído o convite para a Flip.

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Língua do pê (ou do pio*)

noticiário do dia
preciso escrever nada pra escrever sobre (protesto, proíbe, perverso): pobre mente de parcas palavras empacada em pisos, parapeitos e portas

*ou do Twitter, de tweet: gorjeio (as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá)

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É flor pura!

celfoto Noga Sklar, Correias, outono de 2009
(mato amarelo e a vista do meu banheiro futuro)

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Palavra de empreiteiro


(uma obra de primeira, uau! cansaço, mas tem valido a pena)

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E por falar em perdão...


...e, de quebra, no poder do jornalismo (marrom ou azul, isto é, na tela azul), acabo de receber DaObra o email publicado acima, como é justa a lei da imprensa do mesmo tamanho e peso do que logo aí embaixo condenava a empresa.
Concedo-lhes o benefício da dúvida enquanto espero, desculpas aceitas, a entrega da cuba na próxima quarta-feira. Ufa. Alívio.

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Cem dias em 72

Papa Bento e o cajado de Moisés:
foto Ali Jarekji para Reuters

"E, no septuagésimo terceiro dia, eu vou descansar, prometeu, ironizando os que acusam de ser messiânico", li no Blog de Lúcia Guimarães (faltou o "o", Lu, ou fica parecendo que Obama é quem acusa, tudo bem, é só blog), onde ela explica que um hilário B.O., em seu discurso de estréia na Associação de Correspondentes da Casa Branca que, por tradição, deve ser cômico, "prometeu completar os próximos 100 dias em 72", assim, duas vezes na mesma frase, promessa pouca é bobagem.
Eu poderia, é claro, ter visto ao vivo o discurso de Obama como sempre fiz, ter visto o pappanazi beixar o chão da Terra Santa (ui: "pappanazi" é pesado, vamos combinar, perdão, leitores, que é cristão perdoar, mas "beixar", tendo sido na verdade um lapso de teclado, resolvi deixar: poderia ter sido Joyce em Finnegans Wake e estaríamos combinados) e o Talibã tomar de assalto o Paquistão, ou seria, caso Deus existisse, o contrário desta quase-rima, de acordo com a Lei do Talião?
Pois é. Eu poderia também ter ficado quieta, começar meia hora mais cedo o expediente de arquiteta que é o que tem me ocupado tanto, mas tanto, quem nem deixa brecha pra noticiário, discurso ou breviário, ah, tudo bem, com a breve exceção dos curtos e despretensiosos passeios relaxados (meia hora antes de tentar adormecer) pelas páginas intrincadas de Finnegans Wake que Joyce levou, imaginem, 17 anos pra escrever, nada desses trocadilhos malpagos e meio apressados de Noga Bloga, pelo telufano a caminho da obra (de Joyce: tellafun, ui, que essa coisa pega, mas que é gostosa a mais não poder, é, eu, pelo menos, gosto, imaginem agora a espantosa interpretação futurista: telafone).

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O primeiro calote online a gente nunca esquece

É, gente. Custou. Mas aconteceu. Até hoje eu era virgem, vocês sabem: embora como internauta convicta (fazendo-se a ressalva de que minha fé não é absoluta em nada) eu compre cada vez mais online — tomando o cuidado, claro, de apenas frequentar lojas "seguras", ao menos manifestamente "estabelecidas e confiáveis" como Americanas, Submarino, Ponto Frio, Droga Raia, Zona Sul e que tais e já basta, que não estou aqui pra fazer apologia de quem não faz mais do que a obrigação de ser correto e honesto — em especial ultimamente, desde que optei por morar no "mato", nunca, acreditem, eu tinha caído vítima de um desses "esquemas espertos" de quem se aproveita do impulsivo desejo prático de um comprador de fim de semana conectado.

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A vingança da arquitetura

Pois é, gente, sei muito bem que os motivos mais comuns para blogaditos radicais assim como eu pedirem um tempo à sua abrangente e exigente audiência costumam ser bem mais charmosos que os meus, duvidam?, o Facebook taí mesmo pra provar o que eu digo, algo assim num nível bastante explícito de Oropa, França e Bahia, tudo bem, vocês me desculpem que os meus sejam tão prosaicos.

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Pobres pedreiros de Petrópolis

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem para o bem de quem não tem vintém.
Chico Buarque, arquiteto e poeta



Para quem quer saber como é que se constrói uma casa não tenho muitos conselhos, eu mesma, vejam bem, apesar do meu instinto apurado de arquiteta formada quanto à harmoniosa organização dos espaços, esquemas de cores e aberturas para o céu ou mato, panorâmico terraço alçado às alturas, negros mármores morenas madeiras cativantes ardósias encaloradas, com respectivas e exclusivas agruras, posso contar:

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A guerra dos cem dias


Com tanta coisa encaminhada e prestes a terminar — casa encantada, livro aprontado no prelo e, claro, como consequência meio que inevitável nesta estressante rotina criativa sob um automecenato apertado, o saldo minguando no banco — tenho testado em meus dias e noites minha enxaquecosa resistência à pressão externa e descubro: é bem mais limitada do que eu acreditava.

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São Shakespeare e outros santos

Alimenta a chama de tua luz com teu próprio alento.
do lírico inglês William Shakespeare, no português poético de Thereza Christina Rocque da Motta




Foi eu pensar na epígrafe [ausente] deste texto, "Jorge sentou praça/ Na cavalaria/ Eu estou feliz/ Porque eu também/ Sou da sua Companhia", pra perceber que, apesar de tantos anos sentada sob a sombra segura das belas palavras de, hum, Jorge Benjor — "para que meus inimigos tenham mãos, e não...", "olhos e não...", e "nem mesmo pensamentos eles possam ter, para..." — a espada protetora de São Jorge em minha vida já não faz mais nenhum sentido: estou em paz com o mundo, já não vivo entre inimigos. Alívio.

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Poema concreto

celfoto Noga Sklar: maldição de cumeeira*




cumeeira
betoneira
ramo de figueira:

com eira
e com beira

matreira

água fresca
na cantareira



*pra quem não sabe, ou, como eu, nunca fez casa: só um churrasco hospitaleiro, para mestre-de-obra e pedreiros, faz as vezes de benzedeira

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E por falar em sonho

acordei esta manhã com o sol brilhando, os passarinhos cantando, a mente bombando e basta de rimas babacas.
Pois é. Separei o dia de hoje — já tomei meu chá, já lavei a roupa, já li o NY Times e a falta esperada de notícias sobre a tal forjada Tea Party dos conservantistas, declarei meus impostos e tudo o mais que me foi imposto por estar inserida num pacto social insosso — pra ter um dia puro e simples de arquiteta sem prancheta, sim, artista, é o momento cruel e crucial dos detalhamentos de projeto, banheiro, cozinha e fortes argumentos entre esposa e marido à beira de irremediável enfrentamento, deve ser por isso que, ufa, sonhei.

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O medo (i)moral de nossos dias

Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor desta vez.
Samuel Beckett


A gente percebe que está com sérios problemas quando passa uma semana inteirinha, e uma semana importante como essa (para a posteridade: a do G20), republicando palavras e imagens alheias. Mesmo que sejam sábias, poéticas, instigantes. Algumas até de vergonhosa memória mas mesmo assim memoráveis, como este nazista "Triunfo da vontade" aí embaixo, fazer o quê, me desculpo, mas foi o que me veio.

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Porque não estou escrevendo hoje

celfoto NL Sklar: a vista do lado direito, 120/360 graus de curvatura da Terra

Caros, vou contar pra vocês pqneeh (porque..., etc.): de repente não sei o que me deu, um senso assim de uma coisa maior, overwhelming, com o perdão do inglês [fui ao dicionário e achei a tradução do termo fraquinha, fraquinha, não fazendo o menor jus], um algo assim indefinível grande demais que me secou temporariamente (espero...) o palavrório interno, sabem como é.

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Poupe a sua energia: use a nossa


Se do alto do título deste post te contempla uma estranha familiaridade de tema, você não está errado, me acredite. É isso mesmo, um comercial da Light de muito tempo atrás em que energia elétrica à vontade era quase novidade: batedeira, liquidificador, aspirador e o que você imaginar, tudo era inédito, luxo, raridade.
Agora. Se você planeja ainda que remotamente seguir por sua conta os nossos pioneiros, ousados primeiros passos em direção a viver no mato, e acredita que o que aprendemos pode te servir um dia, não hesite, poupe a sua energia: use a nossa. Acompanhe online o emocionante diário da minha, sua, nossa obra favorita e veja surgir do zero, materializado em cimento, tijolo e vidro, um maravilhoso (e não é exagero não, é só o que a gente deseja mesmo, e trabalha bastante pra isso) projeto de uma nova vida. Aproveite que é boa a dica.

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Nós no lote


(no dia da marcação da casa com T. Defaveri, co-arquiteto, foto de Tião Miranda, o nosso competente homebuilder)

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Crise de identidade


(Biblioteca privada, de "Um espaço no tempo", em Vimeo: vídeo gentilmente compartilhado pelo Digestivo)


Se de hoje em diante até mais ou menos lá pela segunda semana de inove-dois-mil-e-nove eu sumir daqui de vez em quando, vou logo contando porquê.

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O pregão da ilusão

"Isso não vai dar certo", eu dizia a mim mesma sem nem virar o pescoço, tensa na cadeira dura, as mãos crispadas enquanto prescrutava descrente, pelo rabo do olho, a sala que à minha revelia se enchia de gente inusitada — pra não dizer esquisita, mesmo: velhos, solitários, aleijados, os politicamente corretos que me desculpem mas Jeronimus Bosch se sentiria homenageado —, todos pessoalmente festejados pelo avaliador que eu já conhecia de há poucos dias, um sujeito dos mais insinuantes que se possa imaginar, olhos profundos e o tipo da barba branquinha, curtinha e bem aparada que, somada àquelas mãos rapidinhas, bem, hum.

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Casa Noga

"Ele encontrou quatro acres de terra, arborizados e isolados, o terreno declinando num pequeno vale. Idéias se precipitaram... A casa deveria ser imponente mas acolhedora: a casa de um escritor famoso mas também uma casa de família."
Arthur Conan Doyle em "Arthur & George", de Julian Barnes



Casa Farnsworth, de Mies van der Rohe, e Casa Kaufmann, de Richard Neutra (em cima, à esquerda): clique para ampliar

Eu ia contar pra vocês sobre minhas últimas aventuras como arquiteta renascida, mas ah, deixa pra lá. Lendo o jornal esta manhã, imaginem, até me lembrei de ousadias passadas, como, por exemplo, quando devorei, ops, decorei o primeiro apartamento de Evandro Mesquita na Gávea, duvido que ele se lembre, com grama sintética no piso, só o Evandro mesmo pra topar uma coisa dessas.

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Faça o que eu digo... etc etc

"Shift happens"
[O movimento acontece]
Mantra da Nova Era

"Shift happened. Changes will come."
[O movimento aconteceu. As mudanças virão.]
Oprah Winfrey, nov/2008



Engraçado que no outro dia mesmo escrevi aqui no blog que um Starbucks em Itaipava cairia muito bem, tornaria o paraíso ainda mais perfeito. Pois é. Li agorinha no Gente Boa, imaginem, que um Starbucks será inaugurado no Shopping Leblon em 3 de dezembro. É um começo, mas ops, ando muito bairrista, gente. E muito mal informada, claro, como sempre: já tem Starbucks em São Paulo faz tempo.

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