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Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
"Há uma paz maravilhosa em não publicar. Publicar um livro é uma invasão terrível da minha privacidade. Eu gosto de escrever. Amo escrever. Mas escrevo para mim mesmo e para meu próprio prazer."
J. D. Salinger, citado em seu obituário n'O Globo





Quarta-feira, 27

não vão logo se animando: a imagem instigante
é pura especulação de fotoshop, clique para o link original.


Pra vocês eu não sei, mas eu, venho há dias aguardando ansiosamente esta quarta-feira. E não só por estar esperando por algum tipo novo de milagre midiático, vocês sabem: depois de levar tanto na cabeça, nosso velho e já-não-tão-amado Obama — segundo sua ex-fã Maureen Dowd, em sua crônica de hoje, um sujeito dissimulado com coração de plástico e cérebro de rúcula que odeia bacon, panqueca e cerveja, mais ou menos isso, tem pior? — fará hoje seu primeiro discurso anual oficial como presidente dos Estados Unidos, o famoso "State of the Union" reduzido pela fome americana de acrônimos a um misterioso "SOTU" — francamente, ou estou ficando burra ou é fácil de entender que é quase impossível saber o que é isso sem alguma explicação prévia, até Joyce teria inveja — onde, espera-se, se recupere dos muitos passos em falso que deu ultimamente.

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Presente de grego

Não, gente, embora assim pareça não estou tão velha que já ando até repetindo meus títulos na linha "nada de novo sobre o céu", etc., etc.
O caso é que ontem, além de ter sido meu aniversário, foi também o primeiro aniversário do governo Obama, alguém aí se lembrou disso?

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Efeito Obama

Ufa, enfim uma boa notícia. Com tudo pesando tanto contra, dá um certo alívio saber que, pelo menos em algum teórico nível, a presença calmante de Obama na cena política teve um efeito positivo, vejam: cientistas acabam de atrasar em um minuto a cronometragem para o juízo final. Salvou pelo menos o fim de semana, né, gente?
Atenção: são seis pra meia-noite no relógio da descriação.

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Presente no Kindle*

Quando eu planejei ontem à noite escrever este post, muito cansada naquele momento para organizar palavras com um mínimo de harmonia, pensei num título bastante original como "volta por cima" ou algo assim e que descreveria, com aquele tom desdenhoso que por mais que eu evite acaba me sendo peculiar, a literal volta por cima da incrível Sarah Palin, depois de fragorosa derrota eleitoral e rejeição vergonhosa de seus pares, sabem como é, a mulher voltou com tudo, melhor, com um salário que compra tudo — é agora a mais nova "analista" ou "colaboradora" da Fox News, sei lá, nem eles sabem direito que cargo ela tem, mas, pelo sim pelo não, já foram garantindo a futura "estrela" da mídia — e em comum com Obama — além, é claro, do sonho de "mudar tudo isso que está aí" — está a base literária sustentando a carreira política, ufa, mais uma daquelas frases extraordinariamente longas para ler antes de respirar: no topo do mundo por obra de um único best-seller autobiográfico, será inveja? Mas de quê, gente? Se o livro dela foi escrito por uma ghost writer?

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Fim de caso

"Mas sua certeza interna cria um descompasso externo. É tão seguro de si que não vê o momento de ser presidente — um pai enérgico que protege seu lar dos invasores", escreve Maureen Dowd, ex-fã declarada, sobre o ex-ídolo Barack Obama, pois é.
Como todo caso de amor, o da imprensa americana com o Presidente Obama também acabou, o que pode ser, sem dúvida alguma, constatado hoje, na crônica de Dowd no NY Times. É triste.
Enquanto isso, eu por aqui me debato com aquela mínima chance de materializar a romântica fantasia, vocês me entendem, de um amor que seja eterno, não apenas dure. Mas confesso: está ficando cada vez mais difícil.

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A rua da amargura

Só um toque de algo que descobri ainda agorinha, reformatando meu livro "Luau Americano" para o Kindle: li no meu texto que Reinaldo Aze(ve)do acusa Obama, lá nos primórdios até mesmo antes das eleições americanas, de não ser nada mais do que teatral, um incompetente enrustido que, tudo bem, pode até ser que ele seja, eu mesma, vejam bem, já estou amargando o malefício da dúvida, mas no caso de Rey e outros pessimistas convictos, como Alan, por exemplo, bem, não é que eles tenham sempre razão, sejam mais inteligentes nem nada disso, gente.
O caso é que, como na grande maioria dos casos as coisas que a gente tanto espera terminam nunca dando muito certo mesmo, esses caras acabam em grande parte das vezes acertando nos palpites que, bem, não passam de palpites como todos os demais.
Não são inteligentes. São chatos. Não se empolgam, não curtem nada.
Pronto, falei. Bora de volta pra lida.

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Sem medo de ser feliz

Pra vocês pode até parecer uma chatice, mas que foi um instigante começo passar o ano novo na cama, bebendo uma misteriosamente boa champanhe nacional — ops, espumante — de pretensioso rótulo em francês que atende pelo nome "Club de Sommeliers" (só para referências futuras, aniversários e demais celebrações, e que descubro na internet: é produção exclusiva do Pão de Açucar), comendo as cerejas mais suculentas e mais baratas dos últimos anos, com uma ou outra chuva de prata ocasional — ops, redundância — explodindo num silvo agudo lá fora, ao alcance de nossa vista distraída sobre os travesseiros, ufa, e assistindo no Telecine Cult* a um canastríssimo Tom Cruise de perucas variadas mudando gradual e radicalmente, ao longo de sua dolorosa vida de veterano inválido do Vietnã, suas opiniões políticas, ah, isso foi, melhor mudar de frase agora, de frase e de parágrafo, claro, que esta já foi longe demais, não é mesmo? Ufa. Sem danos esta noite.

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Porque me ufano do ser humano

O curioso foi que enquanto a gente discutia na cama ontem de manhã sobre o quanto a nossa espécie havia evoluído nos últimos tempos — alívio, depois de tantas passagens vergonhosas como a destruição dos indígenas americanos, dos irlandeses, dos indianos e de tantos outros povos nativos pelos ingleses imperialistas; dos maias pelos espanhóis; dos negros pelos portugueses e por outros negros; dos armênios pelos turcos, dos judeus pelos nazistas e por aí afora, ô animal mais mal-humorado que a gente é, sô, pra dizer o mínimo — o neto dileto de Stalin, imaginem, tentava sem grande sucesso livrar a barra de seu amoroso avô e com isso faturar uns cobres, ops, rublos extras, ah, tudo bem: embora tenha "autorizado a execução de crianças maiores de doze anos como inimigos", o doce paizinho da pátria russa, por outro lado, "industrializou a nação e venceu a Segunda Guerra", os filhos de Putin que o defendam se puderem. Porque eu, sinceramente, vou preferir ficar fora dessa.

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E o sonho acabou mesmo

Who's sari now?
Maureen Dowd em trocadilho quase infame, sobre o episódio da penetra de sari no jantar da Casa Branca


Quando vi o sujeito baixinho chegando de motocicleta e adentrando a minha casa branca, com uma atitude convincente de operário competente, confesso: suspirei de alívio. Eu vinha sofrendo há três semanas de um ataque grave de burrice, descaso e descuido nos retoques finais da pintura, vocês me entendem, um idiota loquaz falando em meu ouvido o tempo inteiro e sujando tudo, me deixando louca, inativa, fora de mim.

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Aí tem coelho verde

Uma das coisas mais curiosas que me aconteceu ultimamente — estou aqui no computador do Alan, ao lado do lado dele na cama: ele nem bem acordou e já está discutindo comigo (com bastante raiva contaminando a poderosa voz de barítono) sobre política americana —, ainda agorinha, imaginem, tendo na mão uma xícara de café quente e à minha frente o meu HP irremediavelmente morto*, foi compreender num átimo iluminado que, embora Alan e eu tenhamos nos colocado em campos radicalmente opostos — no que diz respeito a democráticas preferências partidárias, claro —, na verdade queremos as mesmas coisas e temos medo das mesmíssimas e eternas coisas: miséria mundial, violência, terrorismo, guerras, doenças e, acima de tudo, um mundo inseguro para nós judeus, Clarice Lispector que o diga.

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Tchau, Câncer

Pois é. Manchetes internacionais confirmam neste 20 de novembro, dia da Consciência Negra (será mera coincidência?) que, para nosso profundo pesar, o Oprah Winfrey Show não estará mais no ar a partir de 2011, será que estarei viva até lá?

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Visões diversas de um inferno genético

De Barack Obama na China, onde encontrou seu meu-irmão, reproduzido de artigo no Globo online, e que confere com a atitude positiva que li em seu livro, citado no artigo:
"Em entrevista à CNN, Obama disse que não conhece seu meio-irmão muito bem, mas que não acha que Ndesandjo tenha traído detalhes familiares particulares em seu livro.

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O paraíso, onde é mesmo?

Era como se o meio-termo tivesse falido, completamente.
Barack Obama profético in "A origem dos meus sonhos"


Eu sei que deveria ter escrito ontem, afinal de contas era o primeiro aniversário da vitória de Obama, paradoxalmente comemorado pela oposição republicana com a aparente derrota dos democratas nas eleições locais para governador e alguns outros cargos, não sei bem quais, com tanta coisa me acontecendo não tive a paciência de ler direito. E como deu pra ver, entender e não ler, nem de escrever aqui no blog.

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Sonhar é bom e eu gosto

Eu nem ia falar sobre isso agora, mas confesso por baixo do pano que, motivada pela incisiva intromissão doméstica da mídia agressiva aqui em casa, larguei de lado o divertidíssimo "Caim" do Saramago — que me fez rir feito louca outra dia na banheira, que depressão que nada, vai escrever bem assim na... ah, melhor deixar pra lá — e comecei imediatamente, assim que o recebi pelo correio, a ler o livro de Obama — "A origem dos meus sonhos", aka "Dreams of my father" — que ganhei naquele prêmio do Globo, vocês se lembram (é, gente, surpresa: O Globo manda entregar meesmo os prêmios que a gente ganha, esteja a gente em que mato escondido estiver, muito bom isso).

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Bono salva o meu domingo...

...enquanto com seu artigo joga uma pá de cal no meu combalido e ideológico casamento, cala-te boca, quando eu já ia virando casaca, cedendo quase irresistivelmente ao pensamento pessimista de Alan, pior, influenciada por Maureen Dowd, minha ironista favorita, que na crônica de hoje parece também ter dado as costas a Barack Obama (ou será que o sofrimento amoroso me deixou tão burra, mas tão burra, que já não entendo coisa com coisa?).
"O negativismo de Rush Limbaugh, Anne Coulter e Glenn Beck fizeram mais para destruir a América do que Bin Laden e a Al Qaeda jamais sonharam", diz o comentário de um leitor, perdido entre outros tantos que, como Alan e seus muitos pares cujo número vem crescendo assustadoramente, condenam por manter-se inativo, dedicado somente às aparências, o outrora popular presidente Obama.
Onde andará a verdade? Hein? Meu coração por enquanto se limita a duvidar, pendendo ainda neste momento para o benefício de Obama, vocês sabem, sonhador que sonha de verdade não gosta nem um pouco de acordar caindo da cama.

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Ganhei sim, mas não gostei

Enquanto escritora eternamente carente e frustrada com a falta de fama, vivo em busca de um buraco decente onde possa ver publicadas as minhas crônicas. E às vezes até rola, como agora, por exemplo: levei o (ridículo, eu sei, para uma autora que se pretende séria, mas que O Globo insiste em apresentar como "leitora") prêmio de texto sobre o Nobel de Obama com a crônica "Pretensiosos Ridículos", ganhei o livro dele "A origem dos meus sonhos", mas cadê o meu texto publicado? Vocês acham mesmo que meu objetivo era ganhar o livro prometido? (agora vou ser obrigada a ler e criticar o polêmico autor, tão querido, do qual por medida de segurança afetiva achei melhor nunca me aproximar, fazer o quê, chegou finalmente a hora literária da verdade: Obama, gênio ou fraude?)
Assim magoei. Sinceramente. Por que será que O Globo nada quer comigo se reconhece publicamente (já nem é a primeira vez) o valor do que escrevo? Hein?
Aí, gente, escrevo tanto, e modéstia à parte, tão bem sobre Obama, que até resultou em livro: Luau Americano. Confiram no Scribd.

***

Ops. Só agora me toquei: será que é um de meus seis desejos sendo realizado?

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Pretensiosos ridículos

Tome cuidado com o que você deseja. Você pode acabar conseguindo.
pelo famoso quem? desculpem, mas não consegui apurar



Cá entre nós, esse Nobel da Paz teve sempre uma ligeira tendência a ser ridículo, com raras e preciosas exceções, mas em toda a minha vida não me lembro de tantos protestos contra um laureado como nesse curioso caso de Barack Obama.

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Só pra esclarecer*

Se você pensa que sumi do ar de repente — apenas um minuto depois de postar em primeiríssima mão meu franco e impensado entusiasmo —, por ter me envergonhado da controversa opinião pelo surpreendente Nobel de Obama, think again.
Bateu um vento que causou, entre tantos outros prejuízos, essas quase (desesperadoras) 20 horas de isolamento (depois das primeiras 15, dá um total de 35) taí, acabo de descobrir um lado fraco de morar no mato: a mínima capacidade de atendimento da Ampla, a nossa light.
Quando a energia voltou — depois de exaurir a um só tempo as baterias do notebook, do celular, e do meu casamento em crise —, salvei o pouco que restava da comida perdida dentro da geladeira e me atraquei com a tevê, logo em seguida, pra não perder de vez o ritmo da novidade, que inevitavelmente já estava perdido para a posteridade: fui das primeiras a saber do Nobel e quando cheguei para comentá-lo já era tarde. Os famintos gladiadores da oposição estavam instalados na boca do leão.
O que temos visto é que Barack Obama vem realmente provocando ânimos acirrados, por que será, hein? Por estar a caminho de cumprir a perigosa promessa de desarmar o mundo? Sei, sei. Acredito na carochinha também. Mas entendo perfeitamente que a comissão do Nobel pretendeu aprovar a incipiente campanha de paz nuclear que BO tem disseminado.
Palavras, dizem seus detratores furiosos. Não mais que palavras ao vento. Tudo bem. Mas como disse o autor delas certa vez, "As palavras também podem ser atos." E têm sido.
Com a ressalva, é claro, de que nem é ele que as escreve, você sabem, Obama não passa do intérprete medíocre de um discurso simplista que algum jovem sonhador, ingênuo e inexperiente, tem nos infligido, com o claro objetivo de nos destruir daqui pra frente.
Come on, people. Por que esses americanos se odeiam tanto?

* mas como não podia deixar de ser, também discordei do Nobel muitas vezes, como, por exemplo, com o Prêmio da Paz concedido a Arafat, um momento infeliz em Oslo, taí. o que não elimina o gostinho deste. curti e pronto.

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PEACE, BRO!

Duvido que eu possa reproduzir em texto a emoção que estou sentindo agora, é, gente. Enquanto eu estava de fora — foram quase 15 horas de vento sem luz, a bateria do notebook na lona e a tevê silenciosa e sem contato com o Facebook — meu mundo mudou.
Nossa, pensei que fosse spam, trote, quando li, que enquanto Alan discorria sobre um pesadelo apocalíptico em que não vivo, em que jamais vivi, com os EUA desconectando tudo á* nossa revelia e a tempestade solar apagando a memória dos HDs deste mundo...
OBAMA GANHOU O NOBEL DA PAZ.
Não preciso falar mais nada. Mais tarde eu volto.

*o "à" craseado é o que eu pretendia, claro, mas fui impedida por fraquezas da tecnologia (revisado 24 hs depois).

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Enquanto o divórcio não vem

Percebemos que o moderno movimento conservador, que lidera o moderno Partido Republicano, tem a maturidade emocional de um garoto birrento de 13 anos.
Paul Krugman, para o NY Times


Eu sei. Vocês não vão acreditar. Pra dizer a verdade, nem eu acredito, mas juro que é isso mesmo: meu divórcio iminente de Alan não se baseia em traição, ou em graves incompatibilidades de intenção, não, gente, nada disso. Compartilhamos, cada vez mais, nosso amor pela serra que escolhemos, os peixinhos dourados dando filhotes no lago de pedra em frente à sala, os pêssegos amadurecendo, a hera crescendo e a calma thoreauniana de nossa vida cotidiana, mas há um pedregulho no caminho: a ascensão política de Barack Obama.

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Toda unanimidade é burra

Hoje o Brasil conquistou sua cidadania internacional e quebrou o preconceito.
Presidente Lula sobre a vitória do Rio na disputa pelas Olimpiadas


Embora eu seja irônica por profissão e vício, na vida real tenho lá meus raros dias de pequenas alegrias, ops, quase escrevi "alergias". Como a vitória do Rio na disputa pelas Olimpíadas, por exemplo, o que poderia haver de ruim nisso? É o que pergunto sem meias palavras à bela intelectual atormentada, que expressa com franqueza sua hesitação em público, pelo menos pra seu público cativo no Facebook. Por que "parecer inteligente" hoje em dia é esperar que tudo seja sempre o pior possível?

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Seu mestre mandou

clique aqui para o bRog do Raul
Brasil! Mostra a sua cara!
Cazuza, citado imperceptivelmente pelo Presidente Lula

Ok. Tá todo mundo discutindo a conveniência ou não de Barack Obama amanhecer nesta sexta em Copenhague, atrás de Michelle, para a escolha da cidade-sede. Tem muita gente contra — como Alan e sua turma extremista, por exemplo — não só por que Obama tem muito mais o que fazer naquele emprego que ninguém quer ter, mas sim pela corrupção que grassa sem nenhuma graça na Casa Branca, vocês sabem, toda aquela corja mafiosa de Chicago e que ainda por cima é proprietária de todos os terrenos onde seriam erigidos os alojamentos e os estádios milionários, deu pra entender agora? Tem também gente a favor, já que, no final das contas, a olímpica discussão diplomática dinamarquesa acaba de chegar ao andar de cima, com a presença de Lula, do Rei de Espanha e do Marido Japonês da Viajante das Estrelas, por que somente o Crucificado Obama, coitado, ficaria de fora dessa festa armada pra pagar sem ver?
Mas o que ninguém sabe, a não ser, é claro, os brasileiros mais privilegiados, é que Obama vai lá porque Lula mandou que ele fosse, imaginem, quem haveria de resistir a uma ordem do simpático e autoritário presidente Lula?

No Globo Online, depois do longo e tenebroso inverno de nosso descontentamento literário

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Acreditar em quem?

Taí. Nesse caso de Zelaya, o ex-presidente hondurenho retornado, vamos combinar que eu acredito no golpista, mesmo porque muita gente boa está convencida de que o "golpe" em Honduras foi na verdade a favor do povo, da democracia, das instituições, etc., etc. Não me aprofundei no assunto, mas não sei o que acontece com o Presidente Lula que bastou ele abrir a boca, eu já estou discordando. Ou duvidando de tudo o que ele diz.

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O lado errado da história

Devemos insistir que o futuro não pertence ao medo.
Barack Obama em seu primeiro discurso na ONU


“Obrigado aí, todo mundo”, disse Obama, encerrando seu discurso de ontem nas Nações Unidas, um discurso tão bonito, ideal e perfeito (confiram vocês mesmos, como acabo de fazer) que hesito ao escolher, entre tantos outros, apenas um gancho pra dar tom de crônica ao meu sentimento.

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Bons tempos?

Compro o jornal na banca como há tanto tempo não fazia, isto é, quase nunca — enquanto gostava de lê-lo era sempre como assinante a domicílio — só para ler a crônica do dia do meu amigo (e autor de orelha) Arthur Dapieve, que sempre confiro no Hortomercado às sextas-feiras mas confesso, nem sempre leio (embora um bom texto assinado, é claro, sempre eleve o espírito), atraída pelo subtítulo: "a trilha sonora da Era Obama". E Arthur não decepciona.

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18+09+2009=5770

(ou... a incrível matemística dos ancestrais)

fotocartão de Noga Sklar para Rosh Hashana 5770, sobre imagem de Bruno Wanderley


Temática deste ano novo judaico: eu quero mais.

E pra quem não reconheceu a foto, trata-se de meu primeiro ritual (se)mítico em frente ao portal místico de Maria Comprida aonde eu vim parar, este "daleth" — fenício ou hebraico ou geológico mesmo — reforçado em vermelho, que realmente vejo de (todas as) minhas portas e janelas, quem sabe agora vai?

(será que Obama vai fazer discurso? hein? ops!)

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Um mundo de (falsas) aparências

O homem atrás do bigode/ é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos, raros amigos/ o homem atrás dos óculos e do bigode.
Carlos Drummond de Andrade in "Poema de sete faces" (mais conhecido por "mundo mundo vasto mundo/ se eu me chamasse Raimundo/ seria uma rima, não seria uma solução", vai, Carlos, ser gauche na vida, sabem como é)


Vamos combinar que, assim como eu (ui!), Barack Obama faria um bem a si mesmo se se limitasse a salvar o mundo e não fosse na intimidade como todo mundo. O problema é que, como todo mundo sabe, num mundo onde tudo aparece na mídia instantaneamente, e onde os comportamentos mais íntimos logo se tornam escandalosa e deliberadamente públicos, o Presidente mais poderoso do mundo não tem (direito à) intimidade, e estamos por aqui, ó, de liberados comentários que optam sempre pela máxima agressividade.

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Lou Reed is a blackman

Nem vou repetir pra vocês que briguei com Alan ontem à noite, que essa coisa de briga entre nós já virou rotina, mas na casa nova... vamos combinar: uma rotina muito perigosa.
Começou com aquela mania que ele tem de assistir à Fox News, o que há de errado ultimamente com essa Fox News?, pensava eu. E descobri: é que estando atualmente na oposição, optou-se na direção da gloriosa emissora americana pela crítica incisiva, maldosa, encorajando a depressão democrática e a violência civil, mas, gente, eram tão competentes quando eram governo, não? Bill O'Reilly por exemplo, já nem digo Glenn Beck, que se fez, depois das eleições, atacando Obama ao vivo, bom pra ele que enquanto rolou amealhou milhões (estou falando de Beck, claro, cuja estrela recente está prestes a se apagar por conta do exagero ao vivo).

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De Barack para Ted, por email

(ou, segundo Alan, de um escroque para outro, com o perdão do obrigatório respeito pelos mortos)

"Noga,

Michelle and I were heartbroken to learn this morning of the death of our dear friend, Senator Ted Kennedy.
For nearly five decades, virtually every major piece of legislation to advance the civil rights, health and economic well-being of the American people bore his name and resulted from his efforts.

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Obama racista?

Nem é que o Escolhido precise assim, digamos, de que eu o defenda, daqui deste longínquo Brasil varonil, dos ataques malvados dos ímpios, não, gente. Imaginem. Mas que adorei saber pela Reuters, nos meus poucos e lentos minutos discados-navegados de ontem, da fuga de anunciantes que aflige Glenn Beck depois que este declarou ao vivo, a cores e com muito ódio — sem papas na maldita língua de Shakespeare — que Obama é "racista", e tem mais, cultiva "um ódio profundamente entranhado por gente branca", ah, isso eu adorei.

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Calendário Maia

Hei, Obama, hoje é ano novo no Calendário Maia (não o oficial, claro, que é em março, mas o de José Argüelles): cadê o discurso?

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A falência dos radicais

Obama venceu Osama com um pé nas costas.
Mamoun Fandy, autor egípcio especializado em Oriente Médio


Tendo terminado ontem à noite de alinhavar a primeira versão aceitável de meu novo livro de crônicas "Luau Americano", tenho me atormentado com questionamentos mil, como já deu pra ver, entre eles a validade de meus delírios otimistas, ao ponto extremado de enxergar Obama como "um salomão". Estarei me fazendo de boba? De ingênua? Dando a tapa a cara iludida ou o quê?

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O verme da dúvida

Todos os dias, infalivelmente, o café da manhã era servido acompanhado da leitura do jornal. Em cada casa, os maridos liam e comentavam as notícias para as esposas entre xícaras de café, pães, geléias, queijos e fatias de bolo.
Claudia Lage in Mundos de Eufrásia, sobre a rotina doméstica brasileira em 1873


Tenho andado tão ocupada nos últimos dois meses que mal tenho tido tempo de me manter a par das notícias e novidades. A lista de atualização do Sunday Book Review do NY Times, por exemplo, que recebo por email todas as sextas e sempre acompanhei como uma religião, começou a engordar tanto, mas tanto, que acabei criando uma pasta de arquivo, sabe-se lá se um dia a lerei: vai ficando cada vez mais improvável.

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Os bons companheiros

Bem que eu venho tentando não me aborrecer, não me estressar, que de estressante na minha vida já basta a obra e os 25 operários e fornecedores pouco atentos que eu tenho que controlar, mas o Presidente Lula, francamente, não me dá folga.
Já me indignei esta manhã com a ameaça finalmente cumprida de criar uma nova empresa concomitante à Petrobrás para explorar o pré-sal que — todo mundo sabe, todo mundo viu — com tanto dinheiro gasto por conta tem até poço vazio. Escrevi um post inteirinho, caprichei nas metáforas, mesóclises e mais que absurdas hipóteses, mas, na hora de publicar... pimba, deu zebra no software e lá se foi a crônica inteirinha (sem nenhum backup pra recuperar a historinha, claro) para o buraco negro dos erros de publicação do blogger, um repertório mais gordo do que a história mundial da literatura. E quase tão obscuro quanto. Desisti. Perdi o tom. Deus não quer que eu me meta com a Petrobrás, pensei, deixe pra lá tantas pífias petices, eles que são corruptos que se entendam e vou cuidar da minha vida.
Passou-se o dia e a televisão ao fundo, na Fox News, esgruvinhando ao vivo e a fundo a vida pregressa e as intenções professas da juíza indicada por Obama à Suprema Corte, Sonia Sotomayor, e eu pensando: caramba, tem tanta coisa mais séria, e tanta vida mais bonita, íntegra e edificante, longe dessas picuínhas terceiromundistas recendendo a politicagem barata, pelo amor de Deus: melhor escrever sobre aquilo que realmente emociona e eleva o cidadão, desculpem aí, leitores.
Mas qual. Lula não me deixa em paz. Pois não é que agora há pouco trocava aos beijos e abraços na República de Alagoas com o canalha do Calheiros e... nenhum outro senão o ex-cassado, ex-impedido, ex-caído-em-desgraça e ex-presidente, de dolorosa e vergonhosa memória, Fernando Collor?
Pô. Peraí. Dá um tempo, Presidente.

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Boa noite e boa sorte, Sarah


Surpresas ao vivo encerrando a semana: Sarah Palin renuncia ao governo do Alaska, com mais amplos intuitos eleitorais, claro. Que vá e não volte. Good luck, Barracuda*.

* é lendo Gail Collins no NY Times que a gente percebe, sem sombra de dúvida, que o bom e velho vociferante partidão republicano está aos poucos se extinguindo, um rei já sem nenhuma majestade e quase morto, quem será o aposto?

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O lado bom

Leio no blog do Gerald: "As temáticas de suas primeiras peças, especialmente nos anos 1970 e 1980, costumam ser vistas como muito intensas e deprimentes, enquanto sua fase mais recente tem sido vista como mais superficial e alegre. Bausch justificava essa mudança de forma muito direta: A questão é do que precisamos hoje. Estamos num momento terrível, tenebroso, sério e assustador. Então, procuro dar um pouco de balanço, compensação para tudo isso."

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Um luau na Casa Branca

Abre a cortina do passado/ bota o rei congo no congado
Ari Barroso, em "Aquarela do Brasil"


foto: Getty
Demorô. Mas não é que aconteceu mesmo? Pois é: uma, pelo menos uma das profecias apavorantes que Alan me joga na cara a cada novo lindo dia que amanhece aqui na região serrana acaba de se tornar verdade, bem, hum. Essa, pelo menos — e já me contradigo —, diferente da mui antecipada autoextinção do Irã pelo Supremo Aiatolá, do inverno nuclear de King-Kong Ill depois de bombardear os EUA e, last but not least, da heróica morte submarina de seu filho [e meu enteado] adorado, em missão secreta na costa da China — toc, toc, toc — não tem nada de apavorante, é só mais uma garden party com um toque exótico a mais, então por que o incômodo?
É que Alan diz, desde o começo desta história de Obama — para evitar o usadíssimo e abusadíssimo "obamania" — que o quadragésimo quarto não passa mesmo de uma fraude, de uma política midiamontagem, que líder negro ativista de Chicago que nada, um havaiano ingrato, ilhéu emigrado negando as raízes num sotaque falso, isso sim — e também, claro, um meio-queniano e indonésio de adoção, um mulato inzoneiro, lindo e trigueiro, enfim, mais que um polinésio, um analgésico polilíder multiraci[on]al — uau, com essa me perdi.

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Lenda pessoal

Embora hoje em dia eu me considere, se comparada aos demais, razoavelmente ateísta e fatalmente científica e racional (pois, queridos, de todos os meus anos de infatigável busca espiritual sobrou somente o apelido inicial nas famigeradas rodinhas do abraço ritual: "cérebro", no mau sentido, claro)...

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Ligações perigosas


"O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aplaudiu seu homólogo Barack Obama por ter criticado a linha editorial da emissora 'Fox News', contrária ao governo democrata dos EUA, e comparou o caso à 'ofensiva' de alguns veículos de comunicação venezuelanos contra a chamada revolução socialista", leio assustada no Globo online.

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Show do malsão

Ainda me recuperando todaprosa do efeito impactante de algumas prosaicas 3 mil palavras* em favor de meu modesto — embora, claro, bastante pretencioso ("com esse ou com cê?") — mais novo livrinho de crônicas e porque não dizer, do gozo precipitado pela supreendente qualificação do Noga Bloga como espécime raro da pseudoliteratura online (obrigada, Nelson), leio no Todoprosa que a famigerada língua inglesa acaba de declarar oficialmente seu primeiro milhão de vocábulos registrados (e querem nos convencer de que literatura contemporânea se faz com secura, objetividade, concisão e exiguidade verbal, uai, gente, deve ser mesmo intriga da insistente oposição literária terceiromundista, só pode).

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Valei-me, meu Santo Antônio

Que as palavras ensinem e as ações declarem.
do Sermão de Antônio de Pádua


Vocês eu não sei, mas eu hoje acordei rezando por algo que é bem mais grave que um mero encontro conjugal, sob as bênçãos sagradas de um tácito acordo comercial. Há um eixo arraigado do mal no caminho da paz mundial, e por isso o apelo do dia ao santo de amorosa devoção: acendo todas as velas e faço de joelhos qualquer promessa.

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Vãs promessas de campanha

foto Associated Press: casal Obama
em noite romântica na Broadway

Lenta e arrastadamente, nesta gelada manhã serrana de domingo, leio no Globo — para ser mais exata, no blog da Marília, e mais, pra me consolar melhor, num bocado de sites de "celebridades" ao redor do mundo — como o nosso perfeito Rei Arthur da Cozinha Americana enfrentou, com sua doce Guinevere de academia (academia de ginástica, claro), uma baita crise conjugal de quatro anos de duração (ops, peraí: quatro anos? mas é meu casamento inteiro, gente!) nos duros tempos que antecederam a eleição de Obama para o Senado, por Illinois.
Pois falando em Michelle, la belle, a dedicada e amorosa primeira-dama, o entrevistado de Marília descreve: "Ela passou a ficar cada vez mais ressentida com as ausências prolongadas de seu marido, desconfiava de suas ambições políticas, que ela considerava exageradas. E ele pensava que ela era fria e ingrata. Os problemas financeiros do casal só complicavam a situação". A conversa entre os dois ficou rara, ok, e o romance mais raro ainda, que noite de encontro teatral na Broadway que nada, tell me about it.

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The blond, the black and the ugly
(ou... a sobrevivência dos mais aptos)

fonte: O Globo
(da série: superando o passado com Barack Obama)

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O Presidente da Terra

Violência é um beco sem saída.
Barack Obama


Bem que eu gostaria de ser capaz daquele tipo de discurso radical que, tenho certeza, cala ao fundo na mente de muitos sionistas dedicados no dia seguinte ao (histórico? raro?) discurso egípcio de Obama no Cairo: que árabe filho da mãe, safado, entreguista, inimigo de Israel, eu sabia, bem que eu disse!

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Let my people stay

foto Stephen Crowley para o NY Times
Barack Obama: um Moisés moderno. E às avessas, alvíssaras.

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Noblesse O-bling

foto Reuters


"Parte da luta americana contra terroristas radicais tem a ver com a mudança dos corações e mentes daqueles que eles recrutam. Se existem vários homens e mulheres entre 22 e 25 anos de idade no Cairo ou em Lahore que escutam um discurso meu ou de outros americanos e dizem: 'Não concordo com tudo que eles dizem, mas parece que eles sabem quem eu sou ou parece que eles querem promover o desenvolvimento econômico ou a tolerância ou a inclusão', então talvez eles se sintam um pouco menos dispostos a se deixarem tentar por um recrutador terrorista", declara Obama em entrevista exclusiva a Thomas Friedman, do NY Times, antes de embarcar para o Oriente Médio. Vale conferir.
Tais inéditas opções diplomáticas de Obama, no entanto, sejam ou não expressão da verdade e da boa-vontade em busca de um mundo mais tranquilo, passam bem longe da unanimidade. Argh.

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O rei e a majestade

foto AFP para O Globo
(ou: dois mohammeds e um só reinado: em busca de algum [con?]senso)

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As causas nobres de Notre Obama

foto Reuters: Doutor Obama, Honoris Causa na Universidade Notre Dame

Leio no NY Times esta manhã, apressadamente, café numa mão e telefone na outra, que Obama dará nesta terça algum tipo de declaração no Salão Oval a respeito de sua política nuclear de não-proliferação, sim, a ordem dos fatores enriquece o produto: por mais que se diga, negue e maldiga, os "combalidos" Estados Unidos se mantém intactos no núcleo do globo propagador de ideias, isto é, na vanguarda da humanidade.

Serviço:
Mulheres no Cinema
Aborto em Julgamento
Martine ajuda sua filha, que fora estuprada, a fazer um aborto e as duas acabam sendo acusadas de infanticídio. Conheça a história do julgamento que foi um marco para a descriminalização do aborto na França.
terça - dia 19 às 16h02
domingo - dia 24 às 08h30
terça - dia 02 às 16h00
domingo - dia 07 às 08h30

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Encontro às escuras

(pré-tensão da semana)

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Cem dias em 72

Papa Bento e o cajado de Moisés:
foto Ali Jarekji para Reuters

"E, no septuagésimo terceiro dia, eu vou descansar, prometeu, ironizando os que acusam de ser messiânico", li no Blog de Lúcia Guimarães (faltou o "o", Lu, ou fica parecendo que Obama é quem acusa, tudo bem, é só blog), onde ela explica que um hilário B.O., em seu discurso de estréia na Associação de Correspondentes da Casa Branca que, por tradição, deve ser cômico, "prometeu completar os próximos 100 dias em 72", assim, duas vezes na mesma frase, promessa pouca é bobagem.
Eu poderia, é claro, ter visto ao vivo o discurso de Obama como sempre fiz, ter visto o pappanazi beixar o chão da Terra Santa (ui: "pappanazi" é pesado, vamos combinar, perdão, leitores, que é cristão perdoar, mas "beixar", tendo sido na verdade um lapso de teclado, resolvi deixar: poderia ter sido Joyce em Finnegans Wake e estaríamos combinados) e o Talibã tomar de assalto o Paquistão, ou seria, caso Deus existisse, o contrário desta quase-rima, de acordo com a Lei do Talião?
Pois é. Eu poderia também ter ficado quieta, começar meia hora mais cedo o expediente de arquiteta que é o que tem me ocupado tanto, mas tanto, quem nem deixa brecha pra noticiário, discurso ou breviário, ah, tudo bem, com a breve exceção dos curtos e despretensiosos passeios relaxados (meia hora antes de tentar adormecer) pelas páginas intrincadas de Finnegans Wake que Joyce levou, imaginem, 17 anos pra escrever, nada desses trocadilhos malpagos e meio apressados de Noga Bloga, pelo telufano a caminho da obra (de Joyce: tellafun, ui, que essa coisa pega, mas que é gostosa a mais não poder, é, eu, pelo menos, gosto, imaginem agora a espantosa interpretação futurista: telafone).

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Porcos voadores

ou... nem só de Joyce vive o intraduzível

Swine flu when pigs had wings.
Alan Sklar


Está no Los Angeles Times, num — bastante inadequado ao fatalismo vigente — rasgo otimista: "especialistas parecem estar chegando à conclusão de que, em sua forma corrente, o vírus H1N1..." — cumpre esclarecer, responsável virótico pela gripe suína, assim oficial e eufemisticamente renomeado para preservar o florescente comércio da magra carne branca dos criadores de porcos, após tanto e tão caro sacrifício finalmente libertos do estigma kosher, reflitam, estúpidos: será que é mesmo a economia? Vai que Deus castiga.

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A guerra dos cem dias


Com tanta coisa encaminhada e prestes a terminar — casa encantada, livro aprontado no prelo e, claro, como consequência meio que inevitável nesta estressante rotina criativa sob um automecenato apertado, o saldo minguando no banco — tenho testado em meus dias e noites minha enxaquecosa resistência à pressão externa e descubro: é bem mais limitada do que eu acreditava.

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A maldição da castanhola

Barely daring to breath or Achoo.
Sylvia Plath, Daddy


Não sei o que acontece com esta nossa humanidadezinha demente que a gente está sempre a fim de um grande, tremendo drama mortal, um bode espiatório monumental de um tipo tão visceral que dele poucos escapam. Essa suína, por exemplo. Que já foi precedida por outra bovina, ovina, do frango, sempre com a graxa do adeus ao preço de um pífio resultado, que raio de influenzia é essa que se enfia em qualquer desprevenido orifício de corpo?

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Chave-de-cadeia

"A paz começa com um sorriso."
Madre Thereza

Tudo bem que ao mesmo tempo em que eu, arquiteta protelada, finalmente projeto e construo uma casa, Barack Obama, neomessias, político (tão talentoso quanto) inusitado, se ocupa em projetar e construir algum outro mundo (que não esse nosso de todos os dias).
Tudo bem até os auspícios primícios para Ahmedinajad e outros renegadores sionistas; o coração aberto para "refugiados" sem que estes um dedo se demovam de seus arraigados, fraternalmente explorados e jamais revistos preconceitos; a fenda alargada para o absolutismo cansado dos envelhecidos irmãos Castro (relevando a prévia má-vontade, pior, mais grave: perversidade não apenas egendrada, mas frequentemente cometida): um amplo armistício globalizado sem precondição alguma, preconizando a utopia do amor onde antes só ódio se guardava. Tudo bem. Muita exigência em rompimento litigioso — como breve e atropelada estratégia de conciliação — nunca deu muito certo, eu entendo: faz-se necessária radical reconfiguração, sem nenhum prévio abuso de duras condições, até aí tudo bem, parece bonito, mas...
Tudo bem que, como diz o Alan, se a gente não sabe bem o que está por trás, precede ou se segue ao factualmente observado, falha sempre em compreender o acontecido, mas, ô, peraí: sorrisos tão francos trocados com Chávez pra mim foi demais. Ainda não deu pra engolir.

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Pra que tanto sorriso?


Arghh. Desperdício.

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A farra do chá

Hay gobierno? Soy contra.
(lema anarquista das antigas, nem mesmo no Google descobri de quem e de quando: desculpem a ignorância de uma ex-hippie, a que não fui não tendo jamais sido)


"A Festa do Chá de Boston", alerta a wikipedia, "foi um protesto dos colonos de Boston, uma cidade na colônia inglesa de Massachusetts, contra o governo britânico. (Este artigo se refere a um protesto de 1773. Para outros usos, busque Festa do Chá de Boston*)."

foto: Reuters

Poucas coisas, vamos combinar, são tão patéticas quanto procurar reeditar, ou mesmo tentar compreender à meia-luz confusa que a teia difusa do tempo engendra — tempo: clássica ilusão palpável que todos experimentamos tão fundo, tanto na carne quanto na mente —, fatos atuais incongruentemente descritos na língua do passado.

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As leis ocultas do patriotismo
(ou, a arte de mentir ao público)



No outro dia um amigo meu, com quem compartilho o interesse por ditados, provérbios e citações, me mandou por email uma lista deles, encabeçado por certa definição acurada do termo "política", vejam: "São os líderes do país que determinam a política e é sempre uma simples questão de envolver o povo, seja em uma democracia, ou ditadura fascista, ou um parlamento, ou ditadura comunista.

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Liberdade ainda que...

imagem: livro de Culinária Judaica, 3ª edição, 1980,
editado em Beagá pela Comissão de Mães da Escola Theodor Herzl,
a minha entre elas: relíquia de família
Não sei se vocês sabem, mas muito antes da Páscoa cristã começar a celebrar a ressurreição de Cristo — vitória sobre a morte, libertação do ciclo do carma de morte e reincarnação, nirvana, iluminação, uai, gente, serão estes todos realmente relacionados ou estou me confundindo? —, ali pelo ano 33 DC, uma outra Páscoa bem mais antiga celebrava a libertação dos judeus da escravidão do Egito, não só dos grilhões, eu penso, mas também dos mitos inúteis de morte, de vida após a morte, superstições, o favor dos deuses, e, pior, por dentro da argamassa das fantásticas pirâmides erguidas, sabe-se lá com que sangue, provavelmente o nosso, da obrigação de eternização do corpo já morto e dos bens materiais que naquela época, pasmem, a gente levava pro túmulo sim, sai azar, ao lado de uma boa meia dúzia de empregados, senão fiéis, pelo menos à revelia condenados à fidelidade eterna. Argh. Até o cachorro do falecido dono, coitado, acabava embalsamado. Alívio: o mundo mudou: a gente hoje morre e acabou, tem liberdade maior que essa? Viver plenamente a cada dia, sabendo que tudo, alegria e miséria, termina inevitavelmente um dia?
Sério. Nem sei porque a morbidez, fala sério, num dia em que se celebra a liberdade em vida, bem, nem tanto assim: Moshe Rabenu, nascido e rejeitado, aparentemente, mais tarde reencontrado e grande agente judaico de mudanças de estado — mudança de casa, país, religião, estatuto moral e condição civil —, morreu sem entrar na Terra Prometida por estar fatalmente contaminado, imaginem, com o germe ingrato da servidão.

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Obama enxadrista

foto: Reuters

E não fiquem vocês pensando que por não escrever todo dia sobre tudo o que nestes dias tem marcadamente se passado, eu não esteja de olho. Estou.
Só não deu pra entender ainda, nas entrelinhas da empolgação com o anunciado fim de tantas ameaças letais ao futuro das nações mundiais, onde Obama quer chegar (cheque!) e como pretende chegar lá. E, claro, se um dia efetivamente chegará com sua refinada (ou chutada?) estratégia enxadrista (xeque-mate!).

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Adeus às armas

foto: Reuters

(Os cinquenta e dois minutos que [talvez, quem sabe, pode ser] mudaram as regras nucleares do mundo.)

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Obama* Superstar


*em húngaro: barack=pêssego, now you know, mmmm...

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O medo (i)moral de nossos dias

Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor desta vez.
Samuel Beckett


A gente percebe que está com sérios problemas quando passa uma semana inteirinha, e uma semana importante como essa (para a posteridade: a do G20), republicando palavras e imagens alheias. Mesmo que sejam sábias, poéticas, instigantes. Algumas até de vergonhosa memória mas mesmo assim memoráveis, como este nazista "Triunfo da vontade" aí embaixo, fazer o quê, me desculpo, mas foi o que me veio.

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O triunfo da boa vontade (argh)

Reuters

Acreditei no melhor de cada um. E descobri que é bastante acreditar para que um homem mau apresente o seu melhor, para que mesmo um homem bom eleve mais alto a sua luz.
W.B. Yeats

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As mãos que controlam o mundo

A inteligência substituiu a raiva no leme da Casa Branca.
Roger Cohen, no NY Times


foto: Todd Heisler/The New York Times

Obama em Londres: "As notícias de dissensão internacional são amplamente exageradas". A conferir.

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No novo iPod da Rainha

(da série "a Lula o que é de Lula": Esse é o cara! )

(sobre AP Photo/Kirsty Wigglesworth, Pool)

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Come together

(ou... tudo dá certo no final e se não der... não deu)

"Imagine all the people/ Living life in peace: A brotherhood of man.
John Lennon


Madonna e seu filho David em visita a Yohane, pai biológico do menino / Reuters


"Estou absolutamente confiante de que este encontro refletirá enorme consenso sobre a necessidade de trabalhar em conjunto", disse Obama em Londres, preparando o terreno diplomático pra resistir aos tremores conflitantes de ideias, ou da falta delas, no próximo confronto mundial, uai, gente, será que eu queria dizer "reunião"? Certo, humanos, "pés logo abaixo dos joelhos". Tá tudo em família, o resto é pura convenção.

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Porque não estou escrevendo hoje

celfoto NL Sklar: a vista do lado direito, 120/360 graus de curvatura da Terra

Caros, vou contar pra vocês pqneeh (porque..., etc.): de repente não sei o que me deu, um senso assim de uma coisa maior, overwhelming, com o perdão do inglês [fui ao dicionário e achei a tradução do termo fraquinha, fraquinha, não fazendo o menor jus], um algo assim indefinível grande demais que me secou temporariamente (espero...) o palavrório interno, sabem como é.

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Bonfim, o modelo

...esperando que você goste desta verdade em forma de mentira (ou será o contrário?)
Sérgio Rodrigues, sobre seu romance Elza, a garota, em dedicatória privada


Logo no comecinho do livro aquele trecho insignificante, lido em timing excitante, levanta a (involuntária?) lebre marota do destino que, mui espertamente, se furta à caça aviltante — patrulha ideológica, era o que eu queria dizer, e de direita (?) — no texto onde se insinua: (transcrito de O Globo, edição de 16 janeiro de 1936) "...uma jovem loura e encantadora, de olhos azuis muito vivos", ops, peraí, gente branca de olhos azuis, Presidente? Que novo estigma de traidor seria esse?

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O oráculo de Washington


Eu não teria visto se não acreditasse.
Marshal McLuhan

"Nesta quinta-feira de manhã", convoca o email enviado pela Casa Branca, "o Presidente [Obama] conduzirá uma assembleia sobre economia e responderá ao vivo algumas das perguntas mais populares". Pois é. Hoje, 26 de março de 2009 (guarde bem esta data: será histórica), enquanto eu estiver no Rio bem longe de um computador, você que me lê — e quem mais quiser crer para ver — poderá comparecer, online, ao primeiro salão presidencial de debates conectado, um novo e democrático formato de "town hall" para dirimir dúvidas dos cidadãos, um tecnológico espanto, será que vai dar certo? Será mesmo a nossa voz ouvida em questões importantes daqui pra frente? A ocasião promete (ser o primeiro encontro de muitos, uma nova rotina de acessibilidade). Será esse, pondero, o modelo definitivo, definitivamente aceito e instalado, da verdadeira aldeia global antecipada por Marshall McLuhan há mais de 40 anos? Incrível: o meio (re)virando a mensagem, um "experimento criado para encorajar transparência e responsabilidade abrindo uma linha direta com a Casa Branca".
Clique. Confira. Participe. Na volta a gente conversa.

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O que há num nome
(novos tempos, novos termos)


"Governo Obama quer aposentar a expressão 'guerra global contra o terror', afirma o jornal [Washington Post]". No Globo. Leia aqui.
Requiescat in pace.

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O poder da imprensa

Oscilando no fio da navalha entre o amor e o ódio à grande imprensa, reconheço nos óbvios resultados o valor da imprensada: nem bem duas semanas decorridas depois de ocorrida a (justa) reclamação de leitor no Globo Serra, et voilà: mato cortado, lixo coletado, e last, but not least, esta manhã os buracos sendo asfaltados, ô beleza. Estrada Carvalho Junior, vocês sabem, é meu novo futuro endereço, e por ele agradeço (quanto à iluminação local já não sei, não vou lá à noite).

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Rápidos no gatilho

Apesar das promessas otimistas de "vamos ter uns dias calmos" o fim de semana acabou sendo intenso, isto é, de trabalho intenso. Nem bem se acalmou a discussão feroz com o diagramador, as notas soltas ainda perdidas flutuando página adentro e a capa aprovada sendo ainda digerida quando me surpreendi com o livro já pronto com site na Libre, opa, rápidos no gatilho essa Ibis Libris transbordando, ainda por cima, edição comemorativa dos Sonetos de Shakespeare "tal qual foram originalmente publicados sob orientação do próprio Bardo" com tradução de Thereza Christina Rocque da Motta, a querida TC.

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Éden ideal

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E enquanto o mundo despenca, com pânico da fome vindoura e outras deprimentes ameaças recessivas ainda mais graves, naquele recanto ideal do planeta... "o poder de Michelle Obama e sua horta pode criar uma mensagem muito poderosa sobre comida saudável e mais gostosa. Não acho que seja exagero dizer que poderia resultar numa mudança real."
(criticar por quê? se estou planejando num futuro breve fazer isso mesmo [na Butterfly House]? deixa pra lá: é só nervoso mesmo. paúra.)

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Happy Nowruz


Não me candidatei a presidente para passar esses problemas para a próxima geração. Me candidatei a presidente para resolver esses problemas para a próxima geração.
Barack Obama no Tonight Show de Jay Leno, piadas infames à parte


Economia de pacote ou economia de paquete? Sei lá.

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Obama & Lula II

foto: Associated Pressda série: uma foto [desfocada] diz mais que meia dúzia de declarações conjuntas

"The president and I had a wonderful meeting of the minds."
Ui. Decepção (com Obama, é claro).

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Obama & Lula

"Lula e Obama têm trajetórias semelhantes", diz Dilma, a caminho da Casa Branca para o rendez-vous. Faltou mencionar o diploma de Harvard, claro. E os best-sellers publicados, o gosto pela leitura, a intimidade com a internet, a modernidade nos gestos e pensamentos, a retórica refinada.
Numa coisa se igualam: na aceitação popular. Por todos os motivos acima citados, que não poderiam ser mais diferentes, ah, tudo bem, ambos pretendem, cada um a seu modo, assumir a cátedra máxima do weltverbesserung: melhoradores do mundo.

***

Enquanto isso, num pequeno país mais ao norte... a opinião publicada de certo presidente latino completa gloriosa sua volta ao mundo.

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Banana Republic

Curioso é que quando morei nos Estados Unidos com Alan, há quase cinco anos e com o dólar beirando os quatro, eu acreditava, mesmo, que era minha obrigação moral manter-me a par das notícias do distante Brasil, custasse o que custasse, e olhem que não era tão fácil como hoje, com tantos sites de notícias dando de graça, pra quem se interesse, a sopa de letrinhas do Zarur. Pois é. As coisas mudam.

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Aos que odeiam e aos que amam

O Santo Beck e O Porco Obama
Que eu me sinto frequentemente estúpida ao ser contestada por Alan em cada mínimo pensamento não é novidade pra ninguém. Mas ultimamente... francamente: tenho me sentido tão confusa com o que chamam de mera realidade que só me consolo logicamente carregando no proibido advérbio: incoerentemente. Pois é.

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Da dor ao ardor

Pena de mim? Não precisava.
Dar a volta por cima que eu dei, quero ver quem dava.

Paulo Vanzolini, zoólogo e compositor, in "Volta por cima", que até Obama já citou

Daleth: o portal espiritual de Araras, clique e veja, no canto, à esquerda
Desde que li no blog do Nizan sobre as aventuras preparatórias dele na Clinton Global Iniciative, onde o ex-obeso publicitário baiano (ah, bom: entendi tudo*) descobriu, entre outras coisas, que os americanos reais não pensam senão na próxima recuperação, me animei de vez (*compartilhando: longa vida à lendária manemolência baiana, equivalente local da primeiromundista fleuma britânica; e à intrínseca psicologia positivista dos slogans do bem, também; e mais, emagrecer faz bem, seja na carne, no consumo, ou no mercado futuro: abaixo o exagero de quase tudo).

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Ciberdúvidas: entre artes e árvores

clique para se apavorar
Pois é: eu pensava que não me aconteceria nunca, mas fui indo assim, hesitante, dando meus passinhos periclitantes na direção de não saber o quê, isto é, o que fazer pra chegar nalgum lugar que nem sei bem onde é. Ou o que se faz lá.
O que ainda não sei, vislumbro. Comecei aos poucos, liberando uma amarra ou outra nas quais me embolava no ramerrame cotidiano, fazendo as vezes de realidade, mas ah, se era aquilo a realidade então quero ser a mulher barbada do circo. Que todo dia cuidadosamente se fotodepila, claro: mal se chega a perceber a barba.

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Apenas um pesadelo

O novo orçamento apresentado pelo Presidente Obama representa um rompimento gigantesco, não somente com políticas dos últimos oito anos, mas com tendências dos últimos trinta.
Paul Krugman, para o NY Times


Umas das raríssimas coisas de que sinto falta desde que me mudei pra Serra, vocês sabem, é o cinema, não só o ato de ir ao cinema, mas simplesmente o de assistir a bons filmes, em casa ou na rua, quase todos na contramão dos blockbusters e que apareciam a rodo no catálogo da locadora no Rio.

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Father Sam*


"It's not about helping banks. It's about helping people."
Barack Obama em seu primeiro discurso no Congresso


Traz um approach diferente mas que eu entendo muito bem o artigo de Thomas Friedman "Paging Uncle Sam": o que seria do mundo se a liderança americana enfraquecesse? Ou, pior, desaparecesse? Em tour pela Ásia, Friedman escuta o medo e a perplexidade na voz de seus entrevistados quando o tema da conversa é a grave crise econômica que atravessamos: "Será que os americanos não sabem o que estão fazendo? Ou, se sabem, não está resultando?"
Pois é. Enquanto os poderosos Estados Unidos da América mantém a família humana caminhando, todo o resto do mundo, vamos combinar, parece estar na adolescência: refugiam-se por trás de um "Não Perturbe" em seus fones de ouvido, revoltam-se contra os pais, não querem saber de conselho ou disciplina, mas quando falta a mesada... ou aquele tênis novo... e pior: quando aquele oficial de justiça bate na porta pra cobrar o penhor da casa... Já viu (ih: papai se ferrou).
De um jeito ou de outro quando abre a boca, apesar da aparente juventude, Barack Obama soa sempre como um pai generoso, magnânimo e dono da verdade, calma, gente, dono da verdade no bom sentido, claro: se ele sabe das coisas não sei, mas que sempre consegue dizê-las certas e ainda por cima enumerá-las todas na ordem e peso corretos, sem dourar nem demais nem de menos o amargor da pílula... é fato. Um salomão, esse cara.

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Pronomite

Nada é igual a ele e eu.
apud Caetano Veloso, in "Ela e eu"


Alan vive tentando arranjar um jeito de me explicar como dominar a fera indomada do idioma inglês, esse vasto amontoado de línguas antigas misturadas modernizado na marra, na tentativa e erro, no violento ringue popular das trocas verbais diárias. Não consegue. O inglês abomina os estrangeiros, vocês sabem, há que aprendê-lo desde os cueiros pra poder engolir no susto aquelas regras todas que confirmam as exceções, francamente. Até o chinês, com seus quarenta e sete mil e cacetadas caracteres elaborados, perde, põe babelfish nisso.

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Máscara negra

"Bem, a Grande Depressão eventualmente encontrou seu fim, mas isso, graças a uma guerra gigantesca, algo pelo qual é melhor não torcer", afirma no NY Times o Paul Krugman de sempre. No Paquistão, sob os voos (in)discretos de um [zangão], avião espião (ninguém sabe ainda se autorizado ou não), vai-se a um funeral e acaba-se morto. Mais um malandro acaba de ser desmascarado. Numa Europa explosiva, já de rastilho aceso no Leste, o mercado de ações oscila como um folião bêbado antes que eu desligue o Bloomberg e tire a viola do saco, afinal de contas, a esperança resiste ao medo. Prova disso é o velho Oscar no domingo, enquanto eu... vocês sabem, desde que me mudei pro mato a sétima arte já não me empolga tanto (pra não dizer que não sei de nada, vi Kate Winslet lacrimosa na Oprah), ando meio por fora das agências de apostas. Prefiro apostar na beleza das encostas.
Vou ali e já volto, não me levem a mal (pra tudo começar na quarta-feira).

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Tikkun olam (consertando o mundo)

"Vemos aqui que valores espirituais como generosidade, reciprocidade e o cuidado com o outro têm implicações práticas, e podem se tornar a pedra de toque de uma economia global sustentada. Na verdade, a não ser que nossa recuperação econômica seja orientada por uma visão espiritual mais ampla, em vez de um retorno ao consumo desvairado do passado, teremos perdido o que pode ter sido a última oportunidade de criar um mundo eticamente coerente e sustentável."

Michael Lerner, para Haaretz

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Contos da carochinha

clique para ler e ampliar
Leio no blog de Reinaldo Azevedo um post de subliminar ironia sobre os discursos mais recentes de Barack Obama (a ironia por conta de Reinaldo, claro), reproduzindo um texto publicado na Folha e escrito por Fernando Canzian, melhor daqui por diante esmiuçar tudinho bem direitinho, vocês sabem: há precedentes graves. O artigo atribui a B.O. e a seus "pacotes de ajuda" um tom "populista", mas, gente, não é o que eu tenho visto. Popular, sim, ou, no popular: honesto, íntegro, exemplar.

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O novo dízimo

novos ares na arte:
adeus às vacas douradas de Damien Hirstmercado contemporâneo de artes : valores inflados e acordos escusos
Pode até não ser nada (Alan continua reclamando que Obama não passa de um menino de Harvard metido a preto que não sabe de nada), mas, para mim, é um sinal definitivo dos (novos) tempos. O primeiro. Se Deus quiser não será o último.
Marília Martins nos informa, em seu blog n'O Globo, que o transparente pacote redentor de 787 bi destina nada menos de 75 para o patrocínio de produções artísticas, olha aí, Brasil, não é nada não é nada, são quase dez por cento, uma nova, revolucionária definição para o conceito de dízimo: para cada despesa, cada conta paga nessa miserável vidinha que a gente leva, destine obrigatórios dez por cento, não para o culto na igreja, não, gente, mas para a arte: compre um livro; vá a um concerto ou ao teatro; veja um filme; visite um museu; e, claro, se você for artista, dedique ao menos dez por cento do seu tempo à fruição única do seu talento, ou quem sabe o contrário: dez por cento para as chatices de rotina e todo o resto, ó glória, para a produção de arte. O mundo agradece.
E antes que alguém diga que isso tudo é coisarada, mera estratégia de marketing da politicada, recomendo a leitura de artigo no NY Times (que já vai ficando antigo antes que eu o leia inteiro, mas vocês entendem, ocupada demais produzindo a minha própria arte):

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Yankees e yahoos: a última melhor esperança da terra

do alto de seu trono de mármore, 200 anos de Abraham Lincoln nos contemplam
And the tragedy of it is, says the citizen, they believe it. The unfortunate yahoos believe it.
James Joyce, Ulysses

Gente. Agora que moro no mato e não leio mais O Globo estou tão por fora dos acontecimentos diários que nem reparei que o horário de verão tinha terminado ontem. Rápido, não?
Bem. De um jeito ou de outro, continua funcionando aquele desconhecido e raramente reconhecido mecanismo intuitivo que prova, até prova em contrário, que tudo que a gente precisa saber de verdade cai no colo da gente, mais cedo ou mais tarde. A questão do horário, por exemplo, descobri num email de TC, minha supereditora.
Mas há outras (coisas) — detalhes pequenos de nós todos que definem o mundo — que é preciso cuidar pra não deixar passar, que é preciso tecer entranhadas na trama intricada que cria o futuro. Como, por exemplo, o discurso de Obama no aniversário de Lincoln que quase perdi, mas acabei de conferir no santo youtube, aqui e aqui, imagem pra toda memória. Valeu a pena. Sutilmente inserido lá pelo meio do texto bem-humorado, idealista, apenas levemente (auto?)laudatório (ele bem que merece) de Abraham Barack (do hebraico: pai do povo abençoado), repousava a ainda não descoberta, ainda não propagada chave mestra da novidade, o código genético da mudança prometida pela Era Obama:

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Do Rosner's Domain

"Evite as notícias de Israel por uns dois dias. Se a história nos ensina algo, é que os primeiros dias de contrução da coalisão são uma perda de tempo. É tudo adiamento, manipulação e posicionamento. Os viciados em notícias conseguem muita informação de relevância zero. Meu conselho: leia um bom livro, saia para jantar, passe um tempo com a família, e volte às notícias daqui a uma semana mais ou menos. Você poupará um tempo valioso."
Vale também para as primeiras semanas de Obama, para a construção da candidatura de Dilma, para os conflitos internos no PSDB, para a gravidez abortada de Paula na Suiça e, last but not least, para os fins de semana, vamos combinar: nada de realmente importante acontece entre a sexta à tarde e o meio-dia de segunda, a não ser, claro, namorar muito.
Quanto a mim, estou novamente ocupada com mais uma revisão interminável de Língua. Chove cântaros. Trabalho. Adoro. Até.

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A volta dos mortos-vivos

Dubai Towers, EAU
Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.
Sermão da Montanha, segundo São Mateus


Não é agosto-mês-de-desgosto nem nada, mas não sei se vocês repararam: apesar das promessas festivas do carnaval que se aproxima — um cheiro de gozo exclusivo do Brasil de Lula e Dilma —, hoje é sexta-feira 13. E cá entre nós, não faltam adeptos da Lei de Murphy espalhados por aí a torto e a direito: a palavra dada, vamos combinar, está na ácida boca trevosa deles.
Pra começar bem, ou melhor, pra começar bem mal, nada como o incipiente fracasso dos animados planos pós-partidários de Obama, tantos projetos de mudança ainda nem a bem da verdade sonhados e já destroçados no primeiro parto, destinados ao agudo descaso das muitas cassandras em franca atividade, e olhem que algumas eu respeito à beça, há que escutar do que estão falando. Como David Brooks, por exemplo, descrevendo um cenário sombrio de futuro que a gente bem faria se fosse evitado: pra sexta-feira 13 nenhuma botar defeito. O ambiente é de sonhos desfeitos, quase-pesadelos.

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FHC e a salvação da lavoura

Não sei se vai dar José Serra. Não se vai dar Aécio Neves. Ou quem sabe um brilhante terceiro (ainda desconhecido do público eleitoreiro). Mas, mesmo assim, sim, tucanei: resolvi me declarar uma fã de FHC de primeira hora. E não é por causa da liberação da maconha não, gente, não me entendam mal que eu nem fumo faz um bom tempo, mas, cá entre nós, entendo perfeitamente o transtorno criminoso causado em nossa sociedade pela longevidade de mais este tabu inútil: quem quer se drogar, se droga. Não importa o preço. Não importa o tiro.

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Fazer o bem sem ver a quem

"Barack está realmente ocupado no momento então pensei, tenho todo o tempo do mundo e enquanto as crianças estão na escola, pensei em aparecer, encontrar estudantes e falar sobre programas."
Todo o tempo do mundo, ô luxo. Na próxima vida, não quero ser presidente do Estados Unidos, eu, hein? Nem arquiteta, nem poeta, nem muito menos artista, aquele tipo boêmio de profissional que todos pensam que não trabalha nunca mas que não para de trabalhar um minuto, nem dormindo. Quero mesmo é ser primeira-dama, pensem bem: tempo de sobra pra fazer o bem sem ver a quem, e ainda sobra pra ser bela e charmosa — pela lente infalível de Annie Leibovitz — na capa de Vogue, mesmo que nunca tenha sido... bela e charmosa de verdade antes de virar celebridade, vamos combinar. É o melhor emprego do mundo.
E por falar em artista, tive o prazer de (re)encontrar por acaso no Facebook (of all places) uma conhecida de infância, conterrânea de Belô e minha quase-vizinha no Rio por 20 anos mas que nunca encontrei por lá e agora, imaginem: Rachel Korman é artista visual autobiográfica, e das boas. Vale conferir. Mora atualmente em Lisboa, mas para o Facebook, vocês sabem, não existe distância.

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Trillionen


"Me kakt mit die millionen", já dizia a minha irônica avó (sim, gente: é de família). E agora, vejam só: ao vivo e a cores pelas telas da tevê e dos computadores, um cambaleante Tintim Geithner com sua vozinha de taquara rachada, hesitantemente preocupante, acaba de romper a sagrada barreira pública do trilhão de dólares.
Quanto a mim, que nada sei, o que sei é que, a partir de certo número de zeros à direita do algarismo principal, a dança das quantias deixa de fazer o mínimo sentido para qualquer cidadão menos fornido. São os mais atingidos, claro. Já os economistas... hum. Não sei. Certeza não tenho, mas cá entre nós, acho que perderam o senso, ora direis.
O problema com Geithner é que este sujeito, diferente de Obama, é uma caricatura pronta ( se o Alan não fosse tão preguiçoso eu encomendaria uma, exclusiva para o post: sairia bem melhor do que essa aí). E péssimo ator: embora o chefe, sempre generoso e convincente, tenha prometido a ele seus quinze minutos de praxe, bem: TG não soube muito bem, aparentemente, que diabo fazer com eles. Agora imaginem os muitos trilhões liberados nas mãos suadas dele... bem. Hum. Pode até ser que ao longo do tempo essa coisa toda acabe dando certo, vocês sabem, os caras são bem preparados, e queira Deus que bem-intencionados. Ou então, é como diz o ditado: mesmo um relógio parado mostra a hora certa duas vezes por dia.

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Se correr... é o bicho

"Um artigo profundo, muito perspicaz, Caroline", escreve um leitor do Jerusalem Post sobre um texto a respeito do governo Obama que eu, francamente, custei a acreditar que estava lendo. "Ouvir a verdade sendo dita certamente expõe a babaquice dos simpatizantes da jihad", continua o sensível comentador. "Espero que Israel vote no Likud, hoje."

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Mágica jornada misteriosa

E você, aceita a ideia de que não há explicação?
Julio Cortázar


"Depois da miraculosa campanha eleitoral de Obama em 2008, ficou claro que em algum ponto a mágica jornada misteriosa teria que ter um fim", escreve Charles Krauthammer em artigo que li, pasmem, no Jerusalem Post, sim, hoje é dia de ler in loco sobre mais um mistério eleitoral prestes a se desenrolar noutro canto crucial do mundo.

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O despontar de Aquário

Se estamos lutando pela liberação, por que não curti-la?
Abbie Hoffman, 1936-1989


Pode até não ser nada. E provavelmente não é. Mas que é poético, é. Mais ainda para quem cresceu com este tipo de expectativa, eu, por exemplo, que tinha até poster de Hair (em hebraico!) na parede do quarto. Agora imaginem: sabem aqueles versinhos iniciais de Hair, o musical pacifista, sobre a Era de Aquário? Aqueles, de 42 anos atrás? Pois é. Vão se materializar no amanhecer do próximo sábado, 14 de fevereiro, hum, será que eles, Ragni, McDermott e Rado, sabiam mais do que aparentavam? Eram assim, digamos, um tipo de enviados?

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Por dentro dos sonhos

Gente, alguma coisa está esquisita. Nem contei pra vocês porque não me arrisquei, mas, no outro dia, tive um sonho erótico inenarrável com... Michelle Obama (olhem que na cama o meu negócio é macho, e não há mãozinha boba que eu abra disso, entendam como quiserem). Pouco depois encontrei no blog da Cora um sonho estranho com Hillary Clinton e agora, pra encerrar o ciclo, quem sabe?, vem Judith Warner no NY Times com um sonho de Obama, epa, que negócio é esse?
Se bem me lembro em meus tempos xamânicos, quando a gente sonhava com um deles, significava um encontro astral daqueles, transformadores até na medula, agora me pergunto: será que a Nova Era Obama lidera também, e fundamentalmente, nos níveis astrais da evolução da gente? Hein?

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Pesos e medidas

Che, Mao e Stalin: Trio Ternura da humanidade

Triste do país que precisa de heróis.
Bertolt Brecht


Tem causado espécie no blog de Reinaldo Azevedo a patética entrevista concedida por Benicio del Toro a uma engajada Marlen Gonzalez, um vídeo que tem percorrido o youtube com o maior sucesso, e em se tratando do popular Tio Rey (com y, sim, pra evitar a tentação de uma excessiva majestade), vocês sabem, as centenas de comentários fazem a festa, mas é mais uma coisa do tipo "quando um burro fala o outro abaixa a orelha", se é que vocês me entendem:

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Na Ala 3: a nova (des)ordem econômica

Parece incrível que depois de várias e insistentes tentativas contemporâneas de desmoralizar o conceito universalmente espiritual do pobre número três* — terceiro mundo, terceiro setor, serviços terceirizados, etc etc, todos com ranço de terceira classe e tendência terciária ao comportamento corrupto, um baita complexo natural de terceiro lugar — eis que é dado um refresco considerável à sofrível reputação desta ancestral invenção arábica: