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Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
"Há uma paz maravilhosa em não publicar. Publicar um livro é uma invasão terrível da minha privacidade. Eu gosto de escrever. Amo escrever. Mas escrevo para mim mesmo e para meu próprio prazer."
J. D. Salinger, citado em seu obituário n'O Globo





Quarta-feira, 27

não vão logo se animando: a imagem instigante
é pura especulação de fotoshop, clique para o link original.


Pra vocês eu não sei, mas eu, venho há dias aguardando ansiosamente esta quarta-feira. E não só por estar esperando por algum tipo novo de milagre midiático, vocês sabem: depois de levar tanto na cabeça, nosso velho e já-não-tão-amado Obama — segundo sua ex-fã Maureen Dowd, em sua crônica de hoje, um sujeito dissimulado com coração de plástico e cérebro de rúcula que odeia bacon, panqueca e cerveja, mais ou menos isso, tem pior? — fará hoje seu primeiro discurso anual oficial como presidente dos Estados Unidos, o famoso "State of the Union" reduzido pela fome americana de acrônimos a um misterioso "SOTU" — francamente, ou estou ficando burra ou é fácil de entender que é quase impossível saber o que é isso sem alguma explicação prévia, até Joyce teria inveja — onde, espera-se, se recupere dos muitos passos em falso que deu ultimamente.

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Sem medo de ser feliz

Pra vocês pode até parecer uma chatice, mas que foi um instigante começo passar o ano novo na cama, bebendo uma misteriosamente boa champanhe nacional — ops, espumante — de pretensioso rótulo em francês que atende pelo nome "Club de Sommeliers" (só para referências futuras, aniversários e demais celebrações, e que descubro na internet: é produção exclusiva do Pão de Açucar), comendo as cerejas mais suculentas e mais baratas dos últimos anos, com uma ou outra chuva de prata ocasional — ops, redundância — explodindo num silvo agudo lá fora, ao alcance de nossa vista distraída sobre os travesseiros, ufa, e assistindo no Telecine Cult* a um canastríssimo Tom Cruise de perucas variadas mudando gradual e radicalmente, ao longo de sua dolorosa vida de veterano inválido do Vietnã, suas opiniões políticas, ah, isso foi, melhor mudar de frase agora, de frase e de parágrafo, claro, que esta já foi longe demais, não é mesmo? Ufa. Sem danos esta noite.

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E o sonho acabou mesmo

Who's sari now?
Maureen Dowd em trocadilho quase infame, sobre o episódio da penetra de sari no jantar da Casa Branca


Quando vi o sujeito baixinho chegando de motocicleta e adentrando a minha casa branca, com uma atitude convincente de operário competente, confesso: suspirei de alívio. Eu vinha sofrendo há três semanas de um ataque grave de burrice, descaso e descuido nos retoques finais da pintura, vocês me entendem, um idiota loquaz falando em meu ouvido o tempo inteiro e sujando tudo, me deixando louca, inativa, fora de mim.

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De um Éden de araque e outros jardins

Pouco depois de desembarcar no Rio em 1937, aos dez anos, Soil Zuchen exclamou para o pai, em idish: “Is a gan eiden”: o Brasil era um jardim do Éden, aonde os vizinhos puxavam conversa com os recém-chegados e as crianças judias andavam na rua sem ser alvo de zombarias.
Heliete Vaitsman in Judeus da Leopoldina


Dizem que quanto mais alto o cavalo maior o tombo, seria isso mesmo?, tell me about it: Alan vive me acusando de viver assim meio-demente, perigosamente no fio que o valha, diz que é doença, que preciso tomar umas pílulas pra curar de vez a malévola rotina ora excitante ora deprimente, mas, gente. Se pra mim viver assim é, no final das contas, o que faz de mim eu mesma, esta cronista brilhante, uma bola viajante que oscila delirante entre o topo e o fundo, bipolar de carteirinha, coitadinha.

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Vergonha em dobro

Pra não deixar em branco o vergonhoso dia em que Lula e Ahmadinejad desfilaram no Planalto de mãozinhas dadas, vai mais um trechinho da interessantíssima biografia de Clarice Lispector, que será lançada dia 26 no Rio pela Cosac Naif: (sobre o decisivo voto do Brasil nas Nações Unidas, em 29 de novembro de 1947, uau, quase 62 anos atrás, que resultou na criação do Estado de Israel) "O gesto valeu a [Oswaldo] Aranha sua fama como amigo dos judeus, apesar de sua afirmação de que a criação de Israel significava que Copacabana poderia agora ser devolvida aos brasileiros."

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Aí tem coelho verde

Uma das coisas mais curiosas que me aconteceu ultimamente — estou aqui no computador do Alan, ao lado do lado dele na cama: ele nem bem acordou e já está discutindo comigo (com bastante raiva contaminando a poderosa voz de barítono) sobre política americana —, ainda agorinha, imaginem, tendo na mão uma xícara de café quente e à minha frente o meu HP irremediavelmente morto*, foi compreender num átimo iluminado que, embora Alan e eu tenhamos nos colocado em campos radicalmente opostos — no que diz respeito a democráticas preferências partidárias, claro —, na verdade queremos as mesmas coisas e temos medo das mesmíssimas e eternas coisas: miséria mundial, violência, terrorismo, guerras, doenças e, acima de tudo, um mundo inseguro para nós judeus, Clarice Lispector que o diga.

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Pogrom de botequim

Registrem tudo agora — peguem os filmes, chamem as testemunhas — porque em algum ponto na estrada da história um bastardo qualquer há de se levantar e negar que isso tenha acontecido.
Eisenhower, sobre o extermínio organizado dos judeus na Segunda Guerra


Não é que eu desdenhe dos direitos nacionais dos palestinos nem nada disso, quem me lê sabe: nutro até certa esperançosa e pacificadora simpatia por Mahmoud Abbas, que infelizmente, pelo que sei, já está desistindo de sua labuta contra as forças mais radicais.

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O paraíso, onde é mesmo?

Era como se o meio-termo tivesse falido, completamente.
Barack Obama profético in "A origem dos meus sonhos"


Eu sei que deveria ter escrito ontem, afinal de contas era o primeiro aniversário da vitória de Obama, paradoxalmente comemorado pela oposição republicana com a aparente derrota dos democratas nas eleições locais para governador e alguns outros cargos, não sei bem quais, com tanta coisa me acontecendo não tive a paciência de ler direito. E como deu pra ver, entender e não ler, nem de escrever aqui no blog.

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Gulag no Rio

Todo mundo sabe que sou completamente contra Lula, sempre fui, mas, francamente, pegar pesado como fez Gerald Thomas no canto de cisne de seu blog defunto, enfiando Lula no saco malhado de Stalin e arranjando de repente pro nosso presidente um lugar de honra no panteão dos carniceiros... peraí. Assim também não.

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Voto discreto

Sem Marina não tem papo-cabeça, mas já me decidi: em 2010, voto no neto do amigo de vovô.
Porque mineiro, vocês sabem, vai muito além de ser solidário no câncer, maldita diverticulite, sô.
Mineiro não perde o trem. Mas compra um bonde. E não se vende pra paulista.

(Fernando Sabino, quem diria: já são cinco anos de ausência, terá sido o último dos grandes cronistas?)

E tem mais. Minhas crenças eu não me iludo: sempre as mudo.

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Toda unanimidade é burra

Hoje o Brasil conquistou sua cidadania internacional e quebrou o preconceito.
Presidente Lula sobre a vitória do Rio na disputa pelas Olimpiadas


Embora eu seja irônica por profissão e vício, na vida real tenho lá meus raros dias de pequenas alegrias, ops, quase escrevi "alergias". Como a vitória do Rio na disputa pelas Olimpíadas, por exemplo, o que poderia haver de ruim nisso? É o que pergunto sem meias palavras à bela intelectual atormentada, que expressa com franqueza sua hesitação em público, pelo menos pra seu público cativo no Facebook. Por que "parecer inteligente" hoje em dia é esperar que tudo seja sempre o pior possível?

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Seu mestre mandou

clique aqui para o bRog do Raul
Brasil! Mostra a sua cara!
Cazuza, citado imperceptivelmente pelo Presidente Lula

Ok. Tá todo mundo discutindo a conveniência ou não de Barack Obama amanhecer nesta sexta em Copenhague, atrás de Michelle, para a escolha da cidade-sede. Tem muita gente contra — como Alan e sua turma extremista, por exemplo — não só por que Obama tem muito mais o que fazer naquele emprego que ninguém quer ter, mas sim pela corrupção que grassa sem nenhuma graça na Casa Branca, vocês sabem, toda aquela corja mafiosa de Chicago e que ainda por cima é proprietária de todos os terrenos onde seriam erigidos os alojamentos e os estádios milionários, deu pra entender agora? Tem também gente a favor, já que, no final das contas, a olímpica discussão diplomática dinamarquesa acaba de chegar ao andar de cima, com a presença de Lula, do Rei de Espanha e do Marido Japonês da Viajante das Estrelas, por que somente o Crucificado Obama, coitado, ficaria de fora dessa festa armada pra pagar sem ver?
Mas o que ninguém sabe, a não ser, é claro, os brasileiros mais privilegiados, é que Obama vai lá porque Lula mandou que ele fosse, imaginem, quem haveria de resistir a uma ordem do simpático e autoritário presidente Lula?

No Globo Online, depois do longo e tenebroso inverno de nosso descontentamento literário

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Estadismo à brasileira

Não tenho a menor vergonha de ser brasileira, e por que teria? Minha terra tem palmeiras, sabiás, aves que gorjeiam, mas de uns tempos pra cá, francamente, tem se alinhado com a pior escória deste planeta, claro, com a minha bênção é que não é. E espero, nem com a da maioria dos brasileiros.

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Acreditar em quem?

Taí. Nesse caso de Zelaya, o ex-presidente hondurenho retornado, vamos combinar que eu acredito no golpista, mesmo porque muita gente boa está convencida de que o "golpe" em Honduras foi na verdade a favor do povo, da democracia, das instituições, etc., etc. Não me aprofundei no assunto, mas não sei o que acontece com o Presidente Lula que bastou ele abrir a boca, eu já estou discordando. Ou duvidando de tudo o que ele diz.

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Sorvedouro de mitos

Se fosse fazer cálculo em termos pragmáticos, nunca teria feito nada.
Marina Silva, senadora, em entrevista à Folha


Eu bem poderia ter passado sem essa, mas foi acessar o Facebook ontem à tarde e acabei fisgada ou, pelo menos, levemente intrigada: estava lá ferozmente discutido o caso escandaloso de Nelsinho Piquet x Renault, sendo o primeiro progressivamente qualificado por meus amigos de web como "canalha", "canalha e burro", "rico, canalha e burro". Pra quem não sabe o que aconteceu — espelho, espelho meu, existe alguém tão alienado quanto eu? — dei uma lida por cima pra descobrir que Nelson Jr. declarou ter aceitado orientações de seu empregador para bater de propósito em determinada volta e determinada curva da corrida de Cingapura, ufa, com o pouco nobre objetivo de favorecer seu companheiro de equipe, o primeiro piloto Fernando Alonso, uau, eis aqui de repente uma expert inesperada em Fórmula 1.

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Gabeira rides again

Não temos a pretensão de construir um partido de pessoas infalíveis, mas sim de pessoas que, quando erram, reconhecem o seu erro, corrigem o rumo e reparam o que fizeram.
Fernando Gabeira no discurso de boas-vindas a Marina Silva, ô turminha do bem, sô





Pois é, quem diria: esta história ainda não acabou. Tudo dá certo no final, etc., etc., e o final ainda não chegou, não chega nunca, esta é que é a verdade: enquanto há vida há esperança, há sempre surpresas no caminho de toda alma que assim espera, basta que esteja encarnada, ai meu Deus que esta tal esperança resulta sempre em genuína pobreza de espírito literário, mais um pobre clichê, fazer o quê. Ui.

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Termômetro de popularidade


(fonte: Blog do Noblat)

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O país dos Silva

Pra quem costuma declarar em público que detesta a política e os políticos, vamos combinar que tenho investido ultimamente um tempo significativo em tal secundário segmento de pensamento: num livro inteirinho (ainda inédito, se Deus quiser não por muito tempo) de crônicas sobre Obama, por exemplo.
Por outro lado, gosto de escrever sobre o assunto do ponto de vista humano e construtivo e de como ele afeta a mim e aos que me cercam tendo em vista, principalmente, como teria o objeto do meu afeto — sim: é do ponto de vista do afeto que gosto de encarar este processo, que prima quase sempre pela aridez na mídia e pela ampla e irrestrita corrupção de interesses, vai entender — certo potencial de transformar o [meu] mundo e, em última análise — antes de deixá-lo de lado para sempre como cronista —, preenchido tal promessa, uma promessa palpável quando eu falava de Obama e outra nem tanto neste solene momento, quando inauguro sob vossos próprios olhos atentos, um novo projeto de livro sujeito a cancelamentos sem prévio aviso: Marina Silva.

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Lou Reed is a blackman

Nem vou repetir pra vocês que briguei com Alan ontem à noite, que essa coisa de briga entre nós já virou rotina, mas na casa nova... vamos combinar: uma rotina muito perigosa.
Começou com aquela mania que ele tem de assistir à Fox News, o que há de errado ultimamente com essa Fox News?, pensava eu. E descobri: é que estando atualmente na oposição, optou-se na direção da gloriosa emissora americana pela crítica incisiva, maldosa, encorajando a depressão democrática e a violência civil, mas, gente, eram tão competentes quando eram governo, não? Bill O'Reilly por exemplo, já nem digo Glenn Beck, que se fez, depois das eleições, atacando Obama ao vivo, bom pra ele que enquanto rolou amealhou milhões (estou falando de Beck, claro, cuja estrela recente está prestes a se apagar por conta do exagero ao vivo).

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Dá-lhe Marina

Num contexto desses não precisa de texto. Só de pretexto. E de um voto de confiança, claro, deu gosto de ver Marina Silva: vencendo ou não, uma candidata de peso, e bem poderia ser a minha.

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Quem indicia?

Tudo bem que hoje em dia, estando a privacidade como valor máximo humano em plena era de extinção, vai sumindo junto com ela o tênue limite que costumava separar, através de um claro código de ética, o que se pode ou não se pode fazer na intimidade do lar. Ou que favores pedir.

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Os bons companheiros

Bem que eu venho tentando não me aborrecer, não me estressar, que de estressante na minha vida já basta a obra e os 25 operários e fornecedores pouco atentos que eu tenho que controlar, mas o Presidente Lula, francamente, não me dá folga.
Já me indignei esta manhã com a ameaça finalmente cumprida de criar uma nova empresa concomitante à Petrobrás para explorar o pré-sal que — todo mundo sabe, todo mundo viu — com tanto dinheiro gasto por conta tem até poço vazio. Escrevi um post inteirinho, caprichei nas metáforas, mesóclises e mais que absurdas hipóteses, mas, na hora de publicar... pimba, deu zebra no software e lá se foi a crônica inteirinha (sem nenhum backup pra recuperar a historinha, claro) para o buraco negro dos erros de publicação do blogger, um repertório mais gordo do que a história mundial da literatura. E quase tão obscuro quanto. Desisti. Perdi o tom. Deus não quer que eu me meta com a Petrobrás, pensei, deixe pra lá tantas pífias petices, eles que são corruptos que se entendam e vou cuidar da minha vida.
Passou-se o dia e a televisão ao fundo, na Fox News, esgruvinhando ao vivo e a fundo a vida pregressa e as intenções professas da juíza indicada por Obama à Suprema Corte, Sonia Sotomayor, e eu pensando: caramba, tem tanta coisa mais séria, e tanta vida mais bonita, íntegra e edificante, longe dessas picuínhas terceiromundistas recendendo a politicagem barata, pelo amor de Deus: melhor escrever sobre aquilo que realmente emociona e eleva o cidadão, desculpem aí, leitores.
Mas qual. Lula não me deixa em paz. Pois não é que agora há pouco trocava aos beijos e abraços na República de Alagoas com o canalha do Calheiros e... nenhum outro senão o ex-cassado, ex-impedido, ex-caído-em-desgraça e ex-presidente, de dolorosa e vergonhosa memória, Fernando Collor?
Pô. Peraí. Dá um tempo, Presidente.

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O lado bom

Leio no blog do Gerald: "As temáticas de suas primeiras peças, especialmente nos anos 1970 e 1980, costumam ser vistas como muito intensas e deprimentes, enquanto sua fase mais recente tem sido vista como mais superficial e alegre. Bausch justificava essa mudança de forma muito direta: A questão é do que precisamos hoje. Estamos num momento terrível, tenebroso, sério e assustador. Então, procuro dar um pouco de balanço, compensação para tudo isso."

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Two to tango

The rarest of all commodities in this world is love [o mais raro dos bens neste mundo é o amor].
Mark Sanford, governador fujão da Carolina do Sul e latin lover flagrado da vez


"...meu coração clama por ti, tua voz, teu corpo, o toque de teus lábios, o toque de teus dedos e uma conexão ainda mais profunda com tua alma", confessa em tom apaixonado o email acalorado do amante distante, inconformado, involuntariamente transformado em quase-lamento pela aflição constante que tinge de cores impactantes este amor impossível, uau, como soam clichês quando publicadas tais sentidas declarações românticas, Deus meu, quem teria assinado isso? Stephenie Meyer, a musa mestra do amor vampiro contemporâneo?

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O despertar conectado

"As mudanças mais importantes são invisíveis", escreve David Brooks no NY Times. "E acontecem dentro da cabeça das pessoas. Uma nação aparentemente apática se mobiliza de repente. Pessoas perdidas em sua vida privada sentem de repente que sua dignidade pública foi dolorosamente atingida."

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Heil!

(da série: uma imagem vale mais que mil palavras)

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Valei-me, meu Santo Antônio

Que as palavras ensinem e as ações declarem.
do Sermão de Antônio de Pádua


Vocês eu não sei, mas eu hoje acordei rezando por algo que é bem mais grave que um mero encontro conjugal, sob as bênçãos sagradas de um tácito acordo comercial. Há um eixo arraigado do mal no caminho da paz mundial, e por isso o apelo do dia ao santo de amorosa devoção: acendo todas as velas e faço de joelhos qualquer promessa.

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O rei e a majestade

foto AFP para O Globo
(ou: dois mohammeds e um só reinado: em busca de algum [con?]senso)

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O nosso Putin

foto Reuters para O Globo

A felicidade/ Morava tão vizinha/ Que, de tolo/ Até pensei que fosse minha.
Chico Buarque, "Até Pensei"


Francamente. Alan reclama, se encolhe, acha que eu devo deixar pra lá, dedicar-me full time aos detalhes finais do incensado projeto da nossa casinha transparente no meio do mato no qual investimos tanto, mas eu não posso. Não consigo.

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Duplinha do barulho

Todo mundo sabe que não leio mais o Globo faz tempo, e não, gente, não é por raiva, mágoa nem nada, mas porque simplesmente desisti do vício cotidiano de ler jornal, de sangrenta e violenta basta a vida, não?

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Uivando para Lula

E por falar em (meu) estado (de) judeu ainda não sei quanto tempo ainda vou levar — digo e repito — para aceitar, ou deixar de negar, o cada vez mais óbvio viés antissemita do governo Lula (um habitual "vamos combinar" soaria desligado demais para a seriedade em questão, é preciso ressaltar, formalizar, legalmente se resguardar) que pulula por todos os lados em nossa compedrada prática diplomática: permeando o oposicionismo, é grande a grita na dita grande imprensa, e eu? Como me sinto nisso?
Ajo como se nada fosse, nada houvesse que me atingisse, mas, a cada vez que a evidência insiste, mais me parece que arrisco o que não mais deveria: seria o momento de arrumar as trouxas? Desmontar o barraco? Tirar meu bloco da rua ou botar a bronca no google? Hein? Diga aí, Lobo Lula em Pele de Amorim Cordeiro. Cachorros. Em guarda.
Não sei. Não consigo levar isso a sério, embora saiba que por obscurecedores conformismos do gênero, a história ensina, gente do meu tipo acabou perdendo a chance. E a vida.

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Encontro às escuras

(pré-tensão da semana)

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Chave-de-cadeia

"A paz começa com um sorriso."
Madre Thereza

Tudo bem que ao mesmo tempo em que eu, arquiteta protelada, finalmente projeto e construo uma casa, Barack Obama, neomessias, político (tão talentoso quanto) inusitado, se ocupa em projetar e construir algum outro mundo (que não esse nosso de todos os dias).
Tudo bem até os auspícios primícios para Ahmedinajad e outros renegadores sionistas; o coração aberto para "refugiados" sem que estes um dedo se demovam de seus arraigados, fraternalmente explorados e jamais revistos preconceitos; a fenda alargada para o absolutismo cansado dos envelhecidos irmãos Castro (relevando a prévia má-vontade, pior, mais grave: perversidade não apenas egendrada, mas frequentemente cometida): um amplo armistício globalizado sem precondição alguma, preconizando a utopia do amor onde antes só ódio se guardava. Tudo bem. Muita exigência em rompimento litigioso — como breve e atropelada estratégia de conciliação — nunca deu muito certo, eu entendo: faz-se necessária radical reconfiguração, sem nenhum prévio abuso de duras condições, até aí tudo bem, parece bonito, mas...
Tudo bem que, como diz o Alan, se a gente não sabe bem o que está por trás, precede ou se segue ao factualmente observado, falha sempre em compreender o acontecido, mas, ô, peraí: sorrisos tão francos trocados com Chávez pra mim foi demais. Ainda não deu pra engolir.

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A farra do chá

Hay gobierno? Soy contra.
(lema anarquista das antigas, nem mesmo no Google descobri de quem e de quando: desculpem a ignorância de uma ex-hippie, a que não fui não tendo jamais sido)


"A Festa do Chá de Boston", alerta a wikipedia, "foi um protesto dos colonos de Boston, uma cidade na colônia inglesa de Massachusetts, contra o governo britânico. (Este artigo se refere a um protesto de 1773. Para outros usos, busque Festa do Chá de Boston*)."

foto: Reuters

Poucas coisas, vamos combinar, são tão patéticas quanto procurar reeditar, ou mesmo tentar compreender à meia-luz confusa que a teia difusa do tempo engendra — tempo: clássica ilusão palpável que todos experimentamos tão fundo, tanto na carne quanto na mente —, fatos atuais incongruentemente descritos na língua do passado.

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Preconceituosa, eu?

E por falar em mudar de idéia, ops, ideia, reeducar a mente, passar por cima de quem mente, ou, numa sociedade deprimente como é a nossa, passa por simples demente (quando quer transformar alguma coisa), esclareço: me arrependi rapidinho do chão sujo aí em baixo, calma, gente, o que me passava pela mente naquele momento era que o mais frequente é que qualquer chão seja sujo, contaminado, pisado e repisado, se é que vocês me entendem, porque eu, rapidamente entendi que a expressão na frase, escrita e publicada num calor de momento, cheirava a preconceito antiárabe e, sim, mera raiva, mas vejam bem vocês que, antes que eu editasse, a internet saiu do ar aqui em Itaipava, e os telefones também e, consequentemente, a blogueira também: foi perorar em outras plagas.

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As leis ocultas do patriotismo
(ou, a arte de mentir ao público)



No outro dia um amigo meu, com quem compartilho o interesse por ditados, provérbios e citações, me mandou por email uma lista deles, encabeçado por certa definição acurada do termo "política", vejam: "São os líderes do país que determinam a política e é sempre uma simples questão de envolver o povo, seja em uma democracia, ou ditadura fascista, ou um parlamento, ou ditadura comunista.

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Na contramão da união
(ai meu nariz mineiro!)

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No novo iPod da Rainha

(da série "a Lula o que é de Lula": Esse é o cara! )

(sobre AP Photo/Kirsty Wigglesworth, Pool)

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A Lula o que é de Lula

Verdade seja dita: com seu bocão maior que a lua, Lula botou finalmente os bofes do Brasil nosso de cada dia nas primeiras páginas da imprensa primeiromundista, até Maureen Dowd, minha imperialista colunista favorita do NY Times, capitulou, bateu cabeça para nossa embaraçosa retórica passadista. Confiram!

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Bonfim, o modelo

...esperando que você goste desta verdade em forma de mentira (ou será o contrário?)
Sérgio Rodrigues, sobre seu romance Elza, a garota, em dedicatória privada


Logo no comecinho do livro aquele trecho insignificante, lido em timing excitante, levanta a (involuntária?) lebre marota do destino que, mui espertamente, se furta à caça aviltante — patrulha ideológica, era o que eu queria dizer, e de direita (?) — no texto onde se insinua: (transcrito de O Globo, edição de 16 janeiro de 1936) "...uma jovem loura e encantadora, de olhos azuis muito vivos", ops, peraí, gente branca de olhos azuis, Presidente? Que novo estigma de traidor seria esse?

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Mereceu!





Coisa rara, raríssima, é o Brasil na grande mídia americana, gente, mas a estrela de Lula da Silva brilhou agorinha há pouco na arena internacional, mais especificamente no "The O'Reilly Factor" da Fox News que eu nem assisto, Alan que me contou: entre "pinheads" [idiotas] e "patriots" [patriotas] Lula foi considerado "pinhead", na cabeça!, com o perdão do trocadilho, e bem merecido, "gente branca e de olhos azuis", o que é isso, Presidente? Ai que constrangimento.

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Happy Nowruz


Não me candidatei a presidente para passar esses problemas para a próxima geração. Me candidatei a presidente para resolver esses problemas para a próxima geração.
Barack Obama no Tonight Show de Jay Leno, piadas infames à parte


Economia de pacote ou economia de paquete? Sei lá.

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Toda unanimidade é burra?

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Obama & Lula II

foto: Associated Pressda série: uma foto [desfocada] diz mais que meia dúzia de declarações conjuntas

"The president and I had a wonderful meeting of the minds."
Ui. Decepção (com Obama, é claro).

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Obama & Lula

"Lula e Obama têm trajetórias semelhantes", diz Dilma, a caminho da Casa Branca para o rendez-vous. Faltou mencionar o diploma de Harvard, claro. E os best-sellers publicados, o gosto pela leitura, a intimidade com a internet, a modernidade nos gestos e pensamentos, a retórica refinada.
Numa coisa se igualam: na aceitação popular. Por todos os motivos acima citados, que não poderiam ser mais diferentes, ah, tudo bem, ambos pretendem, cada um a seu modo, assumir a cátedra máxima do weltverbesserung: melhoradores do mundo.

***

Enquanto isso, num pequeno país mais ao norte... a opinião publicada de certo presidente latino completa gloriosa sua volta ao mundo.

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Banana Republic

Curioso é que quando morei nos Estados Unidos com Alan, há quase cinco anos e com o dólar beirando os quatro, eu acreditava, mesmo, que era minha obrigação moral manter-me a par das notícias do distante Brasil, custasse o que custasse, e olhem que não era tão fácil como hoje, com tantos sites de notícias dando de graça, pra quem se interesse, a sopa de letrinhas do Zarur. Pois é. As coisas mudam.

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Aos que odeiam e aos que amam

O Santo Beck e O Porco Obama
Que eu me sinto frequentemente estúpida ao ser contestada por Alan em cada mínimo pensamento não é novidade pra ninguém. Mas ultimamente... francamente: tenho me sentido tão confusa com o que chamam de mera realidade que só me consolo logicamente carregando no proibido advérbio: incoerentemente. Pois é.

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Os jacarés e a lama


Do Haaretz: "OLD FRIENDS: Benjamin Netanyahu and Avigdor Lieberman in 2004. Lieberman on Thursday backed the Likud chair as Israel's next leader. (BauBau)"


Sai dessa, Tzipi Livni (atenção: são dois links diferentes, tão diversos quanto a disputa política em Israel). Em buraco de corja tatu não mete a colher.

(errei. errei sim. e agora euzinha, quem diria, linkando o horrível Gideon Levy)

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Contos da carochinha

clique para ler e ampliar
Leio no blog de Reinaldo Azevedo um post de subliminar ironia sobre os discursos mais recentes de Barack Obama (a ironia por conta de Reinaldo, claro), reproduzindo um texto publicado na Folha e escrito por Fernando Canzian, melhor daqui por diante esmiuçar tudinho bem direitinho, vocês sabem: há precedentes graves. O artigo atribui a B.O. e a seus "pacotes de ajuda" um tom "populista", mas, gente, não é o que eu tenho visto. Popular, sim, ou, no popular: honesto, íntegro, exemplar.

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Yankees e yahoos: a última melhor esperança da terra

do alto de seu trono de mármore, 200 anos de Abraham Lincoln nos contemplam
And the tragedy of it is, says the citizen, they believe it. The unfortunate yahoos believe it.
James Joyce, Ulysses

Gente. Agora que moro no mato e não leio mais O Globo estou tão por fora dos acontecimentos diários que nem reparei que o horário de verão tinha terminado ontem. Rápido, não?
Bem. De um jeito ou de outro, continua funcionando aquele desconhecido e raramente reconhecido mecanismo intuitivo que prova, até prova em contrário, que tudo que a gente precisa saber de verdade cai no colo da gente, mais cedo ou mais tarde. A questão do horário, por exemplo, descobri num email de TC, minha supereditora.
Mas há outras (coisas) — detalhes pequenos de nós todos que definem o mundo — que é preciso cuidar pra não deixar passar, que é preciso tecer entranhadas na trama intricada que cria o futuro. Como, por exemplo, o discurso de Obama no aniversário de Lincoln que quase perdi, mas acabei de conferir no santo youtube, aqui e aqui, imagem pra toda memória. Valeu a pena. Sutilmente inserido lá pelo meio do texto bem-humorado, idealista, apenas levemente (auto?)laudatório (ele bem que merece) de Abraham Barack (do hebraico: pai do povo abençoado), repousava a ainda não descoberta, ainda não propagada chave mestra da novidade, o código genético da mudança prometida pela Era Obama:

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Do Rosner's Domain

"Evite as notícias de Israel por uns dois dias. Se a história nos ensina algo, é que os primeiros dias de contrução da coalisão são uma perda de tempo. É tudo adiamento, manipulação e posicionamento. Os viciados em notícias conseguem muita informação de relevância zero. Meu conselho: leia um bom livro, saia para jantar, passe um tempo com a família, e volte às notícias daqui a uma semana mais ou menos. Você poupará um tempo valioso."
Vale também para as primeiras semanas de Obama, para a construção da candidatura de Dilma, para os conflitos internos no PSDB, para a gravidez abortada de Paula na Suiça e, last but not least, para os fins de semana, vamos combinar: nada de realmente importante acontece entre a sexta à tarde e o meio-dia de segunda, a não ser, claro, namorar muito.
Quanto a mim, estou novamente ocupada com mais uma revisão interminável de Língua. Chove cântaros. Trabalho. Adoro. Até.

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A volta dos mortos-vivos

Dubai Towers, EAU
Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.
Sermão da Montanha, segundo São Mateus


Não é agosto-mês-de-desgosto nem nada, mas não sei se vocês repararam: apesar das promessas festivas do carnaval que se aproxima — um cheiro de gozo exclusivo do Brasil de Lula e Dilma —, hoje é sexta-feira 13. E cá entre nós, não faltam adeptos da Lei de Murphy espalhados por aí a torto e a direito: a palavra dada, vamos combinar, está na ácida boca trevosa deles.
Pra começar bem, ou melhor, pra começar bem mal, nada como o incipiente fracasso dos animados planos pós-partidários de Obama, tantos projetos de mudança ainda nem a bem da verdade sonhados e já destroçados no primeiro parto, destinados ao agudo descaso das muitas cassandras em franca atividade, e olhem que algumas eu respeito à beça, há que escutar do que estão falando. Como David Brooks, por exemplo, descrevendo um cenário sombrio de futuro que a gente bem faria se fosse evitado: pra sexta-feira 13 nenhuma botar defeito. O ambiente é de sonhos desfeitos, quase-pesadelos.

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FHC e a salvação da lavoura

Não sei se vai dar José Serra. Não se vai dar Aécio Neves. Ou quem sabe um brilhante terceiro (ainda desconhecido do público eleitoreiro). Mas, mesmo assim, sim, tucanei: resolvi me declarar uma fã de FHC de primeira hora. E não é por causa da liberação da maconha não, gente, não me entendam mal que eu nem fumo faz um bom tempo, mas, cá entre nós, entendo perfeitamente o transtorno criminoso causado em nossa sociedade pela longevidade de mais este tabu inútil: quem quer se drogar, se droga. Não importa o preço. Não importa o tiro.

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Trillionen


"Me kakt mit die millionen", já dizia a minha irônica avó (sim, gente: é de família). E agora, vejam só: ao vivo e a cores pelas telas da tevê e dos computadores, um cambaleante Tintim Geithner com sua vozinha de taquara rachada, hesitantemente preocupante, acaba de romper a sagrada barreira pública do trilhão de dólares.
Quanto a mim, que nada sei, o que sei é que, a partir de certo número de zeros à direita do algarismo principal, a dança das quantias deixa de fazer o mínimo sentido para qualquer cidadão menos fornido. São os mais atingidos, claro. Já os economistas... hum. Não sei. Certeza não tenho, mas cá entre nós, acho que perderam o senso, ora direis.
O problema com Geithner é que este sujeito, diferente de Obama, é uma caricatura pronta ( se o Alan não fosse tão preguiçoso eu encomendaria uma, exclusiva para o post: sairia bem melhor do que essa aí). E péssimo ator: embora o chefe, sempre generoso e convincente, tenha prometido a ele seus quinze minutos de praxe, bem: TG não soube muito bem, aparentemente, que diabo fazer com eles. Agora imaginem os muitos trilhões liberados nas mãos suadas dele... bem. Hum. Pode até ser que ao longo do tempo essa coisa toda acabe dando certo, vocês sabem, os caras são bem preparados, e queira Deus que bem-intencionados. Ou então, é como diz o ditado: mesmo um relógio parado mostra a hora certa duas vezes por dia.

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Mágica jornada misteriosa

E você, aceita a ideia de que não há explicação?
Julio Cortázar


"Depois da miraculosa campanha eleitoral de Obama em 2008, ficou claro que em algum ponto a mágica jornada misteriosa teria que ter um fim", escreve Charles Krauthammer em artigo que li, pasmem, no Jerusalem Post, sim, hoje é dia de ler in loco sobre mais um mistério eleitoral prestes a se desenrolar noutro canto crucial do mundo.

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Uma questão de imagem

Words? Music? No: it’s what’s behind.
James Joyce, Ulysses


Quando cedo esta manhã a caminho da obra o Alan me perguntou qual seria o tema do dia aqui no blog, hesitei bastante ao responder. Já vinha se formando aos poucos na minha mente o paralelo irônico entre a manchete do dia sobre as distorções do PAC e o falso rosto sorridente de Dilma Rousseff logo abaixo, em dose pra calar na capa d'O Globo, exemplar perfeito de publicidade engajada: ambos, mãe e filho, repaginados e cuidadosamente maquiados para adaptar-se ao crucial momento político e às conveniências eleitorais do partido, pô, meio chata hoje, irritada, não estou me encontrando no tom, aí, foi mal. Deve ser por medo do diabo, mais feio até quando se pinta.

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Pesos e medidas

Che, Mao e Stalin: Trio Ternura da humanidade

Triste do país que precisa de heróis.
Bertolt Brecht


Tem causado espécie no blog de Reinaldo Azevedo a patética entrevista concedida por Benicio del Toro a uma engajada Marlen Gonzalez, um vídeo que tem percorrido o youtube com o maior sucesso, e em se tratando do popular Tio Rey (com y, sim, pra evitar a tentação de uma excessiva majestade), vocês sabem, as centenas de comentários fazem a festa, mas é mais uma coisa do tipo "quando um burro fala o outro abaixa a orelha", se é que vocês me entendem:

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Na Ala 3: a nova (des)ordem econômica

Parece incrível que depois de várias e insistentes tentativas contemporâneas de desmoralizar o conceito universalmente espiritual do pobre número três* — terceiro mundo, terceiro setor, serviços terceirizados, etc etc, todos com ranço de terceira classe e tendência terciária ao comportamento corrupto, um baita complexo natural de terceiro lugar — eis que é dado um refresco considerável à sofrível reputação desta ancestral invenção arábica:

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Um (lauto) comentário na caixa de Tio Rey

Caro Reinaldo, seus argumentos são lógicos, e bastante convincentes, claro, você escreve muito bem e é por isso que eu venho sempre aqui, isto é, passei a vir por seu apoio a Israel e em meu tempo ampliado, agora que não leio mais tantos jornais. Mas você não está tão só. Muita gente (na Fox News, por exemplo) pensa como você. Mas eu, embora como você não seja "uma boa pessoa", nem tanto.

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Ler é muito perigoso

Duvida? Comprove:

A biblioteca de Hitler, um leitor apaixonado
Coisas que você precisa saber sobre Gaza
Desconversas com Deus

Há mais, com certeza, e com certeza, até aqui neste blog. Basta procurar com afinco.
Conclusão? Melhor não acreditar no que você lê.

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Ministério Púnico

Eu não ia falar nada, mas se o Lula pode, eu também posso. Afinal de contas, o próprio presidente diz que no Brasil de hoje cada um fala o que quiser, desde que, claro, arque com as consequências, e cá entre nós, eu tenho um medo pânico das consequências. Nasceu comigo, sei lá, por eu ter sangue de judia perseguida, ou como querem os mais realistas, judiada. Ou, quem sabe, por ter crescido em uma ditadura militarista.
Não votei em Lula, não voto em PT, e ainda por cima tenho por esse pessoal todo uma antipatia congênita que às vezes pode até se revelar gratuita, não no caso, é claro, desse viés antissemita que o Brasil vem assumindo, quem sou eu pra saber se é mesmo verdade ou apenas fofoca da oposição. Espero que não seja. Verdade, quero dizer, que seja apenas fofoca, etc etc. Vivemos tempos perigosos, eu já disse. E pra não deixar que vocês esqueçam, repito.
Pois longe de mim logo agora, que este governo está perto de morrer na praia, virar subitamente a casaca e cair de amores por Lula (e com essa atitude, ainda por cima, ter que me preparar para engolir a Dilma), não, gente. Mas aqui na intimidade, sem confessar pra ninguém, sempre achei que, apesar de iliterado, de burro esse Lula não tem nada, uma impressão mal-fundamentada que se confirma na entrevista da Piauí (que eu, claro, li no site do Globo; meus pares intelectuais que me desculpem, mas não leio a Piauí, nem coberta de ouro pelo governo, mas é só porque não tenho tempo, viu, gente?). Aliás, uma coisa que venho entendendo cada vez melhor, e acho que no caso de um presidente se multiplica à enésima potência, é que o mundo se divide entre os que escrevem e os que leem; entre os que falam e os que ouvem; entre os que criam e os que copiam; entre os que duvidam e os que acreditam; entre os que pensam por si e os que se deixam manipular. Já deu pra ver em que lado do espectro prefiro me colocar e, claro, arco com as consequências disso, agora imaginem o presidente da república. Isso, que por ser muito ingênua — ou quem sabe, um pouquinho de boa-vontade comigo mesma não custa, muito desligada — não percebo por trás de qualquer parágrafo publicado as maldades embutidas, não me preocupo com isso, será que deveria?
Bem, quanto à entrevista do presidente, leiam. Percebam. Opinem. Mas com o espírito desarmado e livre das múltiplas intenções ocultas que cerceiam a liberdade, não da imprensa, mas do pensamento.
Ah, sim, a revelação bombástica aí de cima, lembram? Aquela que me permito por causa do presidente Lula? Pois é, ah, gente, esse Ministério Púnico. Nem contei pra ninguém, venho aguentando tudo sozinha e, na medida do possível, bem caladinha, mas bem, hum, sabem aquele processo de venda do apartamento para levantar fundos para minha mãezinha doente, e depois de anos de alzheimer também bem mais pobrezinha? Pois é. Depois de um ano de lutas tivemos a permissão, vendemos o apartamento. Só que o Ministério Público, no que acredito — mesmo, viu, gente? — seja uma preocupação fortíssima com o bem-estar da minha idosa, prendeu o dinheiro apurado numa conta a que ninguém tem acesso, e desde então, imaginem, um, dois, deixa eu ver, seis looongos meses, tenho sustentado mamãe sozinha, bem, enquanto o meu dinheiro der, porque quando acabar, vou reclamar com o bispo.
Agora imaginem este tipo de intenção protetora, das quais sabemos, o inferno está cheio, multiplicada por nem sem quanto, a nível de um país sufocado pela burocracia. Lula está certo: é um atraso de vida, um tiro no vazio que muitas vezes sai pela culatra e no meu caso, em vez de proteger uma vida desfavorecida, terminará por lhe ser fatal.

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Eu me odeio

A trama da mídia anda tão bem urdida que até os judeus já estão começando a atacar os seus (e embora o link seja do Globo não é só no Globo não, como se verá mais abaixo), uma espécie de doença autoimune da mente. Não é meu caso, graças a Deus, mas o Alan aproveita o ensejo e entope minha caixa de emails com artigos sobre o ódio a si próprio, comum em povos longamente humilhados e perseguidos. Será por isso que os palestinos se matam uns aos outros?
Tem provado ser apenas wishful thinking, um erro grave, infelizmente, o sentimento vigente de que estamos historicamente além da possibilidade do antissemitismo, uma ilusão mortal que afinal de contas, os judeus alemães cultivavam também no início da ascensão de Hitler.
A coisa informe e maldita já desponta nem tão sutil assim na Itália hoje, por exemplo, numa versão (por enquanto) suavizada da famigerada Kristallnacht. Outros, mais alarmistas, andam colando pelo em ovo que pode sim, pelo já visto, acabar peludo. Vivemos tempos perigosos.

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Retórica 666

"No princípio era o verbo; no final, será a falta dele."
Euzinha mesma, frasista de araque, por puro apego à força de uma frase


Pronto. Começou. Nem bem chegou o dia da posse e já se alevantam os palpites em contrário, ainda que nobelmente sensatos. Calma, gente. Faz parte da força de um presidente o carisma verbal, acredito eu, um talento para os bons argumentos que a todos motiva, transforma, provoca a reflexão e por consequencia indireta, estimula a ação.
Tá certo. Se engana quem se consola com um mero primeiro passo de vitória, precocemente aliviados ao pensar que se calam, sem nenhum argumento, os franco-derrotistas de praxe, deem um tempo ao tempo da experiência.
Agora. Pior seria se, ao se afastar do puro exercício da língua política, o nosso guru tão amado dirimisse a primazia da lógica em detrimento do nosso lado, aí, sim: seria o reinado anunciado da besta descontrolada do apocalipse. Arrisquei. Mas não digo jamais que ninguém me avisou, isso não. Ai que me dá um arrepio de medo.

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Dia três: órfã de colunista

(da série: os sem-jornal)

"À sua meia-irmã permitia a leitura de jornais, mesmo assim com pelo menos um mês de atraso: sem poder destruidor, poéticos já."
Thomas Bernhard, nas frases do dia de uns meses atrás

Vamos combinar que já fazia um bom tempo que eu nem bem lia, quando muito apenas folheava o jornal impresso, me preparando, quem sabe, para o salto libertador final. Afinal de contas, todo mundo sabe que o nosso planeta conectado é movido a notícia, e qualquer breve link gratuito na web já te deixa a par de tudo que acontece no mundo: o mal-estar da atualidade nos persegue, e difícil mesmo é escapar dele, haja meio-do-mato.

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Carta reaberta

Está circulando pela internet, e publicada no site do meu mais recente facefriend Idelber Avelar — um intelectual, um joyciano acima de tudo o que quer dizer, imagino, um sensível militante incondicional da paz —, uma carta aberta do israelense Uri Avnery a Barack Obama. Leio a carta por alto e mesmo assim ela incomoda: soa como aquelas correntes frankensteinianas que circulam pela web, como esta que recebi hoje por email, um "depoimento de Victor Hugo adaptado por Vinícius de Moraes", pequenas doses de sensatez amarradas por clichês, grandes absurdos.

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Entre eufórica e estupefata*

"Os cães ladram e a caravana passa."
Provérbio árabe, apud Ibrahim Sued


Nem é que eu queira assim, de última hora, defender a gestão controversa de César Maia no Rio de Janeiro, mas que foi gostoso ler no Globo a *descrição da maravilha que ainda não sei se é, mas que certamente virá a ser, essa Cidade da Música, ah, isso foi — e olhem que ultimamente essa coisa de maravilha é de se contar nos dedos.

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Terra safada

no Globo online, com cortes:
Silêncio na Cidade da Música do Rio
A leitora Noga Lubicz Sklar faz uma prosa poética da fracassada tentativa do prefeito Cesar Maia de inaugurar sua "faraônica" obra na Barra
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Comente! Deixe lá seu voto!

do Aurélio:
Terra safada. 1. Bras. S. Terreno improdutivo, esgotado.


Desde que, redentor da miséria íntima de cada brasileiro, flutuava de braços abertos sobre a saudosa Guanabara, triste tem sido esse vôo rasante do nosso Rio de Janeiro, perdeu o tom, seu destino excitante renegado em picuínhas pedantes, Rio, cidade que nos faz jus: de dia sobra mágoa e de noite explode o obus, me vexa que eu voto, ave César. Vexame.

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Causas impossíveis

"A arte é sempre e em todo lugar a confissão secreta, e ao mesmo tempo o movimento imortal de seu próprio tempo."
Karl Marx


1. Tudo bem. Eu entendo. Deve ser minha própria tendência particular à depressão, esse caro e intermitente transtorno elemental que entorta os meus temas e faz com que eu queira, digamos assim, que esta crise social não termine tão cedo, mas e daí?

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Day after # 1

O mais engraçado é olhar para trás e perceber quão absurda se tornou de repente uma afirmação que há nem tanto tempo assim era a pura expressão do seu mais límpido pensamento, é, gente: antes que se perceba é fato consumado que as coisas mudam e, muitas vezes, radicalmente: "eu odeio a política".

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Ao perdedor, as baratas

Apertem os cintos que o... ah. Tudo bem. Deixa pra lá que já cansei desse assunto, e não foi só o cozinheiro, como aliás, escrevi no post de ontem. Lendo o NY Times é que a gente percebe claramente a perplexidade geral com a falta completa de liderança — num país que desde que me dou por gente me acostumei a ver como o grande pai, na pajelança do mundo —, taí: quando a coisa apertou revelou-se por dentro outro Mágico de Oz, cuspindo sem regras pra seu próprio prazer num paraíso de rico, do tipo que só Hollywood vê.

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O xis da questão

"Tostines está sempre fresquinho porque vende mais? Ou vende mais porque está sempre fresquinho?", indagava aquele comercial famoso dos anos... sei lá, faz um bom tempo. O negócio é que funcionava na certa: você comprava o Tostines e ele era sempre fresquinho mesmo, não ficava só na promessa não.

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O pai dos pobres


Eu nem me lembro direito como foi, vamos combinar. Mas houve uma vez, quando eu era bem jovem, em que mamãe instruiu a todos lá em casa a responder de forma adequada a um oficial de justiça que eventualmente bateria à nossa porta sei lá por quê, algo nos negócios de papai que teria dado errado sem maiores conseqüências futuras, afinal de contas é da (honesta) herança dele que a gente viveu estes anos todos. Mas me lembro muito bem da minha reação de medo, de insegurança, de desconforto.

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Projeto divino

(no Globo online)

"Não pode haver propaganda enganosa", declara heróico e em letras garrafais, no Globo deste lúgubre domingo, o Presidente do TSE, defendendo o direito à verdade que todo cidadão do planeta tem. Ou deveria ter. Porque neste exato instante, queridos, não se enganem: o alto preço da verdade se revolve nos intestinos do mundo prestes a ser cagado, me desculpem a grossura, mas o momento não se presta a delicadezas. Ou falsos protocolos.

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O novo ópio do povo

celfoto Noga Sklar: espera-mamãe ao pé do Corcovado
"Injustiça dizer que intervenção do governo para salvar instituições financeiras prova que as leis do mercado não funcionam. A primeira lei do mercado é: quando em dificuldade, peça ajuda do governo."
Luis Fernando Veríssimo (eu garanto)

Pois é. Enquanto eu estava ocupada no Rio, por fora deste atualmente e mais do que nunca insensato mundo, esquecendo marido e disposições em contrário ao comandar uma equipe eficientíssima de mais ou menos umas 20 pessoas dedicadas a transferir minha mãe de domicílio o mais rápido e com o mínimo dano possível (pra provar que não sou sexista, não, de jeito nenhum, já vou logo relatando: uns 90% de mulheres — bem acima da cota obrigatória — aí incluídas gerentes de banco, corretoras de imóveis, negociadoras de antiguidades ao vivo e na internet, advogadas, juízas, promotoras, acompanhantes, e não custa nada acrescentar que adorei a eleição de Tzipi Livni para líder do Kadima e provável primeira-ministra de Israel, maiores informações e pedidos de recomendação: cartas para a redação), vamos combinar: o bicho lá fora pegava feio, o que só descobri ao chegar em casa ontem à noite, 24 horas antes do previsto e 72 depois do início da grande queda.

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Minoria silenciosa*

"Não dá para negar que Lula avançou, mas sua capacidade de aglutinação representa hoje um retrocesso no nível de consciência do país. Os anos Lula serão lembrados como anos de silêncio intelectual."
Senador Cristovam Buarque (PDT/DF)


Tá certo que venho ocupando espaço demais aqui no blog com a emocionante e vital disputa eleitoral americana. E não é que eu considere irrelevante a campanha local, gente, não, mas a coisa vai tão mal, mas tão mal, que já ando até citando herdeiro político de Leonel Brizola, vê se pode, ops. Peraí que não é por aí.

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É (cabo de) guerra!

põe força nisso, aí, gente!Ufa. Dessa a gente escapou, e imaginem que ando tão absorvida na maravilha que é a minha nova rotina, com o clima quente — quentíssimo, cadê o inverno gelado da Serra? — de montanha, com a gentileza do povo local, com a vista, com a água, com o gosto da comida, com o projeto de arquitetura da casa nova (vem nova velha profissão por aí, será que ainda dá tempo?) que nem me dei conta que a esta altura poderíamos estar todos mortos. Sugados. Reduzidos a pó da forma mais inesperada e isso, imaginem, no exato momento em que Deus seria teoricamente vislumbrado.

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Nas tripas

Não sei se o critério serve para investir na bolsa, por exemplo. Parece que não. Mas que achei curioso ler no artigo de Thomas Friedman no NY Times a descrição de como funciona a psicologia do eleitorado, isso eu achei: nas tripas. Pois é assim mesmo que (todo dia de manhã) eu escolho motivo de crônica, ou candidato a presidente, ou até atração por amante (um bom marido, dizem, a gente pega pelo estômago), uma coisa que todo mundo sente bem lá no fundo mas que dificilmente se explica.

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Ameaça global

Quien és mas macho?
Num último movimento desesperado, tentando me resgatar para o lado dos mais "bem-informados", mais "inteligentes" e mais "preparados" candidatos e eleitores republicanos à presidência dos Estados Unidos, meu cada vez mais inconformado marido americano resolveu apelar para uma ameaça ao que realmente me assusta, bem, pelo menos da boca pra fora: o bolso.

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Energia limpa

"O país que produzir o maior número de companhias dedicadas à tecnologia da energia gozará de maior poder econômico, vantagem estratégica e níveis crescentes de qualidade de vida."
Thomas Friedman para o NY Times


Na citação acima, Friedman faz ainda um ótimo trocadilho intraduzível — isto é, que eu não consegui traduzir, já que energia da tecnologia seria completamente outra coisa — quando chama a tecnologia de energia de "E.T." [Energy Technology], deu pra sacar a ironia? Pois é. Claro que para os americanos e todo o resto do mundo, fale inglês ou não, "E.T." significa uma coisa estranha, extraterrestre, alien, fora de alcance, né? Um lar muito além do lar, transferido para o espaço sideral, se é que vocês me entendem.

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Delírios Cotidianos

Está no Liquidificador do Megazine: "Delírios Cotidianos", livro publicado pela LP&M em edição que não pesa no bolso, reúne as oito histórias clássicas de Charles Bukowski publicadas em dois álbuns nos anos 1980, ilustradas em pb por Mathias Schulteiss, ambos alemães. Vamos combinar. Dizer que Bukowski é alemão equivale assim, mais ou menos, a dizer que Noga Sklar é israelense, guardadas as devidas proporções, claro. Equívoco cívico que, aliás, já me causou muito aborrecimento.
E por falar em delírio, vamos combinar que Jabor pegou pesado em sua coluna de hoje com o "hipócrita McCain", balas republicanas, Jabor? Peraí. E eu que andava preocupada com o blablablá em torno do furacão Gustav, hein? Tá certo que uma boa temporada em St Augustine pira qualquer um, o Alan está aí mesmo pra provar isso, e eu também, claro, embora em menores proporções: só morei lá por seis loongos meses, tudo em nome do grande amor. Agora. Para toda hipocrisia existe limites, não? E neste quesito McCain perde longe para sua comparsa Sarah Palin — ops, Barracuda — a Mulher Maravilha dos republicanos, conservadora ferrenha a favor da castidade antes do casamento, tsk tsk: casa de ferreiro, etc etc.

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O olho gordo do furacão

foto NY Times: homem em fuga arrasta seus bens pela Bourbon St.
New Orleans esvaziada: na rota do furacão?De duas uma: ou Deus é um Democrata ou então Barack Obama é mesmo o enviado (gente!, seria um pacto com o diabo?). Penso seriamente nisso e me pergunto: estarão os Republicanos capitalizando a provável futura calamidade — causada pelo furacão Gustavo — para defender-se de um provável fracasso futuro?
Bem. Hum. Tem coisas que a gente diz em crônica que, francamente, envergonham qualquer resquício do humano em nós, em mim, pelo menos. Mas vamos combinar que a chegada desse furacão categoria 3 — ops: 2; ops: 1 — bem no dia da convenção e, imaginem, quando a gente já ouvia uma esfarrapada explicação na tevê para o clima "intimista" do encontro republicano — pra não dizer derrotista, ou fracassado, ou derrotado mesmo: depois daquele empolgante show democrata ficou difícil manter-se à altura, e a jovem vice justiceira escolhida a dedo pelo velho McCain não ajuda muito, é ou não é?

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Dízimo republicano

Não sei muita coisa sobre "Men in trees", esse seriado da Warner que só assisti umas duas ou três vezes, uma baboseira romântica gostosa que se passa numa cidadezinha perdida do Alasca, taí: até há pouco o produto mais popular do meio obscuro estado gelado americano, agora nas paradas de sucesso por outros e mais amplos motivos, era justamente este seriado, (não é nada) sério, gente.

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Feliz aniversário, John McCain

Não, gente. Não virei a casaca desta vez, e nem pretendo.

Tá certo que o Alan (pra quem ainda não sabe, meu insuportável marido americano), se lesse português, haveria de rir muito (ou se indignar, a gente nunca sabe) com o artigo de Luiz Garcia no Globo de hoje, senão vejamos:

Garcia: Ted Kennedy, o último dos moicanos, ops, dos Kennedys, foi o político mais importante do Partido Democrata nas últimas três décadas.

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Serra aos sábados

Shabat na serra: as velas, a flor, o pão, a truta no prato
o cotovelo à direita é do Alan , a foto ruim é minha mesmo Tá certo que andei ocupada à beça durante as Olimpíadas, vocês entendem. Cuidando da minha própria superação (ops, revolução, saída fugida do caos, bons temas chineses esses, não?), no noticiário esportivo não prestei muita atenção — melhor pra mim que escapei do chororô geral porque agora, que virei uma otimista nata, não estou mais nem aí pra nada disso —, mas vamos combinar que este ouro de Maurren Maggi foi bacana demais, né? Com tudo em cima: idade, fracasso, paciência, recuperação e tudo o mais, uma boa lição de persistência, valeu por todos nós, Maurren: tudo vale a pena quando a alma, etc etc.
Pois foi lendo o Globo esta manhã que acabei me sentindo meesmo uma itaipavana: recebi o jornal com o Caderno da Serra a mais, mais um lugar para mendigar um bom espaço de crônica, oba, tô nessa. Tá certo que ontem mesmo já quase me senti uma local, enquanto comentava com o atendente da loja de materiais de construção a reportagem do Globo sobre violência, tráfico, favelas, etc etc, tudo isso bem aqui na serra, imaginem se eu vou permitir uma coisa dessas: no passarán, é o que eu espero, isto é, que a história não se repita nunca, pelo menos aqui no meu bairro, claro.

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Enquanto o mundo se explode...

...Barack Obama pega uma onda no Havaí, tamos aí (foto AP)
Obama em férias

Tá certo que em termos de história e geografia pode-se até dizer que eu fugi da escola. Francamente. Meu negócio é arte e literatura, sempre foi. Mas quando eu li esta manhã na crônica do Dapieve que "a malfadada invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, foi planejada pelo republicano Dwight Eisenhower e executada pelo democrata John Kennedy" dei uma parada. Uai, gente. Kennedy não ficou famoso, justamente, por ter evitado essa mesma invasão? Me vem à memória não aquele velho livro de história — vocês sabem, a história nos livros é sempre escrita pelo lado vencedor, não dá pra confiar meesmo, confira-se aí a incrível história dos falsários judeus a serviço da corrupção alemã no interessante lançamento em dvd "Os Falsários", Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2007 — mas sim aquele ótimo filme, com aquele ator, vocês sabem, no papel de espião, como é mesmo o nome dele? Ah, sim, lembrei: Matt Damon.

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Obama no Zoo

Zoo de Berlim: a maior coleção de espécies do mundo
Calma, gente. Embora assim possa parecer à primeira vista, não se trata aqui de nenhum comentário racista ou politicamente incorreto, mas sim, multilingüista: "Tiergarten", nome (em alemão) do lugar escolhido para o famoso discurso em Berlim do nosso Barack — o abençoado — na próxima quinta-feira significa, literalmente, Jardim Zoológico.

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Receita de limonada

Os maiorais de Chicago


"I’m a strong believer in making lemonade out of lemons."
Barack Obama


Um dos mais sérios problemas que Barack Obama enfrentou no início de sua carreira política em Chicago eu conheço muito bem: ninguém entendia aquele nome estranho, Ó-BÊ-Á-EME-Á. Além do mais, ele era mesmo um estranho, tendo chegado à cidade já adulto, e sem conhecer ninguém, em busca de uma identidade pessoal e substância profissional.

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Campanha leitoral

Como os meus 19 leitores já sabem... ih. Foi mal. Esssa história banal de 19 (ou 17, sei lá, e meio, se contar o anão) leitores já deu o que tinha que dar nas colunas bem mais divulgadas do Xexéo e do Agamenon, mas vamos combinar que no Globoonliners, alvo primordial desta crônica inesperada de sábado — ih, olha aí, ó: 19 de julho —, faz um bom tempo que o número confesso de meus leitores, exibido à esquerda do texto pra todo mundo ler, é exatamente este: 19.
Dezenove, todo mundo sabe — e se não sabe, está na hora de ficar sabendo — é o número do carma, bom ou ruim, mas que eu gosto de dizer: da transformação do carma. O que eu quero mesmo dizer é que por muitos anos — até conhecer o Alan e deixar pra lá de vez esse negócio de carma — em todo dia 19 do mês eu parava tudo, esquecia tudo que era chatice, aporrinhante, dolorido, e só fazia o que desse mesmo na telha, vocês sabem, na esperança de que um dia se tornasse normal uma vida assim, gostosa, ideal. Vocês me entendem.
Agora. Vamos combinar que está mais do que na hora de mudar o número fixo destes meus leitores, e é claro que estou falando de ampliar, ampliar muito, não? Que tal uma corrente? Hein, gente? Li no jornal que a idéia é boa, um caso típico assim, digamos, de eficiente marketing viral. Tá certo que nas estatísticas oficiais de visita este blog vosso de todo dia vai às alturas, mas preciso confessar que isso só acontece quando o assunto é sexo, e sexo explícito, claro. Meu vídeo erótico no youtube, por exemplo, já vai além dos 24 mil espectadores, pode ir lá conferir que eu garanto que é tudo verdade. Mas, bem. Hum. Nem tudo nesta vida é bom sexo, não é mesmo?
Pois o caso é que li hoje cedo — ah, tá bom, sábado, dezenove de julho, etc, etc — que o Globo Online está procurando, se é que eu entendi direito, um blogueiro [brasileiro] pra falar sobre as eleições americanas. Ora me diga você, leitor, leitor meu: existe alguém por aí melhor do que eu?

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Quem ele pensa que é?

De acordo com Charles Krauthammer — analista da Fox News que aqui em casa a gente sempre assiste (o Alan gosta) —, em artigo de hoje no Washington Post, o maior pecado de Barack Obama é a auto-estima elevada. "Nos primeiros meses da campanha", diz ele, "a gente se perguntava quem era ele. Agora, a pergunta mudou: quem ele pensa que é?"

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Tem mãe que é santa


Se nos próximos meses alguém me acusasse de ter abandonado mamãe doente e, com esse meu ato cruel e impensado, tivesse causado a morte prematura dela, vamos combinar que eu me sentiria culpada até o fim dos meus dias. Porque já me sinto. Mesmo que tudo isso não passe de um insensível absurdo, vocês sabem: faz tempo que minha mãe amada, de quem cuido há mais de dez anos, já não pertence, infeliz e literalmente, ao mundo de quem está realmente vivo.

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Mau gosto

assim também já é demais"Mas o que realmente deveria preocupar o comitê de Obama é o artigo na revista. Ele detalha sua ascensão ao poder em Chicago, retratando-o como incansável perseguidor de amigos poderosos e doadores. Agora, isso preocupará os leitores da New Yorker", afirma a reportagem de Anne Davies publicada... na Austrália, que o Alan me mandou por email ontem, todo animadinho.
O Noga Bloga esteve , mas não conseguiu entrar. Tentaremos mais tarde, quando a poeira baixar (e prometo a vocês: vou ler as 15 páginas inteirinhas), mas vamos combinar que a charge ao lado é tão exagerada, mas tão exagerada, que minha única reação foi rir. É engraçado mesmo, né não? Então por que o mau humor?
O corpo editorial da revista afirma que o leitor de New Yorker é sofisticado demais para acreditar literalmente nesta sucessão de absurdos, mas francamente. Há tanta gente procurando pêlo em ovo — e, além do mais, tanta gente que vê facilmente ovo cabeludo por todo lado — que a gente entende, sem pensar muito, o receio da equipe de Obama.

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O pecado do capital

Foi quando meu pai me disse: filha/ Você é a ovelha negra da família/ Agora é hora de você assumir e sumir
Ovelha Negra, Rita Lee


Pois é. Vocês já entenderam tudo: na minha família, a ovelha negra sou eu, e está mais do que na hora de assumir... e sumir. Já estou indo. E não é por ser artista, ou escritora, ou por não ter filhos, ou por ser mal casada (e pela terceira vez) com um americano estranho, não, gente, nada disso. Vamos combinar que pecado, na minha família, é não ter capital, e considerando isso — e minhas pobres escolhas profissionais —, não há penitência nem oração que me salve.

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