Kindle agora no seu PC, baixe aqui.


Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.
Frase do dia:
"Há uma paz maravilhosa em não publicar. Publicar um livro é uma invasão terrível da minha privacidade. Eu gosto de escrever. Amo escrever. Mas escrevo para mim mesmo e para meu próprio prazer."
J. D. Salinger, citado em seu obituário n'O Globo





Gulag no Rio

Todo mundo sabe que sou completamente contra Lula, sempre fui, mas, francamente, pegar pesado como fez Gerald Thomas no canto de cisne de seu blog defunto, enfiando Lula no saco malhado de Stalin e arranjando de repente pro nosso presidente um lugar de honra no panteão dos carniceiros... peraí. Assim também não.

Marcadores: , , ,

No Rio

Não tem tanto a ver com o Rio, eu acho, o fato de que toda vez que retorno à cidade, nem que seja pelo mais breve e leve período, a volta pra casa seja sempre acompanhada de uma dor de cabeça, de um cansaço intenso, e da inevitável ressaca que acompanha os dois estados e que se estende, às vezes, por vários dias consecutivos.

Marcadores: , , ,

Entre eufórica e estupefata*

"Os cães ladram e a caravana passa."
Provérbio árabe, apud Ibrahim Sued


Nem é que eu queira assim, de última hora, defender a gestão controversa de César Maia no Rio de Janeiro, mas que foi gostoso ler no Globo a *descrição da maravilha que ainda não sei se é, mas que certamente virá a ser, essa Cidade da Música, ah, isso foi — e olhem que ultimamente essa coisa de maravilha é de se contar nos dedos.

Marcadores: , , ,

Prefeitura ilegal, e daí?

no detalhe: amendoeira decepada pelo guindaste oficial


Isso, pra não reportar, na manhã de hoje, o mastodonte oficial da prefeitura, estacionado no mesmo bat-local, no mesmo horário nobre, sufocando as mesmas pobres frágeis pedras portuguesas do calçamento. Me atrasei para a foto. Quando me virei, com o sol a favor, o monstro motorizado já se dirigia para o meio da rua, atravessando a ciclovia, atropelando dolorosamente o meio-fio que a separa da pista. Para estacionar folgadamente do outro lado da avenida. O horário nobre, definitivamente, é uma preferência nacional, ou, pelo menos, carioca. É o horário preferido da Prefeitura para: trocar os postes, recolher o lixo, varrer as ruas (mas não com um gari, entendam bem: com um caminhão-escovão mesmo, desses que ocupa metade da via, atravacando o trânsito ao meio-dia). E a madrugada, gente? Cadê a madrugada?

Bom o artigo do chef Felipe Bronze hoje no jornal. Respeito é bom. E todo mundo gosta: uma atitude civilizada. Mas tem que ser de mão-dupla, é ou não é?

Marcadores:

Orla loteada

"A calçada é para os pedestres!", vocifero raivosa, a voz baixa e firme, mas potente a ponto de alcançar a resposta agressiva do motorista: "E a senhora quer que eu pare aonde? Na rua?" Bem. É. Quem sabe. E de madrugada, pra não atrapalhar o trânsito, hum. Não seria o certo? Mas o Rio de Janeiro, sabemos, é cidade sem lei, uma imensa casa da sogra de que todos dispõem do jeito que acham melhor. Ou quem sabe, pior.
O diálogo é de ontem, quando arrisquei o protesto mas deixei passar a ousadia da foto. Mas hoje, de novo, não dava mais. Cliquei.
Pelo canto da foto mal dá pra ver o eixo vergado, sucumbido ao peso mastodôntico do caminhão carregado. Imaginem então o delicado pavimento em pedra portuguesa do calçadão. E depois, imaginem, ainda tem quem reclame que o Rio parece abandonado. E está. Abandonado, pra começar, pelo cidadão, que vê na cidade uma adversária, não a casa da sua família.
Isso, pra não tocar no assunto do loteamento da orla, que ocorre a cada verão. Ainda bem que já está terminando a estação, isto é, pelo menos o horário, né? E muito antes do calor baixar, como é que pode.

Marcadores: ,

Ave César

----- Original Message -----
From: Noga Lubicz Sklar
To: Eider Dantas ; Cesar Maia
Cc: cartas@oglobo.com.br
Sent: Friday, January 25, 2008 1:17 PM
Subject: serviço porco


Ave, César
Fiquei tão feliz por ter sido atendida no caso do buraco da Timóteo da Costa. Foi por pouco tempo. Escrevi um artigo francamente favorável que tentei, por todos os meios, publicar na imprensa. Não me quiseram. Os jornais, no entanto, sabem mais que eu: pesa a dura experiência. O buraco está lá, a obra largada no meio. O concreto vagabundo e vagabundamente assentado já vai dando vez, canalizado pelo espírito da chuva, a um novo buraco reincarnado. Francamente, prefeito. O senhor não merece a minha força. Nem a de ninguém. Recolha-se à sua franca incompetência.
Atenciosamente,
Noga Lubicz Sklar

Marcadores:

Dá uma luz

Gente. O carioca está doente. Francamente. Acabou de acontecer bem aqui, embaixo da lage da varanda.
"Seu filho da puta! Sabe com quem está falando? Você vai consertar agora mesmo, seu filho da puta desgraçado", a voz ameaçadora atraindo a vizinhança inteira. No background o funcionário da Light, acuado, pede ajuda à central, o cliente ameaça agredir a gente, timoteodacosta e coisa e tal.
Uai. Não está faltando luz.
Uns quinze minutos, peito desnudo e punhos fechados, palavrões e papéis trocados mais tarde, a gente descobre a verdade: o fulano, simplesmente, não pagou sua conta de luz. A discussão prossegue pela tarde adentro, cala a boca aí, xará, tem gente trabalhando aqui dentro.

Marcadores:

Jogo do contente

Venho morro acima ofegante com pressa de chegar em casa a tempo: sei que o conteúdo online muda por volta das quatro horas. Telefono para o jornal: "quer publicar uma boa notícia? Tipo assim, para elevar a moral no dia do padroeiro?"

Marcadores:

Legal sim, e daí?

(da série: Joyce no cotidiano)

Todo mundo nessa cidade critica a teimosia do prefeito malcriado, metido a moderno, que só atende o cidadão por email. Dá pra entender, mas às vezes eu acho que é má vontade pura. Tem coisa mais antiga que preconceito contra internet?
Se não fosse a internet, eu não teria conhecido o Alan. Se não fosse a internet, eu não teria publicado um romance. Se não fosse a internet, eu não publicaria uma crônica por dia, todo santo dia. Se não fosse a internet, bem, hum: meu Projeto Ulisses jamais escaparia de um cavalo-de-tróia. O resultado taí, ó.
E pra não dizer que eu não tento, do jeito que posso, fazer justiça: palmas incondicionais para o Mestre Houaiss, herói intelectual de um tempo onde nem se sonhava a internet. E nem o google. Imaginem.

Marcadores: ,

Palavra de prefeito

"I'm fixing a hole where the rain gets in
and stops my mind from wandering where it will go..."

The Beatles


Escreveu não leu, o pau comeu: promessa de César Maia até que é dívida, que às vezes é até paga, olha aí, ó:


Vocês não sei. Mas eu gostei. Fiquei contente. And it really doesn't matter if I'm wrong I'm right, where I belong I'm right.

por Noga Lubicz Sklar, do contra desde criancinha, mas desta vez, ó, na contramão da má notícia. Deve ser mandinga do padroeiro.

Marcadores:

Panelaço


Se fosse em Buenos Aires, era panelaço. Mas escondido num canto perdido do Alto Leblon, é panelinha mesmo. Confira o protesto desanimado no beco da Cortes Sigaud, da esquerda para a direita:
Respeito, sim!
Mobilização, sim!
Violência, não!
Insegurança pública, não!

Todo mundo na praia domingo, contra o martírio do padroeiro.

Marcadores:

Bem além do boicote


Gente, essa é imperdível. Acompanhem meu diálogo com o prefeito. Por email, é claro. E daí?
Depois eu conto se tamparam o buraco que, aliás, não é no meio da rua, e foi provocado por um caminhão que estacionou lá com duas rodas sobre a calçada, põe civilidade urbana nisso. Que tal abordar o prefeito por email pra resolver nossos problemas? Hein?

Marcadores: ,

Sanduba do bom

"Misto quente, sanduíche de gente."
Rita Lee


Sabe aquela sensação boa que você tem ao ler um livro, ai gente, que nojo, como é que pode, mas não é assim mesmo? O autor descreve exatamente o que eu sinto, duvidando de tudo, pode parecer incrível: de um lado uma mulher madura, careta, zona sul, classe média remediada do Rio, metida a escrever mas sem qualquer pretensão de pertencer a uma elite intelectual; de outro, um gênio irlandês do século passado, sujeito sabidamente hermético, incompreensível, charadista de alto nível, um desafio até para a melhor das mentes: ninguém consegue ler o que o cara escreve, fala sério. Nem tenta.

Marcadores: ,

Marchinha carioca

O Rio amanheceu vazio
toda a cidade amanheceu sem cor
os criminosos soltos pela rua
porque a falcatrua é a expressão do horror



(Do original de João de Barro, pra quem não lembra, gravado em 1935 por Carmen Miranda:
O Rio amanheceu cantando
Toda a cidade amanheceu em flor
E os namorados vêm pra rua em bando
Porque a Primavera é a estação do amor)

Marcadores: ,

Andando na chuva

Marcadores:

Entre a bala e o calote

Já vou logo dizendo que não concordo com este boicote ao IPTU. Tá certo que o prefeito César Maia se comporta como adolescente, ou pior, como criança: vive emburrado, não fala com a gente, mata aula e ainda por cima desdenha da bomba anunciada: "nada muda para a prefeitura, façam bem as contas". A gente repete: menino, se comporte. E o menino nada. Menino, desse jeito você vai acabar mal.

(no Globo online em 15/01)

Marcadores: ,